Delcy Rodrigues pede ‘anistia geral’ a opositores políticos
Além da anistia, a presidente interina da Venezuela anunciou o fechamento da sede do Serviço Bolivariano de Inteligência.

Protesto por libertação de presos políticos na Venezuela. Reprodução/Foto: Getty Images.
Por Filgueira
Delcy Rodrigues, presidenta em exercício na Venezuela, anunciou na sexta-feira (30/01) que enviará à Assembleia Nacional a proposta de aprovação da Lei de Anistia Geral que promete libertar os “presos políticos” no país desde 1999. A presidente também anunciou o fechamento do Helicoide, a sede do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin).
Apesar de a base militar estadunidense em Guantánamo, em uma parte ocupada de Cuba, ter diversos relatos de torturas e “alimentação” via anal, inclusive com denúncias no Tribunal Penal Internacional e na Organização das Nações Unidas, a mídia estadunidense vem, já há um tempo, apontando o Helicoide como ‘o maior centro de tortura da América Latina’. Junto ao pedido de anistia, Delcy afirmou que "as instalações do Helicoide, que hoje servem como centro de detenção, serão transformadas em um centro social, esportivo, cultural e comercial para a família policial e para as comunidades ao redor do local". Ainda não se sabe se o fechamento do prédio inclui o encerramento do serviço de inteligência venezuelano ou se ele será alocado em outro espaço.
Desde a agressão imperialista em 3 de janeiro, quase 20 presos políticos foram soltos na Venezuela; no domingo (01/02), mais nove prisioneiros foram liberados, incluindo Javier Tarazona, conhecido por “ativismo pelos direitos humanos na Venezuela” e opositor a Maduro. Não há clareza sobre quantos são os detidos; a própria Delcy afirmou que ultrapassam 600 pessoas, enquanto a ONG Foro Penal sustenta um número menor.
A proposta é parte da escalada de concessões e entreguismo do mandato de Rodriguez, e sua base no PSUV e sindical, frente às exigências de Trump. Recentemente, Delcy e seus aliados aprovaram a abertura do setor petrolífero para o capital privado internacional e permitiram que a justiça de outros países, a despeito da justiça venezuelana, julgasse litígios.
Anteriormente, no início de janeiro, Trump já havia dito que a Venezuela iria libertar seus presos políticos e afirmou que espera que eles “se lembrem da sorte que tiveram com a intervenção dos Estados Unidos, que fizeram o que precisava ser feito".
As solturas de presos políticos, até o momento, não incluíram militantes à esquerda de Maduro. Em 2023, o Partido Comunista da Venezuela (PCV) denunciou o sequestro de dois líderes sindicais da Siderúrgica do Orinoco (Sidor), que foram detidos pela polícia venezuelana arbitrariamente, após os protestos em massa na empresa estatal.