Ignorando o “cessar-fogo”, Israel avança no sul do Líbano

Com o aumento do número de mortos e bairros inteiramente destruídos, as tropas israelenses visam ocupar o sul do Líbano em nova ofensiva.

1 de Junho de 2026 às 0h00

Equipes de emergência trabalham no local enquanto fumaça sobe de áreas atingidas após ataques de Israel pelo Líbano. Anadolu via Getty Images. Reprodução/Foto: CNN Brasil.

Por Filgueira

Mesmo após um cessar-fogo firmado em abril, Israel vem mantendo os ataques em cidades históricas ao sul do Líbano e também na capital, Beirute. De março, quando se iniciaram as ofensivas no Líbano, até meados de maio, mais de 2.700 pessoas foram mortas no Líbano, incluindo cerca de 200 crianças e nove jornalistas. O número de deslocados ultrapassa 1,2 milhão, cerca de 20% da população do país, e o número de feridos soma mais de 8 mil.

Segundo matéria do Intercept Brasil, mais de 130 cidades e vilarejos no sul do Líbano estão formalmente ocupados ou se encontram sob ameaça direta de Israel. São 55 localidades na zona de ocupação e ao menos 84 locais sob ordens de deslocamento forçado. Famílias que moram e trabalham nestas áreas foram expulsas de suas casas e estão impedidas de retornar, sob ameaças de ataque.

A criação da “linha amarela” replica o método que Israel utiliza em Gaza, determinando uma zona como “área de risco” forçando o deslocamento de civis para que Israel destrua bairros e cidades inteiras para avançar seu domínio colonial. A faixa de 10km de largura reivindicada por Israel por uma suposta “autodefesa contra o grupo Hezbollah”, conta com mananciais de água e reserva de gás que se estendem até a fronteira com a Síria.

Mapa mostra a região no sul do Líbano que está sob controle do Exército de Israel — Foto: Forças de Defesa de Israel/Reuters. Reprodução: G1 (19.04.26).

Nas redes sociais, Israel diz “destruir infraestruturas terroristas”, mas a apuração via satélite da Al Jazeera demonstrou que as ondas de destruição ocorreram em vilarejos e centros residenciais, destruindo dezenas de quarteirões, centros comerciais, mesquitas centenárias e áreas de agricultura. Usando a “autodefesa contra o Hezbollah” como justificativa para seu avanço colonial, assim como faz com Gaza em relação ao Hamas, as áreas civis são o maior foco de destruição sionista, como parte de seu projeto genocida de limpeza étnica e destruição da arquitetura e identidade dos povos libaneses e palestinos.

A cidade de Bint Jbeil, no Líbano, foi 70% destruída e 20% danificada, atingindo as periferias leste e oeste da cidade, usinas de energia, redes de água, escolas e hospitais, incluindo o Hospital Salah Ghandour. As áreas agrícolas foram arrasadas, submetidas a armas incendiárias de fósforo branco, cujo uso é considerado crime de guerra.

O ataque de Israel ao Líbano martirizou uma família brasileira (uma mãe, sua filha de 11 anos e o pai) e deixou o filho hospitalizado. Além disso, brasileiros no Líbano estão com dificuldade de sair do país e libaneses no Brasil não conseguem contato com amigos e familiares no Líbano. O Itamaraty apenas declarou em nota solidariedade à família enlutada e afirmou prestar assistência via Embaixada em Beirute. O avanço de Israel sobre o Líbano, os ataques ao Irã e a manutenção do projeto genocida em Gaza que já martirizou 72.783 palestinos desde outubro de 2023, demonstra a completa anulação do direito internacional aos interesses imperialistas de Israel e EUA sobre os países árabes e persas.

Enquanto trabalhadores marítimos e dos portos do Meditarrâneo vem travando uma luta contra as guerras interimperialistas e por melhores condições de trabalhos através de greves e piquetes, e países europeus tentam se afastar da guerra após fechamento do estreito de Ormuz, no Brasil o governo Lula-Alckmin se restringe a notas de solidariedade em redes sociais enquanto mantém suas relações comerciais e diplomáticas com Israel e envia Lula para eventos com Donald Trump em meio aos ataques no Líbano, Irã, Palestina e pressões militares e econômicas em países vizinhos como Cuba, Bolívia e Venezuela.

A inércia e complacência dos países capitalistas frente aos horrores da guerra mostram que é somente a organização revolucionária do proletariado em sua luta na construção do socialismo que destruirá o imperialismo. A luta pelo fim do projeto genocida e colonial de Israel é parte da luta internacional pela libertação de todos os povos oprimidos e contra o sistema capitalista que produz e retroalimenta essas barbáries.