O então ressurgido Partido dos Panteras Negras muda de nome para Partido Leão Negro

Após críticas duras de Aaron Dixon e outros panteras originais, o grupo trocou o nome para Partido Leão Negro para Solidariedade Internacional.

10 de Fevereiro de 2026 às 15h00

Nova logo publicada por Paul Birdsong nas redes sociais. Reprodução: Instagram.

Por Filgueira

Através das redes sociais da ex-presidente do Partido dos Panteras Negras, Elaine Brown, uma carta escrita pelo ex-dirigente nacional Aaron Dixon diz que o Partido não voltou à ativa. Endereçada ao atual presidente do então “restituído” Partido dos Panteras Negras, Paul Birdsong, a carta diz que o grupo não possui legitimidade política para retomar o nome, e que a ação do grupo é meramente performática para construção da imagem política de Paul.

Birdsong, mantenha nossos nomes fora da sua boca e não use mais o nome do Partido dos Panteras Negras. Somos velhos, mas não estamos mortos”, disse Aaron em carta endereçada a Paul. “O nome Partido dos Panteras Negras é sagrado e nenhum grupo está autorizado a usar esse nome, sob qualquer forma”, declarou. Segundo Dixon, ele próprio foi contatado por Paul sobre a suposta restituição do partido e que alguns nomes do partido original foram mencionados como apoiadores, mas Dixon disse não se recordar deles.

Dixon acompanhou a atuação de Birdsong e de seu partido por dias. No começo, viu que realizavam patrulhas e prestavam trabalhos assistencialistas, e que parecia com o que “Open” e “Elephant Party” [grupos que queriam se chamar Panteras Negras, mas trocaram de nome após pedido de Dixon] faziam. Birdsong ainda estava cuidando de um dirigente, Stretch Peterson, que estava debilitado, mas essa aproximação superficial teria sido usada por Birdsong para tentar se legitimar.

Conforme Paul recebia holofotes nas redes sociais, Dixon observou que em seus discursos Paul trocava “nós” por “eu” e que tudo levava para a construção de sua imagem política e não para o trabalho partidário coletivo. “Os membros do Partido pagaram um preço altíssimo por avançar a luta pela Libertação Negra, com nossas vidas totalmente dedicadas a servir o povo 24 horas por dia [...] Paul Birdsong não aceitou esse princípio, pois seu ego estava fora do controle”.

Finalizando a carta, Dixon diz não ser o único; segundo ele, outros dirigentes também não reconhecem o ressurgimento do Partido: “quero deixar claro aqui e agora que nem eu, nem Billy ‘Che’ Brooks, de Chicago, nem Bullwhip, de Nova York, apoiamos Paul Birdsong ou seu grupo de qualquer maneira. Conversei com minha camarada Elaine Brown, ex-presidente do Partido, e ela concordou”. O suposto ressurgimento do Partido já levantava dúvidas entre ativistas e militantes comunistas pela ausência de um programa político - essencial para um partido como o Panteras Negras, que se afirmava marxista-leninista.

Após Dixon levantar o debate sobre a legitimidade política do grupo e ter criticado tanto o personalismo em volta de Paul Birdsong quanto às possíveis mentiras sobre “apadrinhamento” de panteras originais, o grupo declarou a mudança de nome, passando a se chamar Partido Leão Negro para Solidariedade Internacional. Em suas redes sociais, Paul publicou uma imagem de um homem com cabeça de leão, indicando ser a nova identidade visual do grupo.

No vídeo, Paul disse que Dixon “deixou de apoiar” e alegou ter as mensagens de solidariedade e apoio ativo, incluindo afirmação que membros originais retornariam ao Partido Panteras Negras e que Paul poderia utilizar do nome. Para Paul, há uma divergência ideológica evidente; segundo ele, muito provavelmente Dixon estaria apoiando a vertente do nacionalismo negro, enquanto para o Partido Leão Negro, esse movimento é racista e anti-internacionalista e, por se colocarem à favor dos imigrantes e em oposição ao nacionalismo negro, Dixon teria rompido a unidade.

No mesmo vídeo, Paul afirma que o grupo é “comunalista” - uma ideologia política que prega o autogoverno de comunidades federadas (como o municipalismo libertário de Murray Bookchin) - e que os trabalhos continuarão em patrulhas noturnas, escolta armada e trabalhos assistencialistas.