Assassinato de Hind Rajab completa dois anos

Com filme indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional, a história da menina palestina de 6 anos chega aos cinemas brasileiros no aniversário de seu martírio.

31 de Janeiro de 2026 às 15h00

Hind Rajab. Reprodução/Foto: Brasil de Fato.

Por Filgueira

Em 29 de janeiro de 2024, Hind Rajab, uma criança palestina de 6 anos, foi morta pelas Forças Armadas de Israel durante uma ação em Tel al-Hawa, na Faixa de Gaza. Hind e sua família estavam fugindo de Gaza quando seu veículo foi bombardeado, matando seu tio, sua tia e três primos na hora.

Hind e uma prima sobreviveram e entraram em contato com a Sociedade do Crescente Vermelho Palestino (PRCS, na sigla em inglês), organização humanitária que representa a Cruz Vermelha na Palestina, para pedir socorro. Enquanto conversavam por três horas na tentativa de acalmar as meninas, os paramédicos e equipes de resgate da PRCS tentavam resgatá-las. Doze dias depois, com a retirada das tropas israelenses, em 10 de fevereiro, Hind e os paramédicos foram encontrados mortos após novos bombardeios.

Israel afirmou não ser responsável pelos ataques, mas uma matéria do The Washington Post, com apoio de imagens de satélite, concluiu que tanques e tropas israelenses estavam presentes e dispararam 335 tiros contra o carro em que Hind e sua família estavam. Na reportagem, concluiu-se que os operadores do tanque tinham capacidade visual para ver que o carro transportava civis, incluindo crianças. Um estudo da Forensic Architecture afirmou que foi um tanque israelense que atacou a ambulância da Cruz Vermelha que veio buscar Hind e sua prima.

A mídia brasileira mal anunciou o ocorrido, já em Israel e EUA, optaram por "adultizar" Hind e fomentar uma campanha de fake news sobre a família da criança. Em resposta, atos foram organizados nos EUA, e o Hamilton Hall da Universidade de Columbia foi ocupado e renomeado para “Hind’s Hall”, em homenagem a Hind. Como parte da perseguição de Trump a ativistas, a universidade expulsou os estudantes que realizaram a ocupação em protesto contra a morte de Hind.

Em 2025, a diretora Kaouther Ben Hania, numa parceria entre Tunísia e França, estreou o filme A Voz de Hind Rajab, retratando a morte da criança palestina pelas Forças de Defesa de Israel. O filme utiliza diálogos das gravações originais, nas quais se pode ouvir Hind falando: “Por favor, venham até mim, por favor, venham. Estou com medo", enquanto tiros são disparados ao fundo.

Cartaz do filme A Voz de Hind Rajab. Reprodução: Topazio Cinemas.

O filme teve sua estreia no Festival de Veneza de 2025, onde foi indicado ao Leão de Ouro e ovacionado por 23 minutos e 50 segundos, tornando-se o filme mais longamente aplaudido na história dos festivais de cinema. Além disso, foi a indicação da Tunísia ao prêmio de Melhor Filme Internacional do Oscar 2026, onde concorre ao lado de O Agente Secreto, do Brasil, que retrata a realidade da ditadura empresarial-militar em Pernambuco no final da década de 1970. No Brasil, a trama franco-tunisiana chegou aos cinemas no dia 29 de janeiro, em algumas poucas salas.

A diretora de A Voz de Hind Rajab e sua equipe vêm sofrendo ameaças de sionistas e afirmam que o mercado hollywoodiano impõe dificuldades na distribuição do filme nos EUA. Segundo matéria da Deadline, traduzida pela Veja, um dos principais representantes do mercado americano disse, sob condição de anonimato, que muitos compradores desistiram do filme “por medo e/ou por discordarem da posição política” da trama. Outro distribuidor destacou que, independentemente da posição de cada um, o filme seria “foco de controvérsia” e “ofuscaria qualquer outro lançamento da distribuidora na temporada”, o que acabou afastando as empresas. Por fim, o longa foi distribuído pela produtora Willa, que se concentra na divulgação de tramas de relevância social e cultural.