Estudantes da Universidade de Brasília (UnB) aprovam cronograma antifascista para o dia 24 de março
Após ofensiva de grupo de extrema-direita à Universidade e ao Centro Acadêmico de Artes Visuais no dia 14 de março de 2025, e diante da nova mobilização fascista prevista para o dia 24, estudantes de esquerda reagiram convocando atividades para a mesma data.

Reprodução/Foto: Agência Estado/Correio Braziliense Acervo
Limpeza de símbolos comunistas, disseminação de propaganda sionista e apagamento da produção artística dos estudantes (justificado por um discurso higienista) foram algumas das atividades do grupo de extrema-direita na Universidade de Brasília em 14 de março. Não satisfeitos em atacar a memória histórica do CAVIS, depredando artes antigas, os invasores também substituíram a bandeira da Palestina pela bandeira do Estado racista e genocida de Israel, além de panfletar por liberdade contra uma suposta “doutrinação” nas Universidades, como se estas não fossem atualmente um antro de ideologia burguesa e neoliberal.
Vale dizer que as ações do grupo integram uma agenda nacional de mobilização: o movimento em defesa da anistia para os fascistas, firmando mais uma vez o “pacto do esquecimento” que antes vimos após a ditadura empresarial-militar. Ainda, figuras como Carla Zambelli endossaram as ações do grupo nas redes sociais, colaborando para a agitação de novas atividades.
Por isso, CA’s, DCE, organizações estudantis e políticas chamaram um contra-ato para o dia 24 de março com o objetivo de confrontar a articulação reacionária do grupo, que pretende nessa data atentar novamente contra a Universidade de Darcy Ribeiro, idealizada em sua fundação para ser um espaço emancipador de formulação intelectual crítica.
Foi aprovado, portanto, o seguinte cronograma: às 15 horas haverá confecção de materiais agitativos no CAVIS; às 16h30 concentração no Ceubinho; às 17 horas inicia-se um momento para falas e às 18 horas o cortejo pelo ICC.
Na assembleia de organização do ato, destacou-se entre as falas dos estudantes que a defesa da Universidade é necessariamente antagônica à desmoralização do ensino público em prol de seu sucateamento. Ainda, pautaram a necessidade de construir uma presença combativa para barrar as ações fascistas coordenadas na UnB, assim como a política neoliberal de desmonte, agindo para além das notas de repúdio.
Frente à constante vacilação de setores majoritários e centristas no movimento estudantil, a conjuntura tem colocado a oposição de esquerda cada vez mais à frente da tarefa de disputa da consciência da juventude.