Venezuela envia carregamento de petróleo a Israel
A Setorial de Comunicação da Venezuela nega o envio e diz não haver qualquer comprovação oficial da narrativa.

Estatal venezuelana de petróleo, PDVSA. Reprodução/Foto: Vero Notícias.
Por Filgueira
Segundo matéria da Bloomberg, com informações de trabalhadores que preferiram não se identificar porque a informação não era, até então, pública, a petrolífera Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA, na sigla em espanhol) forneceu um carregamento de petróleo bruto para Israel.
A responsável pelo carregamento seria o Grupo Bazan, grande conglomerado de refino de petróleo e petroquímica, com sede em Haifa — cidade histórica da Palestina ocupada por Israel devido à sua localização estratégica na costa do Mediterrâneo. A última exportação da Venezuela para Israel, até então, segundo a matéria da Bloomberg, foi em 2020, quando foram enviados aproximadamente 470.000 barris para o Estado genocida.
Como parte dos sequestros de embarcações venezuelanas, na última semana as forças americanas abordaram um carregamento que partiu da Venezuela ainda em dezembro com destino à China. Desde a ofensiva militar estadunidense na Venezuela, em janeiro de 2026, o fluxo de petróleo do país sofreu grandes mudanças. Antes, China e Rússia eram os principais parceiros comerciais da PDVSA; nas últimas semanas a estatal parou de fornecer petróleo para Cuba, sua parceira histórica, e abriu comércio com a Índia, Espanha, Estados Unidos e, ao que tudo indica, Israel.
O vice-presidente setorial de Comunicação e Cultura, Miguel Pérez Pirela, para a teleSUR, diz não haver qualquer evidência verificável da afirmação trazida pela Bloomberg e afirma que a “fake news” visa desestabilizar o país. Segundo a reportagem, a denúncia falsa destinava-se a “minar a estabilidade, a soberania e a paz” da Venezuela. Apesar de não terem negado os carregamentos de 2020, a rede de televisão multiestatal disse que “a Venezuela rompeu relações diplomáticas com Israel em 2009, durante a presidência de Hugo Chávez”.
O governo Maduro, que já vinha com um giro à direita, fortalecendo a burguesia venezuelana, agora, com a pressão estadunidense após seu sequestro, transformou a Venezuela em ponto de apoio para a ofensiva estadunidense na América Latina e no Caribe, satisfazendo a burguesia internacional. Recentemente, o parlamento venezuelano, com o apoio da base sindical do PSUV (partido de Maduro), mudou a Lei dos Hidrocarbonetos, permitindo, dentre outras coisas, maior controle privado sobre a produção e venda de petróleo venezuelano e que tribunais independentes e internacionais, alheios ao Judiciário venezuelano, resolvessem os litígios envolvendo o setor petroquímico.
O setor petroquímico e energético é o vetor de disputas atuais na busca estadunidense de recompor sua hegemonia no cenário internacional. O interesse dos EUA no domínio do setor energético é a ferramenta que os orienta a cumprir seus objetivos de dominação global, tendo como primeiros alvos os países da periferia do capitalismo.