EDITORIAL: Memória, luta e internacionalismo: o caminho de abril

Em um contexto de intensificação da luta ideológica, é fundamental armar nossa militância com teoria revolucionária e capacidade de intervenção prática, seja na disputa das entidades, nos locais de atuação e nos movimentos em que estamos inseridos.

1 de Abril de 2026 às 15h00

Foto: Franthesco Fioravanço/Jornal O Futuro.

Abril se inicia sob o peso da história e das tarefas do presente. Ao mesmo tempo em que relembramos os 62 anos do golpe empresarial-militar de 1964 no primeiro dia de abril, e celebramos os 104 anos de fundação do Partido Comunista no final de março, somos chamados a qualificar nossa intervenção com maior intensidade nas lutas concretas da classe trabalhadora, elevando o nível de organização, consciência e independência política diante das ofensivas do capital.

A luta pelo fim da escala 6x1 se consolida como uma das principais trincheiras do período. Trata-se de uma pauta com amplo apoio popular e enorme potencial de unificação da classe, defendida como ponto importantíssimo no Programa do PCBR. No entanto, não devemos nutrir ilusões nas forças oportunistas que, de forma recente e demagógica, passaram a reivindicá-la. Nossa tarefa é disputar essa luta com firmeza, apresentando um caminho de reorganização do movimento sindical baseado na independência de classe e na mobilização real dos trabalhadores. A marcha de 15 de abril, em Brasília, deve servir como um ponto essencial para a construção de uma agitação fortalecida durante todo o mês de abril, rumando a construção de um 1º de maio à altura das nossas bandeiras e da nossa tarefa histórica. O Dia Internacional de Luta da Classe Trabalhadora, presente no calendário anual de lutas, deve ser tido como uma tarefa principal para cada localidade, ser-vindo de espaço para a disputa da consciência das massas trabalhadoras.

Ao mesmo tempo, o 1º de abril nos impõe o dever da memória e da luta. A ditadura empresarial-militar não foi um desvio, mas um instrumento de aprofundamento da dominação burguesa no Brasil. Relembrar esse período é reafirmar a necessidade de combater não apenas seus resquícios, mas as bases materiais que o tornaram possível: o poder dos monopólios, o papel político das Forças Armadas e a repressão sistemática à organização operária. Nossa agitação deve apontar para a responsabilização dos agentes da ditadura, o fim dos privilégios militares e o enfrentamento do chamado “partido fardado” como expressão dos interesses do capital.

Durante o mês de abril, empreenderemos ainda mais esforços na construção de atividades que fortaleçam organizativa e financeiramente o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário. Em um contexto de intensificação da luta ideológica, é fundamental armar nossa militância com teoria revolucionária e capacidade de intervenção prática, seja na disputa das entidades, nos locais de atuação e nos movimentos em que estamos inseridos. Só o Partido Comunista, verdadeiramente independente, poderá organizar a luta da classe trabalhadora.

No plano internacional, a solidariedade à Cuba se coloca como tarefa fundamental. Diante do recrudescimento das ofensivas imperialistas, defender o processo revolucionário cubano é defender a própria possibilidade histórica do socialismo em nosso continente. O internacionalismo proletário não se restringe à mera solidariedade, mas encampa de forma orgânica nossa compreensão sobre o acirramento das agressões imperialistas em todo o mundo, com expressão na ofensiva dos EUA e Israel sobre a Venezuela e o Irã.

Por fim, a apresentação dos temas mais relevantes para o mês nesta edição — das privatizações às tragédias ambientais, da greve dos servidores à militarização do Estado, do processo histórico das eleições e a resposta repressiva do Estado burguês ao avanço do punitivismo — expressam uma mesma realidade: o aprofundamento da crise capitalista e suas consequências diretas sobre a classe trabalhadora. Não há saída dentro dos marcos desse sistema. Abril deve ser, portanto, um mês de organização, luta e preparação para os enfrentamentos que virão.