Casa de Vidro do BBB 26 em Brasília é palco de protesto pelo fim da 6x1

Militantes do PCBR realizaram, no último domingo (11), um protesto pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6x1 no Shopping Conjunto Nacional de Brasília.

16 de Janeiro de 2026 às 21h00

Manifestantes protestam em frente à Casa de Vidro. Foto: Jornal O Futuro.

Por Matheus Sousa

Militantes do PCBR realizaram, no último domingo (11), um protesto pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6x1. A manifestação ocorreu no Shopping Conjunto Nacional de Brasília, durante o último dia de votação da “Casa de Vidro” do programa Big Brother Brasil 2026.

Durante o ato, o grupo levantou cartazes e entoaram palavras de ordem, classificando a escala 6x1 como desumana e defendendo a redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais, em escala 4x3. Na câmera ao vivo do pay-per-view da Rede Globo, foi possível ver um dos cartazes com a mensagem “Escala 6x1 é desumana” e a participante Chaiany demonstrando apoio ao movimento.

Momento em que o primeiro cartaz é levantado - Reprodução/Foto: Redes sociais.

Do ponto de vista do Shopping, esse tipo de mobilização é desmoralizante: além de sensibilizar os funcionários, que tendem a se identificar com as pautas, pode comprometer a relação com a Rede Globo, que dificilmente voltaria a escolher o local para uma próxima edição da Casa de Vidro. Há impacto também na percepção dos visitantes, que passam a enxergar a realidade antes “invisível” desses trabalhadores.

Os shopping centers crescem seu faturamento ano após ano. Só no natal de 2025, o faturamento do ramo alcançou a marca de 6 bilhões de reais. Enquanto isso, os trabalhadores seguem em uma rotina de alto grau de exploração, com jornadas de trabalho extenuantes e baixos salários. A exploração não serve para manter os negócios, mas para aumentar as taxas de lucro dos capitalistas.

O Shopping Conjunto Nacional é propriedade do Ancar Ivanhoe, uma das maiores empresas de shopping centers do país, e é também um dos maiores de Brasília. Segundo a própria empresa, atende aproximadamente 1,8 milhão de consumidores por mês.

Os irmãos Marcos e Marcelo Carvalho são os sócios administradores da Ancar Ivanhoe. A família já faz negócios do ramo desde a década de 70. Seus estabelecimentos recebem cerca de 185 milhões de visitas por ano, atingindo, em 2024, o resultado de R$19,5 bilhões em vendas, segundo o Relatório de Sustentabilidade 2024.

Esses números exorbitantes, por outro lado, não se revertem para o bolso e qualidade de vida dos trabalhadores. A escala é de seis dias de trabalho para um de descanso e 44 horas semanais, com expediente aos domingos e feriados. Há acúmulo e desvio de função, em uma rotina desumanizante, que  impede esses profissionais de passar tempo com a família, dedicar-se aos estudos e descansar.

Para além do que ocorre formalmente, é comum ouvir relatos de uma fraude trabalhista chamada “dobrar turno”. A prática, comum aos fins de semana e praticamente obrigatória em datas de alto fluxo de clientes, aliada ao estímulo de atingir metas consideradas abusivas, que impedem o recebimento de comissão por venda no caso de não cumprimento, leva ao acúmulo de horas extras não remuneradas. Muitas vezes, esses trabalhadores permanecem em atividade, por exemplo, de 10h às 22h, segundo a vendedora Jane Almeida.

Esse e outros relatos reforçam a importância da luta pela redução da jornada de trabalho como horizonte para a melhora das condições de saúde física e mental da classe trabalhadora, além de também favorecer as condições de luta.