Nova edição de O Que Fazer?, de V. I. Lênin, é lançada pelo Em Defesa do Comunismo, selo editorial do PCBR

A publicação recoloca em circulação uma das obras fundamentais do marxismo-leninismo, acompanhada de uma apresentação que busca situar sua atualidade para os desafios da organização revolucionária e da construção do Partido Comunista

17 de Agosto de 2026 às 20h00

Por Stella 

Sem teoria revolucionária não pode haver movimento revolucionário. A célebre frase de V. I. Lênin será tão melhor compreendida quanto mais próxima estiver da ideia da necessidade histórica da construção do Partido de vanguarda. Lênin formulou incansavelmente sobre a indissociabilidade entre trabalho prático e teórico, sem se afastar por um centímetro do método próprio para que isso fosse possível, travando uma profunda disputa teórica contra o oportunismo, o revisionismo e o localismo. O Que Fazer? Questões candentes do nosso movimento é um marco desse histórico do esforço de Lênin em traduzir em teoria organizativa respostas para todo o movimento operário russo. 

Uma nova edição de O Que Fazer?, editada pelo selo editorial propagandístico Em Defesa do Comunismo, estará disponível a todos àqueles que estejam interessados em não apenas tomar consciência das ideias formuladas por Lênin, mas que desejam compreendê-las a partir da sua necessária aplicação na atualidade. 

Ao mesmo tempo, nossa primeira publicação em livro também nos relembra que não pode haver Partido Comunista sem trabalho editorial. A circulação de ideias, e o próprio desenvolvimento da luta teórica que a conjuntura nos impõe, é parte nevrálgica do nosso movimento. Em cada período histórico, a produção editorial disponível aos revolucionários diz muito sobre as disputas que eram travadas pelos revolucionários. A recepção do marxismo e dos ideais bolcheviques no Brasil, por exemplo, é um dos elementos fundamentais para compreender o período anterior à fundação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1922 e o desenvolvimento do movimento comunista brasileiro por todo o século XX. 

Por isso, reforçamos o disposto no Prefácio à edição, redigido pelo camarada Gabriel Lazzari, Secretário-Geral do PCBR:

“Como, então, olhar, à luz da ortodoxia marxista-leninista presente em O Que Fazer?, os desafios contemporâneos? Um estudo como esse exige maiores aprofundamentos do que um prefácio. No entanto, algumas pistas estão dadas: o trabalho comunicacional, a política com independência de classe, o combate aos desvios burgueses e pequeno-burgueses no seio do movimento operário. O trabalho comunicacional ganha novos desafios na era da internet, em que, diferentemente na era da predominância da mídia impressa, a tendência à fragmentação e à individualização se contrapõe diretamente à forma organizada e coletiva da vanguarda. A política com independência de classe, sob a democracia burguesa e seu alto nível de construção de “consenso” junto aos trabalhadores, encontra maiores dificuldades. Os desvios burgueses e pequeno-burgueses, particularmente na quadra histórica contrarrevolucionária que vivemos desde os anos 1990, estão disseminados amplamente no movimento dos trabalhadores. Dar as respostas para essa pergunta é, como disse Lênin, nossa forma de “sonhar” com nossas tarefas. Não será o arrastar-se na lama da “Realpolitik” burguesa e pequeno-burguesa abandonando nossos “sonhos” pelo “possível hoje” que venceremos; tampouco será admirando nossos “castelos no ar”. É preciso trabalhar escrupulosamente para dar o salto adiante.

A tarefa dos comunistas segue, no século XXI, a tarefa de construir (ou reconstruir) revolucionariamente o partido de classe, a vanguarda proletária, o Partido Comunista. Esperamos que o estudo aprofundado e sempre renovador de O Que Fazer? seja um ponto de apoio para essa caminhada longa e que exige paciência dos que entendem, verdadeira e profundamente, a necessidade do caminho correto ao comunismo.”

Mais de um século após sua publicação, O Que Fazer? permanece como uma obra indispensável para todos aqueles comprometidos com a organização revolucionária da classe trabalhadora. Que esta nova edição contribua para ampliar seu estudo, fortalecer o trabalho teórico e prático dos comunistas e reafirmar que a construção do Partido de vanguarda exige, ontem como hoje, clareza política, disciplina organizativa e firmeza na luta pelo comunismo.