Ignorando o “cessar-fogo”, Israel avança no sul do Líbano

Com o aumento do número de mortos e bairros inteiramente destruídos, as tropas israelenses visam ocupar o sul do Líbano em nova ofensiva.

31 de Maio de 2026 às 21h00

Equipes de emergência trabalham no local enquanto fumaça sobe de áreas atingidas após ataques de Israel pelo Líbano. Anadolu via Getty Images. Reprodução/Foto: CNN Brasil.

Por Filgueira

Mesmo após um cessar-fogo firmado em abril, Israel vem mantendo os ataques em cidades históricas ao sul do Líbano e também na capital, Beirute. De março, quando se iniciaram as ofensivas no Líbano, até meados de maio, mais de 2.700 pessoas foram mortas no Líbano, incluindo cerca de 200 crianças e nove jornalistas. O número de deslocados ultrapassa 1,2 milhão, cerca de 20% da população do país, e o número de feridos soma mais de 8 mil.

Segundo matéria do Intercept Brasil, mais de 130 cidades e vilarejos no sul do Líbano estão formalmente ocupados ou se encontram sob ameaça direta de Israel. São 55 localidades na zona de ocupação e ao menos 84 locais sob ordens de deslocamento forçado. Famílias que moram e trabalham nestas áreas foram expulsas de suas casas e estão impedidas de retornar, sob ameaças de ataque.

A criação da “linha amarela” replica o método que Israel utiliza em Gaza, determinando uma zona como “área de risco” forçando o deslocamento de civis para que Israel destrua bairros e cidades inteiras para avançar seu domínio colonial. A faixa de 10km de largura reivindicada por Israel por uma suposta “autodefesa contra o grupo Hezbollah”, conta com mananciais de água e reserva de gás que se estendem até a fronteira com a Síria.

Mapa mostra a região no sul do Líbano que está sob controle do Exército de Israel — Foto: Forças de Defesa de Israel/Reuters. Reprodução: G1 (19.04.26).

Nas redes sociais, Israel diz “destruir infraestruturas terroristas”, mas a apuração via satélite da Al Jazeera demonstrou que as ondas de destruição ocorreram em vilarejos e centros residenciais, destruindo dezenas de quarteirões, centros comerciais, mesquitas centenárias e áreas de agricultura. Usando a “autodefesa contra o Hezbollah” como justificativa para seu avanço colonial, assim como faz com Gaza em relação ao Hamas, as áreas civis são o maior foco de destruição sionista, como parte de seu projeto genocida de limpeza étnica e destruição da arquitetura e identidade dos povos libaneses e palestinos.

A cidade de Bint Jbeil, no Líbano, foi 70% destruída e 20% danificada, atingindo as periferias leste e oeste da cidade, usinas de energia, redes de água, escolas e hospitais, incluindo o Hospital Salah Ghandour. As áreas agrícolas foram arrasadas, submetidas a armas incendiárias de fósforo branco, cujo uso é considerado crime de guerra.

O ataque de Israel ao Líbano martirizou uma família brasileira (uma mãe, sua filha de 11 anos e o pai) e deixou o filho hospitalizado. Além disso, brasileiros no Líbano estão com dificuldade de sair do país e libaneses no Brasil não conseguem contato com amigos e familiares no Líbano. O Itamaraty apenas declarou em nota solidariedade à família enlutada e afirmou prestar assistência via Embaixada em Beirute. O avanço de Israel sobre o Líbano, os ataques ao Irã e a manutenção do projeto genocida em Gaza que já martirizou 72.783 palestinos desde outubro de 2023, demonstra a completa anulação do direito internacional aos interesses imperialistas de Israel e EUA sobre os países árabes e persas.

Enquanto trabalhadores marítimos e dos portos do Meditarrâneo vem travando uma luta contra as guerras interimperialistas e por melhores condições de trabalhos através de greves e piquetes, e países europeus tentam se afastar da guerra após fechamento do estreito de Ormuz, no Brasil o governo Lula-Alckmin se restringe a notas de solidariedade em redes sociais enquanto mantém suas relações comerciais e diplomáticas com Israel e envia Lula para eventos com Donald Trump em meio aos ataques no Líbano, Irã, Palestina e pressões militares e econômicas em países vizinhos como Cuba, Bolívia e Venezuela.

A inércia e complacência dos países capitalistas frente aos horrores da guerra mostram que é somente a organização revolucionária do proletariado em sua luta na construção do socialismo que destruirá o imperialismo. A luta pelo fim do projeto genocida e colonial de Israel é parte da luta internacional pela libertação de todos os povos oprimidos e contra o sistema capitalista que produz e retroalimenta essas barbáries.