Novos aumentos nas passagens de ônibus na RMBH escancaram o parasitismo dos empresários
Enquanto o reajuste da tarifa é de 8,7% em BH e 8,93% na região metropolitana, os motoristas receberam um reajuste salarial de apenas 5,1%.

Motoristas dos ônibus da RMBH em manifestação em frente à Prefeitura de Belo Horizonte. Reprodução/Foto: Movimento dos Motoristas Unidos (MMU).
A partir de 1º de janeiro de 2026, a classe trabalhadora da Região Metropolitana de Belo Horizonte enfrenta mais um aumento da tarifa nos ônibus municipais e metropolitanos. Assim como no início de 2025, a passagem aumenta 50 centavos em Belo Horizonte, indo para R$6,25, e se torna a segunda tarifa mais cara entre as capitais brasileiras. Em Contagem, o aumento é de R$6,40 para R$6,75. Já a menor tarifa da região metropolitana passa a ser R$6,10, com linhas que chegam a R$62,45.
Diante da derrota do Projeto de Lei "Busão 0800" na Câmara Municipal de Belo Horizonte articulada pelo prefeito Álvaro Damião (União Brasil) em aliança com os grandes empresários da indústria e do comércio, que mais pagariam pela gratuidade universal, a pressão popular forçou a adoção de uma medida parcial: a tarifa zero aos domingos e feriados. Para além de manter as duas fontes de renda desejadas pela máfia do transporte – a tarifa e o subsídio público – a medida foi amplamente anunciada por Damião como um ato de benevolência. Já os aumentos das passagens são feitos de forma sorrateira na virada de ano, buscando arrefecer as possibilidades de mobilização popular.
Enquanto o reajuste da tarifa é de 8,7% em BH e 8,93% na região metropolitana, os motoristas receberam um reajuste salarial de apenas 5,1%. Em plena véspera de natal, os rodoviários sofreram um golpe da direção do sindicato (STTRBH), que atuou para favorecer as empresas e aprovar um acordo rejeitado pela categoria. Além disso, a gratuidade nos domingos e feriados ameaça a perda da taxa "Motocob" de 20% sobre o salário, conquistada pelos motoristas por exercerem uma dupla função desde a retirada dos cobradores, como já aconteceu nos dias de tarifa zero nas eleições de 2024. Os rodoviários seguem mobilizados no Movimento dos Motoristas Unidos (MMU), por reajuste digno, melhores condições de trabalho e redução da jornada, tendo realizado uma sequência de manifestações no segundo semestre de 2025, paralisando avenidas centrais em Belo Horizonte.
O subsídio municipal, que hoje financia cerca de um terço do serviço na capital mineira, deve subir de 744,7 para 756,9 milhões de reais em 2026 – um reajuste de 7,4%. Trata-se do aprofundamento de um modelo privatista que avança sobre o sistema de transportes no Brasil e serve à garantia das altas taxas de lucro para os empresários. Enquanto isso, os problemas mais sensíveis da mobilidade urbana, como o tempo de deslocamento, a falta de linhas, a frota insuficiente e o desconforto dos usuários continuam sem perspectiva de solução.
Após os anúncios dos aumentos, a Frente Popular pelo Transporte Público convocou uma reunião para o dia 2 de janeiro, sexta-feira, que debaterá os próximos passos para barrar esse ataque. A reunião será online e a participação é aberta para aqueles que entrarem em contato pelo Instagram da Frente: @pelo.transporte.rmbh.