Cine Inconsciente reafirma Samambaia (DF) como território de produção cultural
Organizado de forma independente por agentes culturais da região, o evento ocupou o espaço público com exibição gratuita de curta-metragens e atividades culturais, afirmando o direito da população ao acesso e à produção audiovisual no próprio território.

Reprodução/Foto: Júlia Meireles (@jmeisant).
Samambaia foi palco, no dia 17 de janeiro, da 2ª edição do Cine Inconsciente. Organizado de forma independente por agentes culturais da região, o evento ocupou o espaço público com exibição gratuita de curta-metragens e atividades culturais, afirmando o direito da população ao acesso e à produção audiovisual no próprio território.
A programação ocorreu na sub-administração de Samambaia, na QN 431, e incluiu projeções, discotecagem, batalha de rimas e mesa de debates. Foram exibidos os curtas “Lobisomem da CEI”, “Ritoh”, “Delivery”, “Poemia” e “Rebele-se”, obras realizadas pela e para a periferia do DF, que dão visibilidade a áreas sistematicamente marginalizadas.

Reprodução/Foto: Victor Oigres (@oigres.fotos).
Com mais de 200 mil habitantes e nenhuma sala de cinema, Samambaia permanece à margem do circuito cultural audiovisual do Distrito Federal. O Cine Inconsciente foi idealizado por Anna Luísa, conhecida artisticamente como Malinha de Mão. Moradora da região, ela relata que, desde a infância, precisou se deslocar até áreas centrais de Brasília para ter acesso ao cinema.
“A gente é daqui e quer consumir as coisas aqui. Ter a liberdade de fazer o rolê e chegar em casa tranquilo, sem precisar pagar 100 reais de Uber ou passar perrengue no Plano [Piloto]”, afirma.
Artista audiovisual e estudante de Artes Visuais da Universidade de Brasília (UnB), Malinha desenvolveu o interesse pela fotografia ainda criança, ao herdar uma câmera utilizada por sua mãe para registrar manifestações. Ela ressalta que sua trajetória está diretamente ligada à cena cultural local: “Sem a cultura da Samambaia, sem as batalhas de rima, sem a galera que tá produzindo aqui hoje, a Malinha não seria a Malinha”.
A programação incluiu ainda uma batalha de rimas, vencida pelo rapper The Sam, cujas letras politizadas evidenciaram a potência artística e o caráter crítico da produção cultural de Samambaia.

Reprodução/Foto: Luciano Rocha.