Democratas ameaçam orçamento de US$ 10 bilhões de Trump ao ICE

Agentes do ICE são treinados por Israel e, com o crescente número de casos de violência e assassinato, democratas pressionam Trump.

30 de Janeiro de 2026 às 15h00

Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega detêm um homem após realizar uma batida no complexo de apartamentos Cedar Run em Denver. Reprodução/Foto: REUTERS/Kevin Mohatt.

Por Filgueira

Mercenário em Gaza e delator dos terrores testemunhados, o Coronel Anthony Aguilar, um veterano das Forças Especiais dos EUA, trouxe, em um podcast, o programa chamado SME (Subject Matter Exchange, ou “Troca de Assuntos”, em tradução livre), que une agentes do ICE e forças de segurança israelenses, como o IDF (exército israelense) e a Polícia de Israel.

A parceria não é recente: há pelo menos 20 anos, agentes do ICE, do FBI e de polícias locais estadunidenses (principalmente a polícia de Nova Iorque) vêm recebendo treinamento que envolve técnicas de vigilância, controle de multidões, estratégias de fiscalização de fronteiras e gerenciamento de postos de controle. A parceria também não é exclusiva dos EUA. Durante o governo Dilma, para a Copa do Mundo, o governo brasileiro realizou parceria com Israel, envolvendo desde treinamentos militares (similar ao SME), até construção de checkpoints (UPPs) e treinamentos médicos.

Os trabalhos do SME, que antes eram direcionados ao controle migratório na fronteira entre EUA e México e contavam com tecnologia de vigilância em parceria com as gigantes sionistas Elbit Systems e Palantir — fornecendo desde câmeras super tecnológicas até softwares de IA usados para rastreio de imigrantes e “hackeio forense universal” —, foram voltados às patrulhas do ICE no interior dos EUA.

O orçamento para publicidade que o Departamento de Segurança Interna (DHS) utiliza para “recrutamento em tempos de guerra” para 2026 é de 100 milhões de dólares (R$ 583 milhões), segundo matéria do The Washington Post traduzida pelo G1. Com um salto de 10 mil para mais de 20 mil agentes em um ano, o governo Trump necessitou reduzir o tempo de treinamento. Segundo o senador democrata Mark Warner, em entrevista à CNN, o tempo de treinamento dos agentes do ICE foi reduzido de 5 meses para 47 dias. Ao ser questionado sobre por que 47 dias, Warner respondeu: “porque Donald Trump é o 47º presidente”. Em resposta, o diretor interino do ICE, Todd Lyons, afirmou que o cronograma de treinamento é de oito semanas, com seis dias úteis por semana, totalizando 48 dias de treinamento; apesar da afirmação, o site de carreiras do ICE aponta que o cronograma reflete cinco meses, sendo 5 semanas para idioma e 16 para “aplicação da lei”.

Para a manutenção do ICE, o governo Trump anunciou um investimento de US$ 10 bilhões. Após o anúncio de greves e shutdown, os democratas ameaçam não aprovar o projeto orçamentário de Trump. Apesar das ameaças, cerca de 15% dos democratas ainda apoiam a agência ICE, e 41% dos “independentes” também não são contra o fim das operações, mesmo reconhecendo o uso excessivo de violência nas abordagens, é o que revela a pesquisa do YouGov.

Donald Trump culpou democratas e ativistas anti-ICE por mais uma morte pelo ICE em abordagem no sábado (24/01), em Minneapolis, afirmando que “estados democratas encorajam as manifestações e se recusam a trabalhar em parceria com o ICE”.

Para opositores, as medidas de Trump, além do direcionamento de ódio a imigrantes, são uma forma de desgastar os governos estaduais democratas e, no limite, provocar reações armadas de civis — como o “ressurgimento” do Partido dos Panteras Negras —, criando um possível pretexto para medidas autoritárias em nome de um suposto cenário de “guerra civil”.