Dia 15 de março é marcado pela luta da mulher trabalhadora em Franca (SP)

O evento, construído coletivamente, uniu rodas de conversa, batalhas de rima e apresentações de slam para resgatar o caráter classista do 8 de março e organizar a luta contra a precarização do trabalho e o desmonte dos serviços públicos na região.

14 de Abril de 2026 às 21h00

Foto com os participantes do evento, incluindo coletivos de hip-hop e militantes do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Foto: Jornal O Futuro.

No dia 15 de março, mulheres trabalhadoras, movimentos culturais e militantes do PCBR ocuparam o Instituto Práxis (IPRA), em Franca (SP), para um ato político-cultural em alusão ao Mês da Mulher Trabalhadora. O evento, construído coletivamente, uniu rodas de conversa, batalhas de rima e apresentações de slam para resgatar o caráter classista do 8 de março e organizar a luta contra a precarização do trabalho e o desmonte dos serviços públicos na região.

A mobilização responde à dura realidade enfrentada pela classe trabalhadora no interior paulista. Em cidades médias como Franca, conhecida nacionalmente pela indústria calçadista e pelo avanço do setor de telemarketing, milhares de mulheres são submetidas a jornadas exaustivas, baixos salários e condições que pouco mudaram nas últimas décadas. São setores marcados pela alta rotatividade e por uma lógica produtiva que suga a saúde física e mental daquelas que mantêm a cidade funcionando.

Ao fim do dia, a falha na infraestrutura urbana agrava a exploração: ruas mal iluminadas, transporte ineficiente e bairros precarizados aumentam a vulnerabilidade das trabalhadoras no retorno para casa. Paralelo a isso, o desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS) aprofundado por medidas do governo federal como o Arcabouço Fiscal, que limita o investimento público, impõe filas maiores e restringe o acesso a direitos básicos, como a saúde reprodutiva. O que a burguesia apresenta como "decisão técnica" na economia, na prática, se traduz em insegurança e sobrecarga para a mulher.

A política expressa pela cultura

Contra esse cenário, a intervenção no IPRA transformou a indignação em organização. A programação começou com uma roda de conversa que debateu a centralidade da mulher na luta contra o sistema capitalista. Os participantes denunciaram a aliança entre o patriarcado e o capital, apontando que a opressão feminina não é um problema moral isolado, e que a emancipação das mulheres exige necessariamente a superação da exploração de classe.

Essas discussões serviram de base para as batalhas de rima e apresentações de slam que tomaram o espaço em seguida. Versos sobre violência de gênero, exploração nas fábricas e a força da organização popular ecoaram pelo Instituto. A presença de artistas e coletivos culturais reforçou que a agitação política não ocorre apenas em reuniões formais, mas também nas expressões artísticas que traduzem o cotidiano popular.

Como defendia Clara Zetkin no início do século XX, na fundação da data, o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora não serve para receber homenagens vazias ou campanhas publicitárias de empresas capitalistas. O 8 de março nasceu para organizar a classe como sujeito político. Ao encerrar a programação com um baile, o evento em Franca reafirmou essa vocação revolucionária: provou que é possível construir espaços onde o debate político duro se conecta com o cotidiano e com a cultura das ruas, forjando na prática a unidade necessária para as lutas que virão.