Aumento da passagem em Londrina expõe crise do transporte coletivo e reforça defesa do Passe Livre

Sob a gestão do prefeito Tiago Amaral (PSD), Londrina passa a ter uma das passagens de ônibus mais caras do país, ultrapassando Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e diversas outras cidades.

17 de Janeiro de 2026 às 15h00

Reprodução/Foto: Gustavo Parra/RPC.

Por João Oliveira

O novo aumento da tarifa do transporte coletivo em Londrina (PR), subindo para R$6,25, reacende um problema estrutural que o povo trabalhador conhece há décadas: um sistema caro, precário e organizado para garantir lucro às empresas, não o direito à mobilidade. Sob a gestão do prefeito Tiago Amaral (PSD), Londrina passa a ter uma das passagens de ônibus mais caras do país, ultrapassando Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e diversas outras cidades.

Mais uma vez, quem paga a conta são os trabalhadores, estudantes, desempregados, pessoas idosas, entre outros segmentos que dependem diariamente dos ônibus para viver, estudar e trabalhar.

O reajuste da passagem não ocorre no vazio. Ele é resultado direto de um modelo de transporte privatizado, baseado em contratos que socializam prejuízos e privatizam lucros. Sempre que os custos aumentam, o argumento é o mesmo: repassar o valor ao usuário. Já quando há queda de demanda, como ocorreu durante a pandemia, as empresas recorrem ao poder público em busca de subsídios e compensações financeiras.

Transporte não é mercadoria

O transporte público é um direito social e um serviço essencial. Tratá-lo como mercadoria significa submeter a mobilidade urbana à lógica do mercado, onde o acesso depende da capacidade de pagamento. Em um município marcado por desigualdades territoriais e sociais como Londrina, isso aprofunda a exclusão: quem mora longe do centro paga mais, perde mais tempo e tem menos acesso à cidade.

O aumento da tarifa funciona, na prática, como um imposto regressivo. Ele pesa proporcionalmente mais no bolso de quem ganha menos. Para milhares de famílias londrinenses, esse reajuste significa escolher entre o transporte e outras necessidades básicas, como alimentação e contas domésticas.

Estatização como saída estrutural

Diante desse cenário, a estatização do transporte público de Londrina se apresenta como uma alternativa concreta e necessária. Retirar o sistema das mãos de empresas privadas e colocá-lo sob controle público permite reorganizar o transporte a partir das necessidades da população londrinense, e não da rentabilidade empresarial.

Com a estatização, é possível garantir transparência nos custos, planejamento de longo prazo, integração real entre linhas e modais, melhoria da frota e das condições de trabalho dos rodoviários. Além disso, elimina-se o repasse permanente de recursos públicos para garantir o lucro privado.

Experiências nacionais e internacionais demonstram que sistemas públicos de transporte são mais eficientes socialmente, sobretudo quando articulados a políticas urbanas, ambientais e de redução das desigualdades.

Passe Livre: mobilidade como direito universal

A defesa da estatização deve caminhar junto com a luta pelo Passe Livre, ou seja, a gratuidade total do transporte público. O argumento de que a gratuidade é “inviável” ignora uma questão central: o transporte já é amplamente financiado com dinheiro público, seja por meio de subsídios diretos, isenções fiscais ou investimentos em infraestrutura.

Segundo o Observatório de Gestão Pública de Londrina (OGPL), o subsídio municipal destinado pela Prefeitura de Londrina ao transporte coletivo alcançou quase R$180 milhões em 2025, quase o dobro do valor pago em 2024.

O Passe Livre representa uma mudança de paradigma. Ao garantir acesso universal à cidade, ele fortalece o direito à educação, à cultura e ao lazer. Reduz a evasão nas escolas e universidades, amplia oportunidades de emprego e contribui para a diminuição do uso de veículos individuais, com impactos positivos no trânsito e no meio ambiente.

Organizar a luta

O aumento da passagem em Londrina não é um fato isolado, mas parte de um modelo falido. Enfrentá-lo exige organização popular, pressão social e um projeto político que coloque a vida acima do lucro. A estatização do transporte e a implementação do Passe Livre em Londrina não são utopias, são respostas concretas a um problema concreto.

Cabe aos trabalhadores, estudantes, movimentos populares e partidos transformar a indignação em luta. O transporte público deve ser, como diz o próprio nome, público, gratuito e de qualidade.