Energia mais cara pressiona famílias no Paraná após privatização da Copel

A alta nas tarifas tem provocado preocupação entre trabalhadoras e trabalhadores, que apontam um impacto direto sobre o custo de vida, especialmente em um contexto de inflação persistente em itens essenciais como alimentação, transporte e moradia.

24 de Abril de 2026 às 15h00

Transformação da Copel em corporação foi concluída na B3 em evento com participação de Ratinho Junior. Reprodução/Foto: Cauê Diniz/B3.

Por João Oliveira

O custo da energia elétrica deve pesar ainda mais no orçamento das famílias trabalhadoras do Paraná nos próximos meses. Segundo a proposta da Revisão Tarifária Periódica (RTP) de 2026, apresentada pela Companhia Paranaense de Energia (Copel), a conta de luz residencial terá um aumento médio de 20%, enquanto já está sendo projetado um novo reajuste de cerca de 14% para 2027. O cenário ocorre poucos anos após a privatização da Copel, concluída em 2023 pelo governo Ratinho Júnior (PSD).

A alta nas tarifas tem provocado preocupação entre trabalhadoras e trabalhadores, que apontam um impacto direto sobre o custo de vida, especialmente em um contexto de inflação persistente em itens essenciais como alimentação, transporte e moradia.

Privatização e mudanças na empresa

A venda do controle acionário da Copel foi conduzida pela gestão do governador Ratinho Júnior. À época, o governo estadual argumentou que a operação permitiria ampliar investimentos, aumentar a eficiência administrativa e fortalecer a capacidade financeira da empresa.

Desde então, porém, a lógica empresarial passou a priorizar a rentabilidade aos acionistas privados, o que acabou contribuindo para pressões tarifárias maiores sobre a população paranaense.

Dividendos bilionários e impacto social

Em 2025, a Copel aprovou a distribuição de R$ 1,35 bilhão em dividendos aos acionistas. Nesse cenário, a política de remuneração ao capital privado contrasta com o aumento contínuo das tarifas pagas pelo povo trabalhador do estado.

Após processos de privatizações, como o ocorrido no Paraná, empresas de energia frequentemente passam a operar sob metas mais rígidas de retorno financeiro, o que acaba influenciando decisões sobre preços, investimentos e gestão de custos.

Para famílias trabalhadoras do Paraná, o aumento de energia elétrica amplia o chamado “efeito cascata” no orçamento doméstico. A conta de luz mais cara repercute também nos preços do comércio, da indústria e dos serviços, já que a eletricidade é insumo básico em praticamente todas as cadeias produtivas.

O tema da privatização e seus efeitos econômicos permanece no centro do debate político estadual. Enquanto o governo Ratinho Jr. sustenta que a reestruturação da companhia buscava a “modernização” e a “competitividade”, o aumento tarifário e a distribuição bilionária de dividendos evidenciam um modelo voltado prioritariamente aos lucros dos acionistas.

Com novos reajustes já previstos para 2027, a discussão sobre o papel das empresas públicas no fornecimento de serviços essenciais tende a ganhar ainda mais relevância no Paraná nos próximos anos.

Defesa da reestatização dos setores estratégicos

Diante do avanço das privatizações e do aumento contínuo das tarifas de serviços essenciais, como é o caso da energia elétrica, organizações políticas, como o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), defendem uma mudança profunda na política econômica adotada no país e nos estados. Entre as propostas apresentadas está a anulação e reversão de privatizações, concessões e parcerias público-privadas que transferem recursos públicos para a exploração privada.

A posição defendida pelo PCBR sustenta a nacionalização e o controle 100% público dos recursos estratégicos para o desenvolvimento nacional e para a garantia de direitos sociais, incluindo produção e transmissão de energia elétrica, bancos e sistema financeiro, mineração, petróleo, malhas de transporte, portos, aeroportos, transporte urbano, saneamento e comunicação.

Serviços essenciais como esses não deveriam estar subordinados à lógica do lucro privado, mas organizados sob controle público e social, com planejamento estatal voltado à redução das tarifas, ampliação do acesso universal e garantia de soberania econômica.

Somente a retomada do controle público permitiria impedir aumentos sucessivos como os observados após a privatização da Copel e assegurar que setores estratégicos do Paraná e de todo o Brasil opere prioritariamente em benefício da população trabalhadora.