EDITORIAL: O futuro dos trabalhadores é construído nas lutas

Na conjuntura imediata, o fortalecimento e a unificação das mobilizações pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada de trabalho aparecem como fundamentais.

1 de Junho de 2026 às 18h00

Reprodução/Foto: Romerito Pontes.

O mês do trabalhador foi rasgado por mobilizações contra os avanços dos interesses do capital sobre a classe trabalhadora. A luta pelo fim da escala 6x1 é atacada por duas frentes: de um lado, pelas absurdas propostas da direita e sua Emenda apresentada à PEC da redução da jornada, visando prorrogar em décadas o fim da escala 6x1 e criando mecanismos para boicotá-la; por outro lado, os chamados setores progressistas, ligados ao PT, mantém a luta a frio, escanteando a proposta de redução para 30h semanais e transformando uma conquista que foi resultado de anos de luta dos trabalhadores nas ruas em uma pauta própria, a servir como trampolim eleitoral.

Vimos o avanço de greves, sobretudo na educação, conduzida por estudantes, e trabalhadores da educação em geral, denunciando os projetos de precarização e privatização que avançam em todos os níveis de ensino. Em Belo Horizonte, a greve dos trabalhadores da educação prossegue, contra cortes de recursos e precarização; a resposta do prefeito, por enquanto, foi o silêncio. Essa foi a mesma resposta de Ricardo Nunes aos professores na capital paulista, onde uma greve de quase um mês foi desbaratada após um acordo rebaixado entre a prefeitura e o sindicato.

Um silêncio mesclado à repressão foi a resposta de Tarcísio de Freitas (Republicanos) aos estudantes das universidades estaduais de São Paulo, que compondo uma greve unificada que não se via há tempos, têm levado dezenas de milhares às ruas denunciando que as três das universidades mais ricas do país não têm dinheiro para dar às mínimas condições para seus estudantes, que comem larvas e habitam moradias mofadas enquanto produzem as patentes que enriquecem os cofres das universidades. 

Enquanto as manifestações dos estudantes têm sido recebidas com a ameaça da repressão policial, as históricas paradas LGBT no mês do orgulho estão sendo atacadas por PLs contrários à organização do movimento. Aqui, temos também um duplo ataque: a cooptação do movimento LGBTI+ por empresas e o apagamento do caráter de classe dessa luta. Do outro lado, os ataques diretos dos setores mais reacionários da burguesia, com tentativas de criminalização sobre o movimento e um discurso moral que tem, inclusive, afetado mesmo o interesse de setores liberais do capitalismo sobre a pauta.

No cenário internacional, conflitos aparentemente distantes impactam cada vez mais os trabalhadores. Prossegue incessante o genocídio israelense contra a Palestina, com ataques aos brasileiros presentes na Flotilha Global Sumud; mesmo com esse incidente, a ação do governo brasileiro tem tímidas, sem sinais de ruptura comerciais ou diplomáticas com o Estado de Israel. O preço pago pelos trabalhadores em produtos básicos para sobrevivência, como comida e combustível, são afetados pela continuidade do ataque imperialista dos Estados Unidos ao Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz. Na América Latina, são intensificadas ameaças de agressão militar contra Cuba e o discurso de guerra às drogas busca justificar a ingerência estadunidense, por variados meios, também em países como Bolívia e Brasil. Nestes dois últimos, é destacado o objetivo de controle dos EUA sobre recursos estratégicos em nosso continente, como o lítio e as terras raras. 

Do preço do combustível aos conflitos internacionais, das águas do Oriente Médio às ruas de Belo Horizonte, o que vemos é contradição entre os desejos de lucro da burguesia e as condições de vida dos trabalhadores, que sofrem dia após dia as consequências práticas do ataque aos seus direitos. Na conjuntura imediata, o fortalecimento e a unificação das mobilizações pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada de trabalho aparecem como fundamentais. A redução da jornada de trabalho é uma pauta histórica do movimento operário, que escancara as contradições entre as classes e unifica a mobilização dos trabalhadores no sentido da luta pelos seus direitos.