Morte de Tiago Barbosa marca o projeto de precarização do metrô de Recife

A morte do metroviário Tiago Barbosa expõe o avanço da precarização e do sucateamento do Metrô do Recife, impulsionados pelo projeto de privatização do sistema

21 de Agosto de 2026 às 16h00

O funcionário do metrô do Recife, Tiago Barbosa, morreu eletrocutado no dia 11 de junho deste ano, enquanto fazia manutenção da rede aérea na Linha Centro, próximo à Estação Tejipió, na Zona Oeste de Recife. Tiago tinha 40 anos e atuava na Coordenadoria de Eletrificação (Coeli) há 13 anos.

Segundo informações levantadas pelo Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (SindMetro), Tiago usava os equipamentos de manutenção exigidos para o serviço. Como afirma Leandro Felix, diretor de comunicação do sindicato, há indícios de que o acidente foi causado por uma falha do sistema de segurança, consequência direta do projeto de sucateamento do metrô. 

Mesmo diante da morte de um funcionário, o metrô do Recife continuou operando normalmente no dia; expondo descaso com a vida dos trabalhadores do metrô. 

O que diz o sindicato

Em conversa com o jornal O Futuro, Thiago Mendes, vice-presidente do SindMetro, contou que o sindicato vem cobrando mais transparência na investigação e critérios mais objetivos para definir as causas do acidente. 

Além disso, comentou que a entidade fez uma denúncia sobre os trens velhos vindos de Minas Gerais, que foi aceita pelo Ministério Público Federal e pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O TCU iniciou apuração de possíveis irregularidades na compra dos trens da série 900 do metrô de Belo Horizonte porque os veículos comprados pela CBTU por 60 milhões, já haviam sido negociados por 4,2 milhões de reais. Apesar disso, o tribunal negou a suspensão dos pagamentos. 

Os trens vindo de Belo Horizonte teriam por volta de 40 anos de uso e foram tirados de circulação na capital mineira por desgaste, além de serem considerados ultrapassados tecnologicamente. 

O SindMetro deflagrou greve durante 3 dias em 2025 em razão de um incêndio que atingiu a Linha Centro, mesma linha onde Tiago Barbosa sofreu o acidente em junho deste ano. O vice-presidente do SindMetro informou que o sindicato pretende retomar o calendário de mobilizações e diálogo com os usuários ainda em 2026.

Privatização em curso

O governo federal e estadual estão juntos na condução do processo de concessão do metrô do Recife, que atualmente é responsabilidade da CBTU, estatal ligada ao Ministério das Cidades. 

Em maio de 2025, o então ministro das Cidades Rui Costa assinou resolução que autoriza concessão por 30 anos da rede metroviária à iniciativa privada por meio de licitação a ser operada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES). Após a concessão, haverá um repasse de 4 bilhões da União à concessionária nos 5 primeiros anos de operação; o que deixa claro que a precarização do metrô não passa de um projeto de transferência de recursos públicos ao setor privado. 

A licitação está prevista para dezembro deste ano; é tarefa dos metroviários, do seu sindicato e de todos os setores da classe trabalhadora defenderem o metrô público e de qualidade, contra as privatizações.