Em assembleia lotada, professores da UERJ declaram greve

Assembleia histórica dos professores aprova paralisação após fracasso nas negociações com o Governo do Estado e aponta para ampliação da mobilização com estudantes e técnicos.

14 de Abril de 2026 às 15h00

Em uma assembleia marcada por forte participação e disposição de luta, docentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) aprovaram a deflagração de uma greve que teve início no último dia 25 de março. Convocada pela Associação dos Docentes da UERJ (ASDUERJ), a assembleia reuniu cerca de 400 pessoas e lotou um auditório da universidade, evidenciando o grau de insatisfação acumulado na categoria.

A decisão pela greve não surgiu de forma abrupta. Trata-se do resultado de anos de arrocho salarial, precarização das condições de trabalho e sucessivas tentativas frustradas de negociação com o governo de Cláudio Castro e seus antecessores, como Wilson Witzel. Diante do impasse, a greve foi vista como o único caminho possível para arrancar conquistas.

Embora houvesse consenso em torno da necessidade da greve, o debate na assembleia girou em torno da sua forma de organização e das pautas centrais. Entre as principais reivindicações estão a recomposição salarial dos docentes, o retorno do pagamento de triênios, a regularização previdenciária dos professores substitutos e a garantia de um orçamento digno para a universidade.

A pauta aprovada também incorpora demandas mais amplas da comunidade acadêmica, como a criação de cargos de tradutores e intérpretes de Libras, a ampliação das bolsas estudantis, o cumprimento dos repasses orçamentários e o apoio à luta dos trabalhadores terceirizados que encontram-se hoje com seus pagamentos atrasados. Outro ponto de destaque foi a exigência de fim à criminalização de estudantes e técnicos que participaram de mobilizações anteriores, indicando que a greve também assume um caráter político em defesa do direito de organização.

A assembleia do dia 25 deve aprofundou essas definições e instituiu um comando de greve com participação para além da direção sindical, envolvendo diferentes setores e campi. Há ainda a expectativa de construção de uma plenária unificada entre docentes, estudantes e técnicos para as próximas semanas, o que pode ampliar o alcance do movimento.

Apesar de entidades como o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (SEPE) ainda não terem aderido, a decisão da ASDUERJ aponta para uma disposição de enfrentamento independente, ancorada na mobilização da base. Durante a assembleia, inclusive, foi levantada a possibilidade de radicalização das ações, com a construção de uma greve de ocupação.

A greve, a primeira em cerca de uma década na UERJ, ocorre em meio a um cenário mais amplo de ataques aos serviços públicos no estado do Rio de Janeiro. Para setores organizados da universidade, o movimento pode representar não apenas a defesa de direitos imediatos, mas também um ponto de inflexão na luta contra a política de desmonte da educação pública.

Com forte adesão inicial e perspectiva de ampliação, a paralisação na UERJ recoloca no centro do debate a necessidade de organização coletiva e enfrentamento às políticas de austeridade que atingem trabalhadores e estudantes.