Ratinho Jr. propõe reajuste de apenas 5% diante de perdas salariais superiores a 50%
Para as trabalhadoras e os trabalhadores do Paraná, entretanto, a política salarial adotada revela uma escolha política: manter o arrocho sobre quem sustenta diariamente os serviços públicos ofertados ao povo trabalhador paranaense.

Reprodução/Foto: Isaac Fontana/EFE.
Por João Oliveira
O governo de Ratinho Jr. (PSD) anunciou a concessão de apenas 5% de reajuste salarial às trabalhadoras e aos trabalhadores do serviço público estadual do Paraná, medida que provocou forte reação entre trabalhadores do funcionalismo e entidades sindicais. O índice oferecido está muito distante da realidade enfrentada pela categoria, cuja defasagem salarial acumulada já ultrapassa 50%, segundo levantamentos de sindicatos e estudos técnicos apresentados pelas representações dos servidores.
A proposta do governo ocorre em um cenário de crescimento da arrecadação estadual e sucessivos anúncios oficiais sobre “equilíbrio fiscal” e “capacidade de investimento do Estado”. Para as trabalhadoras e os trabalhadores do Paraná, entretanto, a política salarial adotada revela uma escolha política: manter o arrocho sobre quem sustenta diariamente os serviços públicos ofertados ao povo trabalhador paranaense.
Defasagem histórica e perda do poder de compra
Desde meados da última década, mais precisamente no ano de 2016, servidoras e servidores estaduais convivem com o congelamento de salários, reajustes abaixo da inflação e ausência de reposição integral das perdas acumuladas. O resultado é a corrosão contínua do poder de compra, agravada pela alta dos preços de alimentos, energia, transporte e moradia.
Na prática, o reajuste de 5% anunciado pelo governo não recompõe sequer a inflação recente, funcionando como uma redução salarial indireta. Trabalhadoras e trabalhadores do setor público estadual apontam que, enquanto os salários permanecem congelados, cresce a sobrecarga de trabalho e a precarização das condições de atendimento à população paranaense.
Profissionais da educação, segurança pública, saúde e assistência social relatam aumento da demanda por serviços sem correspondente valorização profissional, situação que impacta diretamente a qualidade do atendimento oferecido ao povo trabalhador do Paraná.
Prioridades do governo são questionadas
Entidades representativas afirmam que o argumento de responsabilidade fiscal não se sustenta diante das políticas de incentivos fiscais concedidos a grandes empresas e da manutenção de benefícios tributários bilionários ao setor empresarial.
Para lideranças sindicais, o Estado demonstra capacidade financeira quando se trata de concessões e parcerias com o setor privado, mas adota uma postura restritiva quando o tema é a valorização das servidoras e dos servidores públicos.
A política de arrocho salarial também possui efeitos econômicos negativos: salários comprimidos reduzem o consumo local, enfraquecem economias regionais e aprofundam desigualdades sociais.
Mobilização cresce entre servidoras e servidores
A proposta de reajuste insuficiente já impulsiona assembleias, paralisações e discussões sobre mobilizações estaduais. As categorias do serviço público estadual avaliam que a reposição salarial não é apenas uma pauta corporativa, mas uma defesa dos próprios serviços públicos ofertados à população paranaense.
Servidoras e servidores do Paraná argumentam que a valorização profissional é condição indispensável para garantir educação pública de qualidade, atendimento digno na saúde, políticas sociais eficazes e segurança pública estruturada.
Disputa política sobre o papel do Estado
O debate em torno do reajuste revela uma disputa mais ampla sobre o modelo de gestão pública adotado no Paraná. De um lado, o governo estadual sustenta uma política de contenção salarial sob o discurso de equilíbrio fiscal; de outro, trabalhadoras e trabalhadores denunciam a transferência do ajuste econômico para o funcionalismo e para a população que depende dos serviços públicos.
Diante de perdas acumuladas superiores a 50%, o reajuste de 5% é visto pelas servidoras e pelos servidores paranaenses como símbolo de um projeto que prioriza indicadores fiscais e interesses do grande empresariado em detrimento da valorização do trabalho público.
A tendência é de intensificação da mobilização nas próximas semanas, colocando o tema do salário das trabalhadoras e dos trabalhadores paranaenses no centro do debate político estadual.