Alunas da UNESP denunciam estupro e assédio de professores do campus de São José dos Campos (SP)

O protesto foi motivado, primeiramente, pela denúncia de estupro de uma ex-aluna de odontologia da UNESP da cidade no dia 29 de abril.

7 de Maio de 2026 às 15h00

Estudantes realizaram ato em frente ao campus de Odontologia da UNESP em São José dos Campos.

Nesta segunda-feira, dia 04/05, foi organizado por alunas da UNESP um ato dentro do campus de odontologia da UNESP de São José dos Campos-SP. A manifestação denunciou o aumento número de casos de assédio sexual de professores contra as estudantes da unidade. Segundo as alunas, o protesto é de suma importância, pois muitas mulheres acabam sendo caladas e têm as reivindicações ocultadas não apenas por relações hierárquicas do ambiente acadêmico, mas também no trabalho e na vida em sociedade no geral.

O protesto foi motivado, primeiramente, pela denúncia de estupro de uma ex-aluna de odontologia da UNESP da cidade no dia 29/04. Sem citar o nome do professor agressor pela própria segurança, Carolina Ferreira relatou que o sonho de ser dentista “foi interrompido de forma violenta” quando tinha 18 anos, em 2023.  Na época, o professor ofereceu carona à jovem na saída do curso à noite e a atacou em seu carro. Carolina trancou o curso após sofrer ameaças por ter denunciado o caso à administração da faculdade.

Após a repercussão do caso, a cirurgiã-dentista Bárbara Hatje, formada na instituição, divulgou um vídeo nas redes sociais relatando o assédio que viveu durante o período em que frequentava o curso. Bárbara declarou que a denúncia da estudante “não é um caso isolado” e que representaria “a ponta do iceberg”. Por isso, decidiu falar sobre seu caso após anos lidando com as consequências emocionais pelo fato.

O ato contou com cerca de 200 estudantes, que estenderam diversos cartazes na UNESP e no trecho da Avenida José Longo, próximo do Parque Santos Dumont, reivindicando responsabilização e a abertura de processos administrativos para demitir e responsabilizar os professores, além de oferecer apoio às vítimas e as denúncias formais contra os docentes envolvidos.

No mesmo dia, após a manifestação, a UNESP se pronunciou oficialmente indicando que havia aberto dois Processos de Apuração preliminar (PAD), logo após a pressão estudantil sobre a questão. O caso em questão demonstra que só houve mobilização institucional contra os professores envolvidos quando a pressão organizada dos estudantes – através de seus coletivos, diretórios acadêmicos e denúncias públicas – constrangeu de maneira incontornável a instituição, algo que deve ser levado em consideração como fator de mobilização e politização contínua sobre a pauta, a fim de mantê-la viva.

Em assembleia geral dos campi de São José dos Campos no dia 05/05 (terça), os estudantes aprovaram a continuidade da tática de pressão sobre a diretoria da UNESP, visando medidas quanto aos casos e aprovaram a paralisação das atividades na universidade até que sejam obtidas medidas concretas, podendo haver mais mobilizações a serem marcadas e organizadas.

Segundo o TCU, entre 2021 e 2023, o país registrou um aumento de 44,8% nos processos judiciais sobre assédio sexual, com mais de 360 mil novas ações, onde as universidades aparecem como um dos ambientes favoráveis para essas ocorrências. Mesmo com o aumento no registro de casos, ainda existe o encobrimento dos mesmos e o medo das mulheres que denunciam, portanto apenas uma pequena parte de assediadores é investigada e punida administrativamente. O aumento das denúncias reflete uma maior conscientização, mas também expõe a naturalização de práticas de assédio moral e sexual que persistem no ambiente acadêmico.