Em 2025, Prefeitura de Maringá gastou R$1,8 milhão com diárias de viagens
Além do valor somado aos gastos da Câmara Municipal, Silvio Barros (PP) inicia o ano com mais uma viagem aprovada.

Resultado da votação na Câmara. Reprodução/Foto: CMM.
Por pão
No ano passado, Silvio Barros (PP) prefeito de Maringá bateu recorde de gasto com diárias de viagens na história do município. Se somado aos gastos da Câmara Municipal, a cidade custeou mais de R$1,8 milhão em viagens. Em 2026, sua agenda internacional continua atarefada, tendo solicitado afastamento entre 19 e 28 de fevereiro para viajar à Colômbia, com diárias de US$300.
Os principais gastos são com viagens ao exterior que, segundo nota oficial da prefeitura para o jornal Maringá Post, “são fundamentais para a interlocução com outras esferas de governo e para a obtenção de recursos e investimentos”. Com diárias nos valores de R$3.409,90 o prefeito viajou ao Japão para participar das comemorações dos 130 anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Japão. Outra viagem notória foi a Portugal, no total de R$27,2 mil em diárias, fechando acordo para a realização do Festival Medieval de Leiria na cidade e participando de workshop sobre mobilidade urbana em Londres.
Aprovada na Câmara Municipal por 13 votos a 5, com voto favorável do único parlamentar do Partido dos Trabalhadores, Mário Verri, a viagem de Barros e mais dois servidores municipais para Colômbia tem como foco a participação no evento “Missão Colômbia 2025”, que irá discutir sobre urbanismo social, mobilidade urbana e resistência climática. Outro enfoque é a visita técnica ao Ecoparque Ciénaga de Mallorquín, reconhecido pela sua política de recuperação de manguezais.
Enquanto a gestão gasta milhões de reais para participar de eventos alinhados aos interesses econômicos das elites locais e internacionais, a população maringaense sofre com o aumento de 30% no valor do IPTU, demissão em massa de 50 servidores do SAMU, terceirização da nova UPA e a venda do principal parque da cidade, o Parque do Ingá.

Registro da seca do lago no parque, em 2021. Reprodução/Foto: O Maringá.
Um dos principais pontos de turismo da cidade, o Parque do Ingá enfrenta a anos um processo de seca do seu lago, impactando a fauna e flora preservada no espaço. Os principais motivos da seca são a diminuição de chuvas na região, com diversas nascentes secas, excesso de calçamento e a falta de reposição do manancial subterrâneo impactado pelos diversos prédios de luxo que consomem a água por meio dos mais de 200 poços artesianos (sem contar os cerca de 2 mil poços artesianos clandestinos) no entorno do parque.
No quesito mobilidade urbana, os estudantes e trabalhadores da cidade enfrentam a anos um serviço público de má qualidade, com pontos de ônibus precários e insuficientes, alto valor de passagem (atualmente em R$5,20) e lotação em horários de pico.
Os trabalhadores do Transporte Coletivo Cidade Canção (TCCC) e Cidade Verde também enfrentam dificuldades, como as escalas de trabalho extenuantes, baixos salários e alto índice de adoecimento em função das condições de trabalho. Em greve de julho de 2025, a categoria conquistou a implantação de um plano de saúde e novo intervalo intrajornada (de 3 horas).
Com um subsídio de R$54 milhões previstos para este ano, apenas R$12,7 mil desse montante está previsto para ser gasto com a instalação de novos pontos de ônibus, enquanto R$40 milhões são destinados à “tarifa técnica” - responsável pelo aporte de R$2,70 por passagem do preço total estimado de R$7,90.
Outro ponto de atenção relacionado à mobilidade urbana, é o interesse do prefeito na retomada de projeto da transposição da Universidade Estadual de Maringá (UEM), expresso pela primeira vez em janeiro de 2025 durante a 1ª Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem).
O projeto trata-se da continuação da Avenida Herval, que para acontecer precisará demolir uma faixa de casas da Vila Esperança, assim como cortará o campus universitário ao meio. As principais preocupações levantadas pela Seção Sindical dos Docentes da UEM (SESDUEM) são: (1) interferência em áreas acadêmicas, (2) a inviabilidade da continuidade dos trabalhos na estação climatológica, e (3) o impacto da especulação imobiliária.
Conhecendo o globo com recursos públicos municipais, Silvio Barros exprime seu real interesse de agradar os interesses capitalistas, atraindo “investimentos” e alimentando a especulação imobiliária, transformando Maringá cada vez mais em uma cidade elitista e excludente a quem de fato constrói e vive nela. Apenas um movimento classista combativo organizado, com ampla participação popular, pode barrar essas medidas e frear o interesse do capital - criando verdadeiramente uma melhor cidade para se viver.