Anos após escândalo da Caixa de Pandora, José Arruda se filia ao PSD e lança pré-candidatura ao Governo do DF
O ex-governador teceu duras críticas ao colapso da saúde pública sob o atual governo de Ibaneis Rocha e Celina Leão, reforçando sua pré-candidatura ao Palácio do Buriti como uma alternativa direitista ao grupo governista na disputa eleitoral pelo GDF.

Registro oficial do evento de filiação ao PSD (dezembro/2025). Reprodução/Foto: PSD.
Por Matheus Sousa
No dia 15 de dezembro, José Arruda formalizou sua filiação ao PSD em um evento no Centro de Convenções Ulysses. Na ocasião, o ex-governador teceu duras críticas ao colapso da saúde pública sob o atual governo de Ibaneis Rocha e Celina Leão, reforçando sua pré-candidatura ao Palácio do Buriti como uma alternativa direitista ao grupo governista na disputa eleitoral pelo GDF.
O governo Arruda, naquele momento filiado ao DEM, implodiu após operação ‘Caixa de Pandora’, deflagrada pela Polícia Federal em 2009. O juiz Daniel Eduardo Branco Carnacchioni aponta em decisão judicial recente que a empresa Uni Repro Serviços Tecnológicos efetuou o pagamento de R$152,5 mil para manter um contrato de prestação de serviços para o GDF. Segundo a polícia, a empresa terceirizada recebeu no período de 3 anos o valor total de R$45,1 milhões em pagamentos do governo.
A operação divulgou imagens que demonstravam um esquema de distribuição de propina para parlamentares e integrantes do governo de Arruda. Em vídeo, é possível observar o próprio governador recebendo a quantia de R$50 mil, em dinheiro vivo, de Durval Barbosa, então Secretário de Relações Institucionais. Durval delatou seus comparsas em esquema que ficou popularmente conhecido como “Mensalão do DEM”.

Arruda recebendo propina. Gravações do delator Durval Barbosa.
O ex-governador, por outro lado, alegou que vídeo em que aparece recebendo propina é fruto das forças do mal, e que o intuito era a arrecadação de dinheiro para “compra de panetones para pessoas carentes”. A operação levou à prisão de vários representantes de Estado, inclusive Arruda que, preso em 2010, foi o primeiro governador do Brasil a ser preso durante o exercício do cargo.
A pré-candidatura de Arruda representa, no atual momento do DF, uma cisão entre forças de direita na disputa pelo governo. No evento de sua filiação, Arruda expôs publicamente críticas ao atual governador Ibaneis Rocha (MDB), incluindo o colapso da saúde pública. O movimento gerou atritos com a pré-candidata Celina Leão, atual vice-governadora do GDF.
O senador Izalci Lucas (PL) e o deputado Alberto Fraga (PL) compareceram ao evento de filiação. Por outro lado, os distritais Jorge Viana (PSD) e Robério Negreiros (PSD) demonstraram descontentamento com a filiação, e sinalizaram possível abandono da legenda.
Segundo pesquisa eleitoral pela Paraná Pesquisas, de 30 de outubro, Arruda aparece em segundo lugar nas intenções de voto para o GDF, em empate técnico com Celina Leão.

Mesmo liderando as intenções de voto na pesquisa, Arruda ainda terá de lidar com um possível veto jurídico devido a suas condenações. Sua elegibilidade só será analisada no momento do registro da candidatura, que tem como prazo final o dia 15 de agosto de 2026. Até lá, Arruda continua como pré-candidato.