EUA forja acusações contra Raúl Castro para justificar agressão militar contra Cuba
Porta-aviões estadunidense chega ao Caribe após Departamento de Justiça dos EUA denunciar Raul Castro por ter batido aviões que violaram o espaço aéreo de Cuba em 1966.

Ato em comemoração ao 65º aniversário da declaração do caráter socialista da Revolução Cubana, realizado em abril deste ano. Reprodução/Foto: Estanislao Santos.
Por João Oliveira
A situação de Cuba entrou em uma nova fase de tensão internacional nesta semana, após os Estados Unidos ampliarem sua ofensiva política, jurídica e militar contra a ilha socialista. A movimentação envolve desde a presença de um porta-aviões estadunidense no Caribe até a acusação formal contra Raúl Castro, General de Exército das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, ex-presidente da ilha entre 2008 e 2018 e destacado dirigente do Partido Comunista de Cuba (PCC), preparando terreno para uma possível agressão militar direta e forjando justificativas para seu sequestro.
O Departamento de Justiça dos EUA anunciou a acusação criminal contra Raúl Castro, atualmente com 94 anos, relacionada ao episódio de 1996 em que aviões da organização contrarrevolucionária “Brothers to the Rescue” foram abatidos pela força aérea cubana por violarem o espaço aéreo da ilha. Washington acusa Castro - então Ministro da Defesa - de ordenar a operação. Os crimes imputados incluem uma suposta conspiração para matar cidadãos estadunidenses, destruição de aeronaves e homicídios e podem, segundo o código penal estadunidense, levar à pena de morte ou prisão perpétua.
O 1º Secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba e Presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, classificou o processo como uma “manobra política” destinada a justificar uma nova escalada contra o país. “Esta é uma ação política, sem qualquer fundamento legal, que visa apenas reforçar o dossiê que fabricam para justificar a insensatez de uma agressão militar contra Cuba”, afirmou o dirigente do processo revolucionário cubano.
Nesse mesmo sentido, o Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, denunciou a acusação dos EUA como uma farsa sem legitimidade jurídica. “Trata-se de um ato que se baseia em mentiras e oculta verdades históricas devidamente documentadas sobre os eventos que levaram à queda, no espaço aéreo cubano e em legítima defesa, de duas aeronaves da organização terrorista Irmãos ao Resgate”, declarou Rodríguez.
Ao mesmo tempo, a Marinha dos EUA confirmou a entrada do grupo de ataque do porta-aviões USS Nimitz no Caribe - o mesmo porta-aviões que até alguns dias atrás estava no Brasil sob o pretexto de realizar “exercícios navais”, sob a autorização do Ministério da Defesa do governo Lula-Alckmin. A operação no Caribe inclui destróieres, aeronaves de combate e navios de apoio logístico. O Comando Sul dos EUA afirmou que a movimentação demonstra a “prontidão e capacidade operacional” na região, ou seja, estão preparados para uma agressão militar contra Cuba.
A acusação dos EUA contra Raúl Castro tenta criar uma aparência de legalidade para possíveis ações contra Cuba, assim como ocorreu com Maduro, a partir de uma acusação de que o presidente venezuelano estaria envolvido no tráfico internacional de drogas. Embora Washington afirme que não há preparação para uma invasão direta, a combinação entre o cerco econômico, pressão diplomática, acusações criminais e presença militar lembra métodos historicamente utilizados pelos EUA em operações de mudança de regime, assim como a operação recente na Venezuela, que resultou no sequestro de seu presidente, Nicolás Maduro.
A crise ocorre em meio ao aprofundamento das dificuldades econômicas cubanas. Desde o início de 2026, os EUA intensificaram sanções e medidas para bloquear o fornecimento de petróleo à ilha, atingindo diretamente o abastecimento energético em Cuba. A escassez de combustível provocou e permanece provocando apagões, paralisação do transporte público e dificuldades no sistema de saúde e na produção de alimentos.
Um relatório do Centro de Pesquisa Econômica e Política (CEPR) indica que o endurecimento das sanções dos EUA contra Cuba representa a principal causa do aumento de 148% na mortalidade infantil do país, afetando cerca de 1.800 bebês.
Somado a isso, o bloqueio energético também ameaça o abastecimento de água e alimentos no país. Escolas e universidades chegaram a suspender suas atividades em diversas regiões da ilha devido à crise elétrica. Episódios recentes contribuíram para elevar ainda mais a tensão bilateral. Em fevereiro, uma embarcação registrada nos EUA foi interceptada pela Marinha Revolucionária de Cuba após tentar realizar uma infiltração armada em território cubano.
A atual escalada recoloca o Caribe no centro das disputas geopolíticas continentais. As medidas contra Cuba representam mais um capítulo da história política de cerco econômico e intervenção do imperialismo estadunidense contra governos que desafiam seus interesses na região - e em todo o mundo, a exemplo do ocorrido no Irã.
Em meio à escalada de agressões políticas, econômicas e militares contra Cuba, cresce também a denúncia internacional contra os embargos impostos pelos Estados Unidos, que se constituem enquanto os responsáveis por aprofundar as dificuldades econômicas e sociais enfrentadas pelo povo cubano.
Cuba e sua inabalável escolha socialista assumem a importância de ponto de referência e inspiração para os proletários, povos e todos aqueles que lutam pela libertação do jugo imperialista na América Latina e no mundo. É fundamental que os trabalhadores e trabalhadoras do mundo todo se solidarizem em defesa da Revolução Cubana e da denúncia do bloqueio imperialista e suas ameaças bélicas.