Após expulsão truculenta de ocupação estudantil na USP, movimentos organizam grande marcha unificada
Em um cenário de intensificação da austeridade em todo país, movimentos e partidos como o PCBR, PCR, MES (PSOL) e PSTU estão construindo e convocando uma marcha estadual das lutas unificadas no dia 20 de maio rumo ao Palácio dos Bandeirantes.

Estudantes, funcionários e professores da USP, Unesp e Unicamp em ato unificado no dia 11 de maio em São Paulo. Foto: Jornal O Futuro.
Na madrugada do domingo do dia das mães, dia 10/05, por volta das 4h da manhã, a Polícia Militar de Tarcísio de Freitas invadiu de forma ilegal a ocupação dos estudantes na Reitoria da Universidade de São Paulo. A ocupação estava sendo construída desde o dia 07/05 e tinha como reivindicação a reabertura da mesa de negociação entre a Reitoria da USP e os estudantes em greve.
A ação policial
Na ação violenta e sem mandado de reintegração de posse, a Polícia Militar lançou bombas de efeito moral, bateu nos estudantes e criou um corredor polonês na saída do prédio da Reitoria com o objetivo de agredir os estudantes que já estavam se retirando do local de forma pacífica. Diversos alunos foram feridos, perderam seus pertences e quatro foram presos. Por volta das 7h30 da manhã, após ações de advogados e da vigília do movimento grevista na porta do 7º Distrito Policial, os quatro estudantes foram soltos.
Em um post divulgado pelo DCE Livre da USP, vemos que o movimento grevista havia planejado um calendário de atividades específicas para o dia das mães na ocupação, buscando a politização e também a participação mais ampla o possível no local.
Em nota à comunidade da USP, a Reitoria alegou não ter sido informada da ação policial, dando a entender que esta partiu de uma decisão do governador do estado Tarcísio de Freitas. Entretanto, o Reitor Aluísio Segurado ainda se nega a dialogar com os estudantes sobre suas reivindicações por melhores condições de permanência estudantil.
Diversos institutos e faculdades da USP se manifestaram em repúdio à ação policial, embora anteriormente tenham se manifestado contra a ocupação da Reitoria pelos estudantes, dando apoio político ao fechamento do diálogo por parte da Reitoria de Aluísio.
A repressão da Polícia Militar sob o comando do Governador ocorre em um cenário de avanço do projeto de austeridade fiscal e privatização a nível federal, estadual e municipal. Os metroviários recuaram de seu indicativo de greve colado na última semana, mas irão também compor a marcha; a categoria se encontra sob constante ameaça da privatização das linhas ferroviárias da capital paulista. Nas universidades estaduais, os estudantes seguem mobilizados, mediante as negativas de negociação do governador. Na prefeitura, os trabalhadores da educação seguem parados, lutando para barrar o processo de precarização e privatização que já arrasou a educação estadual, projeto financiado com dinheiro federal através do BNDES. Nas três esferas, o avanço dos interesses privados sobre os serviços públicos significa precarização e falta de recursos para financiar os interesses dos estudantes e trabalhadores.
As negociações no CRUESP
A ação truculenta da PM e a negação de diálogo por parte da Reitoria da USP fortaleceu a adesão dos estudantes ao ato marcado para o dia 11/05 em frente à Reitoria da Unesp, na Praça da República, durante uma reunião entre o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (CRUESP) e o Fórum das Seis (entidade de representação dos trabalhadores e estudantes das estaduais) que estava marcada para às 14h do mesmo dia. O objetivo do ato unificado entre as três estaduais paulistas, USP, Unesp e Unicamp era pressionar para que a reunião tratasse da Pauta Unificada de Reivindicações de 2026. Da parte dos estudantes, a ênfase foi às questões de permanência, com foco na pauta dos auxílios, reivindicando o fim das contrapartidas de trabalho, rendimento e presença, o aumento na quantidade e aumento das bolsas para o valor de um salário-mínimo paulista, a partir da unificação dos auxílios para as três universidades.
Entretanto, na manhã do dia 11/05, pouco antes da reunião, os estudantes receberam um comunicado da Presidente do Cruesp, Maysa Furlan, informando o cancelamento da reunião por conta da manifestação agendada. Embora a justificativa para o cancelamento da reunião seja a preservação da integridade de todos os participantes, vale mencionar que a manifestação foi marcada com o objetivo de demonstrar a necessidade da pauta a respeito dos auxílios permanência, pauta escanteada pelas reitorias e postergada na última mesa de negociação entre o CRUESP e o Fórum das Seis sob a justificativa de “não haver acúmulo” por parte das reitorias para tratar o tema.
Diante do cancelamento da reunião e de tentativas da Polícia Militar de dispersar o ato com bombas de gás lacrimogêneo, o movimento estudantil manteve o ato em marcha da Praça da República até a Faculdade de Medicina da USP, somando cerca de 1.000 estudantes vindos das mais diversas regiões do estado de São Paulo, professores e funcionários da USP, Unesp e Unicamp. Houve um ato no último dia 13, na Paulista, unificado com a greve dos funcionários da prefeitura, e o chamado para uma grande marcha no dia 20.

Ato unificado das estaduais paulistas no dia 11 de maio em São Paulo, após o cancelamento da reunião do CRUESP com o Fórum das Seis. Foto: Jornal O Futuro.
A convocação da Marcha Estadual
Em um cenário de intensificação da austeridade em todo país, movimentos e partidos como o PCBR, PCR, MES (PSOL) e PSTU estão construindo e convocando uma marcha estadual das lutas unificadas no dia 20 de maio rumo ao Palácio dos Bandeirantes.
Os ataques conjuntos a uma série de categorias - metroviários, professores, estudantes e além - abrem a possibilidade unificação das lutas. Essa é a resposta que deve ser construída pela classe trabalhadora diante da disposição do governo de sustentar o seu projeto em defesa da burguesia com violência e repressão. Somente a mobilização e pressão das ruas pode forçar os governos a negociar um mínimo para a melhora das condições dos trabalhadores, e construir, aos poucos, uma luta pela revogação de todas as privatizações e contra a precarização dos serviços públicos.
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