Amadeu Felipe: 5 anos sem um comunista que nunca mudou de lado

Militante comunista por várias décadas, Amadeu dedicou sua vida à organização da classe trabalhadora, à defesa do marxismo-leninismo e à construção do Partido Comunista como um instrumento de transformação social.

5 de Junho de 2026 às 15h00

Reprodução/Foto: Daniel Camargos/EM/D.A Press

Por João Oliveira

Neste dia 4 de junho de 2026 completam-se cinco anos da morte de Amadeu Felipe da Luz Ferreira, dirigente comunista cuja trajetória atravessou algumas das páginas mais intensas da história política brasileira do século XX e início do XXI. Militante comunista por várias décadas, Amadeu dedicou sua vida à organização da classe trabalhadora, à defesa do marxismo-leninismo e à construção do Partido Comunista como um instrumento de transformação social.

Nascido em 1935, no município de Blumenau (SC), sua história pessoal já carregava marcas profundas desde a infância. Com o falecimento de seu pai quando ainda era bebê, foi criado pelo padrasto, o militar e militante comunista Josil Palmero da Costa, cuja atuação contra núcleos nazi-fascistas no sul do país influenciou decisivamente sua formação política.

Apesar da origem familiar ligada à burguesia catarinense - era neto do ex-governador Hercílio Pedro da Luz -, Amadeu escolheria outro caminho: o lado dos trabalhadores, das greves, da organização popular e da militância revolucionária.

Formação política, militância, ditadura, prisão e resistência armada

Entre 1952 e 1954, Amadeu viveu no Rio de Janeiro (RJ), que, para além da capital do Brasil, era o então centro político e cultural do país. Ali ingressou na militância do então Partido Comunista do Brasil (PCB), convivendo com importantes intelectuais e dirigentes comunistas, como Oscar Niemeyer, Nelson Werneck Sodré, João Saldanha e o histórico líder comunista e à época Secretário-Geral do PCB, Luiz Carlos Prestes.

Em agosto de 1954, Amadeu se mudou para Criciúma (SC), cidade onde consolidaria sua identidade política. Especialista em agitação e propaganda, percorreu bairros operários organizando os trabalhadores das minas de carvão e fortalecendo sindicatos combativos. Em uma das mobilizações mais marcantes, reuniu milhares de trabalhadores em praça pública, desafiando o poder dos chamados “coronéis do carvão”.

Passados dez anos, o golpe empresarial-militar de 1964 inaugurou o período mais duro da vida de Amadeu. Preso pela primeira vez por se opor ao regime, o militante comunista aprofundou sua atuação na resistência.

Em 1966 participou da organização da Guerrilha do Caparaó, considerada o primeiro movimento armado de enfrentamento à ditadura na região da divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo.

Anos depois, durante a inauguração da BR-101 pelo ditador Emílio Garrastazu Médici, foi novamente preso na chamada Operação Barriga Verde, uma ação repressiva que perseguiu os comunistas catarinenses. Transferido para São Paulo, sofreu torturas físicas e psicológicas nos porões do regime militar, permanecendo encarcerado até 1971.

Reconstrução comunista no Paraná e suas últimas tarefas

Após a libertação, Amadeu mudou-se para Londrina, onde continuou sua militância política. Participou ativamente do Comitê Suprapartidário pelas Diretas Já, representando o Partido Comunista Brasileiro (PCB) na luta pela redemocratização do país.

Nos anos 1990, teve um papel decisivo na manutenção do Partido Comunista no Paraná após a cisão que levou setores liquidacionistas à fundação do Partido Popular Socialista, posteriormente transformado em Cidadania.

Mesmo já debilitado fisicamente, Amadeu não abandonou a luta política. Com mais de cinquenta anos de militância organizada no PCB, aceitou tarefas consideradas estratégicas para reorganizar o partido no estado: foi candidato à prefeitura de Londrina (PR) em 2008 e ao Governo do Paraná em 2010.

Como Secretário Político do PCB no Paraná, contribuiu para recolocar o partido no cenário político paranaense e para a Reconstrução Revolucionária do Partido Comunista. Até o fim da vida, manteve firme sua convicção marxista-leninista e a confiança na capacidade histórica da classe trabalhadora brasileira.

Um legado político vivo

Amadeu Felipe da Luz Ferreira faleceu em 4 de junho de 2021, deixando sua companheira, filhos, netos, amigos e gerações de militantes formados sob sua influência política.

Sua trajetória sintetiza uma geração que enfrentou perseguições, cárceres e torturar sem abandonar suas convicções.

Cinco anos após sua morte, sua história segue sendo lembrada não apenas como uma memória individual, mas como parte da tradição de resistência comunista no Brasil e no Paraná. Uma vida inteira dedicada à causa revolucionária, marcada pela coerência política e pela fidelidade à classe trabalhadora.

O nome que segue organizando a luta: a Célula Amadeu Felipe

O legado político de Amadeu Felipe permanece vivo não apenas na memória daquelas e daqueles que conviveram com ele, mas também na continuidade concreta da organização revolucionária. Em homenagem à sua trajetória na militância comunista, uma célula do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) em Londrina (PR) passou a levar seu nome, reafirmando o compromisso das novas gerações com a tradição de luta que marcou sua vida.

A decisão expressa mais do que uma homenagem simbólica. No movimento comunista, dar o nome de um militante histórico a uma célula significa reconhecer um exemplo político a ser seguido cotidianamente: disciplina militante, ligação orgânica com a classe trabalhadora e fidelidade estratégica ao marxismo-leninismo. Assim, a Célula Amadeu Felipe, localizada na cidade que o acolheu por tantos anos, surge como uma continuidade prática de sua obra política, ou seja, organizar, formar quadros e fortalecer o Partido como um instrumento revolucionário.

Para os militantes que integram a célula, a homenagem representa também uma tarefa histórica em manter viva a convicção que orientou toda a trajetória de Amadeu: a certeza de que a Revolução Brasileira não será fruto do espontaneísmo, mas da organização consciente e permanente da classe trabalhadora. Dessa forma, seu nome deixa de pertencer apenas ao passado e passa a atuar como força política no presente, inspirando novos comunistas na construção do futuro.