Trabalhadores marítimos ameaçam greve contra guerra no Estreito de Ormuz
Frente sindical grega apresenta reivindicações à Organização Marítima Internacional para garantir a segurança dos trabalhadores embarcados e o fim das guerras.

Navios no Estreito de Ormuz, sob acompanhamento de embarcação da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Reprodução/Foto: Ahmad Halabisaz/XinHua.
Por Filgueira
Em meio à escalada da guerra no Mar Arábico, no Mar de Omã, na região do Golfo (especificamente no Estreito de Ormuz) e na região marítima de Israel, os trabalhadores marítimos do Mediterrâneo, especialmente os filiados aos sindicatos PEMEN e STEFENSON, da Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME) na Grécia, apresentaram uma série de reivindicações à Organização Marítima Internacional (OMI-ONU) para garantir a segurança dos trabalhadores embarcados.
Enquanto os tensionamentos crescem no Mar Mediterrâneo, grandes empresas de navegação estão exigindo dos marinheiros que declarem não se recusar a navegar em áreas afetadas por conflitos armados, sob o risco de perderem seus empregos. Não é suficiente: com o fechamento do Estreito de Ormuz pela Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica, as seguradoras marítimas se recusaram a manter o contrato com as embarcações, e todas as mortes de trabalhadores fruto de bombardeios e sequestros de navios podem não ser indenizadas, fazendo com que estes trabalhadores, além da exposição ao perigo, não tenham nenhum suporte financeiro em caso de fatalidade.
Os mais de 20.000 marinheiros (de mais de 3.000 embarcações retidas) expostos ao perigo somente no Estreito de Ormuz são resultado da intensificação da guerra interimperialista na região, evidenciada nas últimas semanas pelo ataque dos EUA e de Israel contra o Irã, que transformou o transporte marítimo internacional em um teatro de conflito militar, tornando os trabalhadores marítimos vítimas dos interesses da burguesia monopolista dos países em disputa.
Agitando a possibilidade de paralisações e greves, os trabalhadores marítimos e portuários apresentaram algumas exigências à OMI e aos Estados-membros, incluindo o fim da guerra, reconhecimento de “zonas de guerra” para ativação de direitos marítimos, a suspensão do trânsito de navios pela região enquanto perdurar o conflito, o direito de se recusar a embarcar e transitar pelas áreas afetadas, repatriação de tripulações retidas, cobertura financeira integral para todos os marítimos que estão ou estiveram em zonas de perigo, entre outras demandas. O apelo final da carta é um chamado a todos os sindicatos marítimos e portuários do mundo para que coordenem ações internacionais em apoio às reivindicações dos trabalhadores marítimos do Mediterrâneo e região.
A luta dos trabalhadores, sobretudo os filiados à PAME, não é recente. Em fevereiro de 2026, trabalhadores portuários de todo o Mar Mediterrâneo realizaram uma grande greve, paralisando as atividades em mais de 20 portos para protestar contra o genocídio do povo palestino em Gaza e contra a privatização e a militarização da infraestrutura portuária. As manifestações iniciaram em 2025, em portos da Grécia, da Turquia e do País Basco, reunindo centenas de trabalhadores para, através de paralisações, greves e piquetes, interromper o fornecimento de carregamento para Israel.
Na Grécia especificamente, a União dos Trabalhadores de Movimentação de Contêineres nas Docas do Porto do Pireu vem realizando um trabalho ativo e consequente em seus locais de atuação, colocando a solidariedade proletária como ordem do dia e impedindo que carregamentos sionistas atracassem em seus portos e docas, como em 2024, quando o "MSC ALTAIR" , um navio porta-contêineres que transportava armamentos e munições para Israel, teve sua chegada cancelada por paralisação dos trabalhadores portuários.
O escalonamento das guerras interimperialistas, representado pelo polo dos EUA-UE-OTAN-Israel agindo na tentativa de retomar a hegemonia no Oriente Médio, Ásia Central e África capitaneados pelo bloco China-Rússia nas últimas duas décadas, reforça a necessidade do internacionalismo proletário, ou seja, colocar a luta dos trabalhadores do mundo todo em perspectiva para que sejam possíveis intervenções proletárias na formulação e organização política dos trabalhadores explorados em todo o globo contra as guerras interimperialistas e o capitalismo que as produz.