Conselho de Paz de Trump anuncia nomes sionistas e criminosos de guerra para atuação em Gaza
Desde sua criação, a ONU vem sendo o respaldo jurídico internacional para o avanço do imperialismo mundial, mas, com a crise da hegemonia estadunidense, Trump cria um ‘conselho paralelo’, cuja ação piloto é a “reconstrução” da ‘Nova Gaza’.

Lançamento do Conselho de Paz de Trump, em Davos. Reprodução/Foto: Mandel Ngan/AFP.
Por Filgueira
Criticando a Organização das Nações Unidas pela ineficiência em resolver conflitos que ele próprio teria encerrado sem sequer ter “cogitado recorrer a elas”, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que seu Conselho de Paz pode vir a substituir a ONU. Em resposta, o responsável humanitário da ONU, Tom Fletcher, disse que o conselho de Trump não substituirá a organização.
Criado como parte do acordo estadunidense para supostamente encerrar a guerra de Israel contra a Palestina, o líder norte-americano, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, afirmou que mais de 20 países já aceitaram o convite para fazer parte do grupo.
Entre os convidados de Trump, incluem-se o presidente da França, Emmanuel Macron, que recusou o convite e questionou o escopo do conselho, e segue sob uma pressão tarifária de Trump com uma taxação de 200% em champanhes e vinhos franceses para que o país ingresse ao conselho; Putin, que não deu retorno, mas está “consultando parceiros estratégicos de Moscou” antes de se comprometer; e o Brasil, que, segundo o próprio Trump, pode ter “um grande papel” — apesar de confirmar o convite, Lula ainda irá avaliar as condições geopolíticas envolvendo o real papel da entidade.
Segundo lista do jornal Estadão, os países que aceitaram participar são: Albânia, Argentina, Arábia Saudita, Armênia, Azerbaijão, Bahrein, Bulgária, Catar, Cazaquistão, Egito, Emirados Árabes Unidos, Hungria, Indonésia, Israel, Jordânia, Kosovo, Marrocos, Mongólia, Paquistão, Turquia, Uzbequistão, Vietnã, Bielorrússia e Paraguai. Entre os países que negaram o convite encontram-se: Reino Unido, Noruega, Suécia, Eslovênia, França, Espanha e Alemanha. Há ainda os que estão analisando: Brasil, China, Chipre, Croácia, Grécia, Índia, Itália, Rússia, Singapura, Tailândia e Ucrânia. Em matéria da Reuters traduzida pela CNN, uma minuta da carta-convite exigia uma contribuição de US$1 bilhão (aproximadamente R$5,3 bilhões) em dinheiro para participação em mais de 3 anos de “mandato”.
Segundo matéria da CNN, Trump atuará como presidente do conselho por tempo indeterminado e só poderá ser substituído em caso de “renúncia voluntária ou incapacidade, conforme determinado por voto unânime do Conselho Executivo”. O estatuto da organização ainda dá a Trump amplos poderes e capacidade de vetar decisões e destituir integrantes. Para compor tal Conselho Executivo, Trump nomeou o secretário de Estado americano Marco Rubio, o enviado especial de Trump Steve Witkoff, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e o genro de Trump, Jared Kushner.
Mantendo o cerco criminoso de bloqueio econômico em Cuba; instituindo o sionismo com a criação de Israel e em nada freando o genocídio e ocupação na Palestina, no Sudão e no Congo; ‘permitindo’ tática de fome e uso de armas químicas contra civis em conflitos; realizando ‘missões de paz’ que culminam em denúncias de abuso sexual; etc.; desde sua criação, com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, a ONU (e suas agências), bem como o Tribunal Penal Internacional, seguem sendo o órgão internacional que chancela jurídica e politicamente o avanço do imperialismo nos países da periferia do capitalismo.
Apesar do aval internacional para o neocolonialismo, com o enfraquecimento da hegemonia estadunidense, o imperialismo norte-americano opta, em uma medida desesperada, pelo avanço total e domínio integral do controle internacional, acionando tanto uma ofensiva bélica aberta (como na Venezuela e, ao que tudo caminha, na Groenlândia) quanto através de ‘acordos de paz’ utilizados para mascarar o avanço imperialista (como as reuniões em torno da guerra Rússia-Ucrânia e a ‘pacificação’ de Gaza).
A Palestina é hoje não somente um grande laboratório bélico – que, ao testar armas em civis palestinos, vende armas sionistas para chacinas no mundo todo, inclusive nas favelas brasileiras –, como também um laboratório do direito internacional e do poder de resposta das demais nações.
Sob uma perspectiva do direito internacional, pouco ou quase nada o Conselho de Paz de Trump tem de autoridade para executar suas ações ao redor do mundo, e não está claro qual relação a organização terá com a ONU. A carta constitutiva do conselho de Trump institui que ele desempenhará "funções de consolidação da paz em conformidade com o direito internacional".
A Casa Branca anunciou um Conselho Executivo para Gaza, objetivando “apoiar uma administração palestina de transição na Faixa de Gaza”, sem um projeto claro de como isso funcionará na prática. O Conselho para Gaza compartilha nomes do Conselho Executivo, dentre os quais destacam-se que todos são nomes abertamente sionistas, incluindo grandes empresários, banqueiros, bilionários, e conta até com criminosos de guerra. Em publicação nas redes sociais, a Federação Árabe Palestina (FEPAL) trouxe alguns dos principais nomes:
- Marco Rubio: Secretário de Estado dos Estados Unidos, é responsável pela agenda de política externa do governo Trump;
- Tony Blair: Responsável pela invasão estadunidense no Iraque pelo presidente Bush, Tony é um dos maiores criminosos de guerra do século pelo extermínio de mais de um milhão de pessoas devido à ação;
- Jared Kushner: genro de Trump, idealizador dos ‘Acordos de Abraão’ e que, em evento do lobby sionista, defendeu com todas as letras transformar Gaza em uma ‘riviera’ com “propriedades à beira-mar muito valiosas” que necessitariam de “tirar pessoas de Gaza e ‘limpar tudo’”. Não bastante, em encontro de líderes em Davos, anunciou projeto imobiliário trilionário em Nova Gaza;
- Aryeh Lightstone: rabino sionista e articulador central da Fundação Humanitária de Gaza, cuja “ajuda” culminou em armadilha para tiroteio que matou mais de 3 mil civis famintos e doentes em Gaza;
- Mark Rowan: bilionário sionista influente no ramo econômico estadunidense em Wall Street, CEO da Apollo Global Management e um dos maiores doadores da campanha de Trump; ele foi o maior lobista e investidor nas perseguições a ativistas pró-Palestina nas universidades estadunidenses;
A chamada ‘Nova Gaza’ contará com espaço para mais de 180 arranha-céus e empreendimentos imobiliários e comerciais; segundo o genro de Trump, exigirá “esforços para limpeza e desmilitarização de Gaza”. A imagem divulgada aponta que a reconstrução de Gaza será dividida em quatro fases, começando por ‘Nova Rafah’ (Rafah), ao sul de Gaza, na fronteira com o Egito, contando com 100 mil unidades habitacionais permanentes, 75 instalações médicas, mais de 200 centros educacionais e cerca de 180 centros culturais, religiosos e de capacitação profissional, passando por Khan Younis e avançando até a ‘Nova Gaza’ (Cidade de Gaza).

Mapa de ‘New Gaza’ apresentado por Jared Kushner após a cerimônia de assinatura do "Conselho da Paz" no Fórum Econômico Mundial em 22 de janeiro de 2026 em Davos, Suíça. Reprodução/Foto: CNN.
As áreas residenciais aparecem destacadas em amarelo, enquanto a faixa costeira destinada ao turismo é marcada em rosa, com previsão de cerca de 180 torres à beira-mar. O projeto também prevê numerosos complexos industriais, indicados em marrom, além de extensas áreas verdes, voltadas para parques, centros esportivos e zonas agrícolas.
A ação de Trump em Gaza, sob o aval do direito internacional, e inércia das demais potências capitalistas, apresentará ao mundo um novo modelo de dominação global, uma forma ainda mais brutal e escrachada do imperialismo e do neocolonialismo.