Com intermédio de EUA, reunião para acordo de paz entre Rússia e Ucrânia não se consolida
Enquanto Zelensky via a trilateral com saldo positivo, Rússia realizou, no mesmo dia, ataque de drones em Kiev e Chernihiv, deixando cerca de 1,2 milhão de pessoas sem energia elétrica, um morto e 30 feridos.

Mesa de negociações em Abu Dhabi, entre os governos ucraniano, russo e estadunidense. Reprodução/Foto: Governo dos Emirados Árabes Unidos/REUTERS.
Por Filgueira
Durante evento em Davos (Suiça), o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, em conversa com Trump, solicitou uma reunião trilateral com a Rússia e EUA objetivando um acordo de paz para encerrar as tensões entre Moscou e Kiev. O líder ucraniano afirmou que estaria pronto para “fazer concessões em nome de um acordo de paz”, mas que a Rússia também precisaria estar preparada para realizar concessões. No mesmo evento, Trump afirmou ter enviado diplomatas para negociações em Moscou e disse querer conversar diretamente com Putin, já que a reunião com Zelensky teria sido “muito boa”.
Apesar de não ter dado qualquer declaração recente, em dezembro de 2025, em uma ligação com Trump, Putin declarou que uma das principais condições impostas pela Rússia seria barrar a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), além da retirada completa das tropas ucranianas de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporizhzhya, reconhecendo estes territórios à Rússia juntamente com a Crimeia. Ainda na mesma reunião, Putin teria exigido a possibilidade de supervisão russa para “garantir neutralidade, não alinhamento, desnuclearização, desmilitarização e desnazificação da Ucrânia”. Zelensky, por sua vez, não comentou sobre nenhuma das exigências vindas do Kremlin.
Pelo X/Twitter no dia 24 de janeiro, o presidente ucraniano disse que a reunião entre os três países foi “construtiva” e que os pontos centrais debatidos foram os possíveis “parâmetros” para o fim da guerra e as “medidas de segurança necessárias para alcançar isso”. Em uma nova reunião, ainda sem data, os dois países debaterão “uma lista de questões”.
Zelensky aproveitou a rede social para agradecer aos EUA pela iniciativa de intermédio e aos Emirados Árabes por sediar a reunião e afirmou que “havendo disponibilidade para avançar”, uma nova reunião já poderá ser agendada na próxima semana.
Apesar da declaração positiva do líder ucraniano, a Rússia na madrugada do último dia 24 realizou uma operação que culminou em ao menos 800 mil pessoas sem energia elétrica em Kiev e cerca de 400 mil em Chernihiv; segundo a repórter Liza Kaminov, o ataque de drones vitimou um ucraniano e deixou cerca de 30 feridos.