Em 2025, Prefeitura de Maringá gastou R$1,8 milhão com diárias de viagens

Além do valor somado aos gastos da Câmara Municipal, Silvio Barros (PP) inicia o ano com mais uma viagem aprovada.

16 de Fevereiro de 2026 às 21h00

Resultado da votação na Câmara. Reprodução/Foto: CMM.

Por Edson Cizeski

No ano passado, Silvio Barros (PP) prefeito de Maringá bateu recorde de gasto com diárias de viagens na história do município. Se somado aos gastos da Câmara Municipal, a cidade custeou mais de R$1,8 milhão em viagens. Em 2026, sua agenda internacional continua atarefada, tendo solicitado afastamento entre 19 e 28 de fevereiro para viajar à Colômbia, com diárias de US$300.

Os principais gastos são com viagens ao exterior que, segundo nota oficial da prefeitura para o jornal Maringá Post, “são fundamentais para a interlocução com outras esferas de governo e para a obtenção de recursos e investimentos”. Com diárias nos valores de R$3.409,90 o prefeito viajou ao Japão para participar das comemorações dos 130 anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Japão. Outra viagem notória foi a Portugal, no total de R$27,2 mil em diárias, fechando acordo para a realização do Festival Medieval de Leiria na cidade e participando de workshop sobre mobilidade urbana em Londres.

Aprovada na Câmara Municipal por 13 votos a 5, com voto favorável do único parlamentar do Partido dos Trabalhadores, Mário Verri, a viagem de Barros e mais dois servidores municipais para Colômbia tem como foco a participação no evento “Missão Colômbia 2025”, que irá discutir sobre urbanismo social, mobilidade urbana e resistência climática. Outro enfoque é a visita técnica ao Ecoparque Ciénaga de Mallorquín, reconhecido pela sua política de recuperação de manguezais.

Enquanto a gestão gasta milhões de reais para participar de eventos alinhados aos interesses econômicos das elites locais e internacionais, a população maringaense sofre com o aumento de 30% no valor do IPTU, demissão em massa de 50 servidores do SAMU, terceirização da nova UPA e a venda do principal parque da cidade, o Parque do Ingá.

Registro da seca do lago no parque, em 2021. Reprodução/Foto: O Maringá.

Um dos principais pontos de turismo da cidade, o Parque do Ingá enfrenta a anos um processo de seca do seu lago, impactando a fauna e flora preservada no espaço. Os principais motivos da seca são a diminuição de chuvas na região, com diversas nascentes secas, excesso de calçamento e a falta de reposição do manancial subterrâneo impactado pelos diversos prédios de luxo que consomem a água por meio dos mais de 200 poços artesianos (sem contar os cerca de 2 mil poços artesianos clandestinos) no entorno do parque. 

No quesito mobilidade urbana, os estudantes e trabalhadores da cidade enfrentam a anos um serviço público de má qualidade, com pontos de ônibus precários e insuficientes, alto valor de passagem (atualmente em R$5,20) e lotação em horários de pico.

Os trabalhadores do Transporte Coletivo Cidade Canção (TCCC) e Cidade Verde também enfrentam dificuldades, como as escalas de trabalho extenuantes, baixos salários e alto índice de adoecimento em função das condições de trabalho. Em greve de julho de 2025, a categoria conquistou a implantação de um plano de saúde e novo intervalo intrajornada (de 3 horas).

Com um subsídio de R$54 milhões previstos para este ano, apenas R$12,7 mil desse montante está previsto para ser gasto com a instalação de novos pontos de ônibus, enquanto R$40 milhões são destinados à “tarifa técnica” - responsável pelo aporte de R$2,70 por passagem do preço total estimado de R$7,90.

Outro ponto de atenção relacionado à mobilidade urbana, é o interesse do prefeito na retomada de projeto da transposição da Universidade Estadual de Maringá (UEM), expresso pela primeira vez em janeiro de 2025 durante a 1ª Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem).

O projeto trata-se da continuação da Avenida Herval, que para acontecer precisará demolir uma faixa de casas da Vila Esperança, assim como cortará o campus universitário ao meio. As principais preocupações levantadas pela Seção Sindical dos Docentes da UEM (SESDUEM)  são: (1) interferência em áreas acadêmicas, (2) a inviabilidade da continuidade dos trabalhos na estação climatológica, e (3) o impacto da especulação imobiliária.

Conhecendo o globo com recursos públicos municipais, Silvio Barros exprime seu real interesse de agradar os interesses capitalistas, atraindo “investimentos” e alimentando a especulação imobiliária, transformando Maringá cada vez mais em uma cidade elitista e excludente a quem de fato constrói e vive nela. Apenas um movimento classista combativo organizado, com ampla participação popular, pode barrar essas medidas e frear o interesse do capital - criando verdadeiramente uma melhor cidade para se viver.