Alternativa Bancária do Distrito Federal se estabelece como força da oposição sindical depois de eleição
As chapas em disputa eram a chapa de situação, ligada à Contraf-CUT, e a chapa da Alternativa Bancária do DF (ABDF), encabeçada pelo bancário do BB e dirigente local do PCBR, Rhuan Maciel.

Foto: Jornal O Futuro.
Entre os dias 9 e 13 de março, ocorreram as eleições para a diretoria do Sindicato dos Bancários de Brasília (SEEB-DF). As chapas em disputa eram, por um lado, a chapa de situação, ligada à Contraf-CUT e encabeçada pelo dirigente da CUT-DF, Rodrigo Britto, e, por outro, a chapa da Alternativa Bancária do DF (ABDF), encabeçada pelo bancário do BB e dirigente local do PCBR, Rhuan Maciel.
A eleição só teve uma disputa real pela força e trabalho anterior da ABDF, um grupo que une diversos setores da categoria, de organizações políticas e movimentos distintos, para levar um programa combativo e de classe para os bancários do DF e do Brasil. O camarada Rhuan Maciel explica que “a ABDF não surgiu do nada, foi fruto do trabalho de dois anos desde a última campanha salarial, um trabalho que exigiu muito, especialmente do nosso Partido, em conseguir organizar a categoria nas lutas que tivemos e se apresentar como força real nessas eleições, construindo uma unidade com outras forças com base em um programa claro”.
A campanha eleitoral foi bastante disputada, contando com esforços não apenas dos bancários, mas de um corpo de dirigentes e militantes que foi enviado para auxiliar na disputa do sindicato. O SEEB-DF é um dos sindicatos mais importantes da categoria bancária, porque é em Brasília que ficam as sedes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. “O setor bancário é um setor estratégico no capitalismo brasileiro e tomar as trincheiras da luta econômica que são os sindicatos é fundamental para mudarmos a correlação de forças a favor dos trabalhadores, porque são escolas para a luta de classes”, afirma o Secretário Sindical do CC do PCBR, Diego Miranda, que esteve acompanhando a disputa em Brasília.
A eleição deu vitória à chapa de continuidade, da burocracia sindical cutista, com aproximadamente 66% de votos. Isso significa que aproximadamente um terço dos bancários do DF já compreenderam que não é possível confiar na conciliação de classes e que a categoria tem perdido direitos e condições de trabalho por causa da visão política do sindicalismo pelego.
Esse resultado é ainda mais significativo se comparamos com a última eleição, em 2022, em que não havia chapa de oposição. À época, a chapa cutista teve 5.545 votos em um pleito com aproximadamente 5990 votantes; nas eleições de 2026, com 7.958 votos (cerca de 2.000 a mais), a situação perdeu aproximadamente 400 votos e a ABDF foi quem realmente trouxe novos bancários para a luta, aumentando o número de votantes e demonstrando que o sindicato pode ter um rumo distinto, se apontar com clareza para a luta de classes.
A importância dessa eleição também está ligada às lutas da categoria bancária em nível nacional deste ano. A Campanha Nacional unificada de bancários é um grande patrimônio da categoria, mas é subordinada à burocracia da Contraf-CUT, que há anos amarga acordos tímidos pintados como “grandes vitórias” e desestimula as formas de luta dos trabalhadores.
Na Campanha Nacional de 2022, buscaram, junto à CONTEC, ligada à CTB, impedir que os trabalhadores usassem a greve como instrumento de pressão contra os bancos. Na Bahia, por exemplo, não foi possível segurar a força da categoria que, respondendo ao chamado do PCBR, conseguiu ter maioria para aprovar greve na época; também no Maranhão, no Rio Grande do Norte e em Bauru e região (SP), onde os sindicatos não são controlados pela CUT ou pela CTB, a luta foi mais intensa e contou com paralisações.
Este ano, a Campanha Nacional se reforça com a presença da ABDF como um dos polos de organização dessa luta. Mesmo com a derrota nas eleições do sindicato e a debandada de organizações vacilantes de dentro da ABDF, é por meio dela que vai se organizar o polo mais combativo da categoria em 2026 no DF. A ABDF, junto às oposições sindicais de diversos estados e aos sindicatos do Rio Grande do Norte, Maranhão e Bauru e região, já estão nos preparativos para uma reunião nacional de oposições bancárias para os próximos meses.