Greve em Taubaté expõe projeto do Partido Novo para o serviço público
A greve dos servidores de Taubaté (SP) reacendeu o debate sobre as políticas da gestão municipal e seus impactos sobre os trabalhadores e os serviços públicos.

Passeata realizada na manhã do dia 3 de junho, com parada em frente a Secretária da Educação. Foto: Jornal O Futuro.
Em 3 de junho de 2026, os servidores públicos municipais de Taubaté (SP) decidiram por unanimidade pela manutenção da greve iniciada no dia anterior, após falta de resposta da prefeitura sobre a reabertura da mesa de negociação. A demanda das diversas categorias do serviço público da cidade diz respeito principalmente à falta de reposição salarial inflacionária, que nos últimos dois anos acumulou 9,43%, incluindo também outras demandas como a implementação de auxílio-transporte de R$563,04, o reajuste do auxílio-alimentação em R$328,00, a adequação do pagamento de horas extras e a apresentação de um plano de recomposição das perdas salariais (referente ao acumulado de 22,17% dos anos em que não houve pagamento do dissídio, considerando a gestão atual e passadas). Soma-se a isso a reivindicação pelo restabelecimento da base de cálculo do pagamento dos adicionais de insalubridade, periculosidade e risco de vida (alterados via decreto pela atual gestão), a manutenção desses adicionais durante licença médica, o pagamento de licenças-prêmio, a implementação do programa “Descongela” para pagamento retroativo de bonificações congeladas durante a pandemia, e a revisão da contribuição previdenciária dos aposentados.
A luta dos servidores públicos municipais de Taubaté é fruto de uma longa trajetória de lutas diversas que se unificaram no movimento pela retomada do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Taubaté (SSPMT) em 2025, libertando-o da tutela da prefeitura. A partir de 2022, os servidores da educação passaram a mobilizar uma série de protestos de rua e paralisações por pautas específicas do setor. Já no final de fevereiro de 2025, com o novo prefeito neoliberal Sérgio Victor (NOVO), a agudização da luta dos servidores passa para outros setores, em particular o setor da saúde, quando o prefeito publica o Decreto n.º 16.026, que altera a base de cálculo e os percentuais de pagamento dos adicionais de insalubridade, periculosidade e risco de vida dos servidores, o que desencadeou nova série de protestos dos servidores municipais.
Assim, em meados de 2025, juntaram-se os servidores em luta pelos adicionais e os servidores da educação em uma grande coalizão de servidores em luta unificada pela retomada do SSPMT. Devido ao estatuto antidemocrático do SSPMT que impede servidores com menos de 5 anos de filiação de concorrerem a direção, a militância do PCBR, que atua e contribui ativamente no movimento dos servidores desde 2022 não pôde compor nenhuma chapa. Em um processo de chapa única a direção petista composta pelas lideranças dos movimentos da educação e da saúde foi eleita por aclamação.
Com o início da campanha salarial do agora SindServ em meados de março e abril de 2026, os servidores militantes do PCBR pautaram um valor de recomposição salarial retomando os últimos cinco anos de inflação (22,17%). A proposta foi boicotada pela direção sindical cutista e vencida em plenária de campanha salarial com uma votação equilibrada entre a posição dos comunistas e a proposta mais rebaixada do setor social-liberal petista de 9,43% (reivindicação de apenas os dois últimos anos).
Iniciou-se então uma intensa mobilização sindical, tensionando o máximo possível até que o prefeito Sérgio Victor cedeu à primeira mesa de negociação no dia 15 de maio, na qual foram negadas todas as reivindicações econômicas dos servidores. O descaso do prefeito, pedindo para voltar a conversar com a diretoria do sindicato apenas no final de julho, teve uma resposta uníssona em assembleia: estado de greve. Na segunda mesa de negociação, ocorrida em 22 de maio, a resposta do prefeito foi a mesma, resultando na manutenção do estado de greve. Em assembleia, no dia 28 de maio, os servidores votaram pela deflagração da greve, com o movimento paredista tendo início no dia 2 de junho.
O primeiro dia de greve foi expressivo, com múltiplos setores paralisados, demonstrando que, apesar de anos sem uma cultura sindical fortificada, o conjunto da categoria só estava esperando a primeira chance para contra-atacar. Com panfletagens e convencimento dos trabalhadores em departamentos da PMT no início da manhã, manifestação em frente ao Palácio do Bom Conselho pela manhã, lotação da Av. do Povo (importante avenida da cidade, onde se localiza a Câmara Municipal) e acompanhamento da sessão legislativa pela tarde, houve um movimento de massas com capacidade de mobilização sem precedentes na História de Taubaté.
O segundo dia da greve envolveu uma passeata com milhares de pessoas nas ruas pelo centro da cidade, causando um enorme impacto no cotidiano urbano, passando por importantes e movimentadas ruas da cidade, com forte demonstração de apoio aos servidores por parte da população, com nossos agitadores demonstrando a conexão entre a valorização dos servidores e as demandas dos trabalhadores usuários dos serviços públicos. Os dois primeiros dias de greve apresentaram saldos positivos para o movimento, mas e agora, quais devem ser os próximos passos?
Continuar o trabalho de mobilização da luta econômica com consistência esclarecendo que as razões que nos levam à greve decorrem da contradição central da nossa sociedade: o antagonismo de interesses entre burguesia e proletariado. Nesse meio-tempo, é preciso extrair e agitar as pautas mais universais a serem consideradas irredutíveis em novas negociações entre sindicato e prefeitura. Utilizar-se da criatividade em atos, manter firme a pressão sobre o executivo e legislativo e desmentir a narrativa da mídia liberal por meio de publicações na imprensa partidária e operária também são táticas fundamentais para a vitória do movimento grevista.
Esse deve ser o papel de todo militante comunista atuando no movimento sindical, reforçando o convencimento nos locais de trabalho de que somente a greve, nesse contexto, pode mudar a correlação de forças em favor da conquista dos objetivos da campanha salarial dos servidores, abrindo o caminho para posteriores lutas mais avançadas, por exemplo, a defesa da escala 4x3 com 30h semanais.