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  • Em Brasília, evento marca o 49º aniversário da República Árabe Saaraui Democrática

    Marcando presença em evento organizado pela Frente Polisário no Brasil para celebrar o aniversário da RASD, PCBR e UJC reafirmam seu compromisso com a autodeterminação dos povos e o internacionalismo proletário.

    4 de Abril de 2025 às 0h00

    Foto: Jornal O Futuro

    Com a retirada da Espanha no Saara Ocidental, em 1976, com anos de resistência, a República Árabe Saaraui Democrática (RASD) foi proclamada após reunião do Conselho Nacional Saaraui - espécie de bureau que representava diferentes agrupamentos da população saaraui. Antes da saída militar espanhola, os colonos passaram a administração dos territórios ocupados à monarquia marroquina e ao governo mauritano que mantiveram as ocupações militares e coloniais na Saara Ocidental.

    Em resposta a este movimento, a Frente Popular de Liberación de Saguía el Hamra y Río de Oro (Frente Polisário), que já há tempos liderava uma luta armada pela sua libertação nacional, sobretudo após o Massacre de Umm Dreiga lançou-se numa contraofensiva que culminou no reconhecimento de seu território pela Mauritânia. Por outro lado, o império marroquino, que contava com apoio bélico francês e estadunidense, manteve a prática genocida colonial sobre o povo saaraui.

    No início dos anos 90, Marrocos e a Frente Polisário chegaram num acordo, pressionado pelas grandes potências imperialistas, através da Organização das Nações Unidas (ONU). O acordo dispunha de uma consulta popular entre os saaraui para escolherem entre a integração do território ao Marrocos ou proclamação de sua independência, o que nunca ocorreu; além disso, o acordo prezava por um cessar-fogo entre as partes e reconhecia parte do território saaraui. Todavia, este território não chegava a ser cerca de 20% do território total e não só isso, as zonas pesqueiras e de mineração (sobretudo de fosfato, essencial na medicina e na agricultura) permaneceram sobre o domínio da monarquia marroquina. Mesmo com o acordo, Marrocos, na intenção de isolar o povo saaraui, elevou uma divisória que se estende por mais de 2.000km e conta com o maior campo minado do mundo.

    Foto: Jornal O Futuro

    Com décadas de tensionamentos diplomáticos e diversos empecilhos de acesso aos recursos de suas próprias terras na região de Guerguerat, em 2023, o exército colonial, com apoio e aval da burguesia árabe e também ocidental, avançou na rota comercial saaraui, que foi respondido com um levante do Exército Livre do Saara que neutralizou a avanço militar marroquino. Esse evento marcou a retomada da disputa armada no Saara Ocidental, cessando oficialmente o acordo de 1991.

    O que acontece na RASD hoje é mais um sintoma da dominação imperialista e suas sócias menores. O processo colonial e exploratório é essencial para a reprodução do capital e controle da classe trabalhadora. Mas com o avanço das opressões da grande burguesia também intensifica a unidade da resistência popular.

    Com o povo organizado em armas, surge uma nova correlação de forças na luta saaraui na busca histórica pela sua autodeterminação. Se tratando de um conflito sem qualquer equiparação - quando observado o tamanho bélico e influência política da monarquia marroquina e burguesia árabe - não podemos ter meias palavras em apoiar os meios empregados de resposta do povo oprimido.

    Há décadas, o povo saaraui busca apoios de diversos países; nos últimos anos, foi realizado uma campanha para que o governo Lula-Alckmin reconhecesse a República Árabe Saaraui Democrática (RASD) pelo Estado e o governo brasileiros, que por sua vez não apresentou nenhuma resolução nesse sentido. A deputada Erika Kokay (PT-DF) já levantou o debate sobre a situação do povo saaraui na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial na Câmara dos Deputados, mas a tímida mobilização não conseguiu expressar capilaridade sequer nas bases governistas petistas.

    É de extrema importância manter a solidariedade ativa na luta do povo saaraui e nãp se deixar levar em ilusões de negociações com as potências imperialistas que atuam na região. O bloco revolucionário no movimento comunista internacional precisa mostrar na prática que solidariedade de classe não são palavras de ordem vazias, mas um trabalho constante de mobilização para incidir diretamente na narrativa burguesa e colonial das forças do imperialismo.

    No dia 27 de fevereiro, em Brasília, a Representação da Frente Polisário para o Brasil comemorou o 49º aniversário da República Árabe Saaraui Democrática no Auditório da CUT-DF. O evento contou com a representação de organizações, sindicatos e partidos brasileiros, com a presença da deputada Erika Kokay (PT-DF) e a presença de autoridades de Cuba, Equador e Nigéria.

    O Representante da Frente Polisario no Brasil, Ahmed Mulay, destacou a necessidade de uma ofensiva de solidariedade ativa das organizações brasileiras ao povo saaraui na sua busca por autodeterminação. Pontuou que Lula precisa dar um passo a mais na solidariedade aos povos oprimidos e reconhecer a RASD, além do mais, enfatizou que a política imperialista marroquina conta com o mesmo aparato e respaldo que o genocídio israelense ao povo palestino.

    O PCBR entregou uma cópia das Resoluções do XVII Congresso (Extraordinário) do Partido Comunista Brasileiro - Reconstrução Revolucionária ao Sr. Embaixador Ahmed Mulay e reafirmou seu compromisso com as lutas de todo o povo oprimido em suas reinvidicações por emancipação e autodeterminação, demarcando que somente o proletariado unido enquanto classe porá fim ao imperialismo e toda a sua expressão opressora e colonizadora.

    Somente o internacionalismo proletário e a atuação conjunta de toda a classe trabalhadora do oriente, do Saara Ocidental à Palestina, e além, que conseguirão realizar um levante massivamente popular pela expropriação da burguesia monopolista árabe e construir o socialismo.