Professora é assassinada horas após comparecer à delegacia para depor sobre desvio de verbas
A vítima foi a professora universitária Simone Marques da Silva, de 46 anos, assassinada a tiros horas depois de ir à Delegacia de Porto de Galinhas para participar de um inquérito que apura irregularidades envolvendo emendas parlamentares da Câmara Municipal de Ipojuca.
Por João Oliveira
Um crime que levanta suspeitas graves de intimidação em meio a investigações sobre desvio de recursos públicos chocou a comunidade de Ipojuca (PE) no último dia 28 de outubro. A vítima foi a professora universitária Simone Marques da Silva, de 46 anos, assassinada a tiros horas depois de ir à Delegacia de Porto de Galinhas para participar de um inquérito que apura irregularidades envolvendo emendas parlamentares da Câmara Municipal de Ipojuca.
Simone Marques dirigiu-se à delegacia municipal por volta de 12h40, acompanhada de um advogado, com a intenção de prestar depoimento sobre o esquema de desvio de verbas públicas. Entretanto, ela, de forma que também apresenta suspeitas, não chegou a ser ouvida naquele momento – o depoimento havia sido adiado para a próxima semana.
Poucas horas depois de deixar a delegacia, cerca de 15h55, ela foi encontrada morta em sua residência, no quintal da casa onde morava com os pais, no centro de Ipojuca.
O contexto da investigação
A apuração que motivou a ida de Simone à delegacia faz parte de um inquérito que investiga desvio de emendas parlamentares no município. A Faculdade Novo Horizonte, instituição onde ela lecionava, está citada na investigação como possível destinatária das verbas fraudulentas.
Segundo denúncias partilhadas no inquérito, recursos que deveriam ser aplicados em serviços públicos estariam sendo canalizados por meio de organizações de fachada, através de emendas impositivas previstas no orçamento municipal.
A operação policial denominada Alvitre está entre as iniciativas de investigação desse esquema de desvios de verbas públicas.
Repercussão e investigações em curso
A Polícia Civil registrou o caso como homicídio consumado e instaurou inquérito para apurar a autoria do crime e as motivações.
Familiares, autoridades municipais e entidades ligadas à educação aguardam esclarecimentos sobre eventuais ligações entre o depoimento pendente e o assassinato – há fortes indícios de que os criminosos teriam atuado para silenciar a testemunha.
Importância para o controle social
Além do aspecto criminal, o episódio reacende discussões sobre a proteção de testemunhas, a transparência pública e os riscos enfrentados por pessoas que participam de investigações de corrupção local, estadual e nacional.
Trata-se não apenas de um crime pessoal, mas de um alerta sobre a segurança de quem denuncia irregularidades em instâncias municipais, estaduais e nacionais.