Glauber Braga se defende no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados
O parlamentar se defendeu contra a cassação de seu mandato no Conselho de Ética, rebatendo as acusações e denunciando casos de parlamentares envolvidos em graves violências.

Glauber Braga. Reprodução/Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados.
Por Gustavo Pedro
Segundo o parecer do relator apresentado ao Conselho de Ética, Glauber Braga (PSOL-RJ) teria agido com “desvio de condutas” em uma ocasião em que enfrentou Gabriel Costenaro, um provocador do Movimento Brasil Livre (MBL), em uma das diversas vezes em que este e seus aliados agiram importunando o deputado e demais pessoas próximas a seu mandato. O relator escreveu, em seu parecer, que “diante das provas produzidas nos autos, verifica-se que o representado extrapolou os direitos inerentes ao mandato, abusando, assim, das prerrogativas que possui. Portanto, é imperioso admitir que o representado, com seus atos, efetivamente incidiu na prática da conduta, sendo cabível, no caso sob exame, a sanção da perda do mandato”.
O voto do relator contra Glauber Braga é mais uma demonstração da aberta e escandalosa perseguição política, operada principalmente por Arthur Lira (PP-AL), à época presidente da Câmara dos Deputados, para combater o mandato parlamentar que não se acovarda.
Em sua defesa, Glauber denunciou a encenação apresentada pelo relator Paulo Magalhães (PSD-BA) na produção de um relatório comprado por Arthur Lira. Glauber rebateu todas as acusações citadas na peça e relembrou que deputados envolvidos no golpe de 8 de janeiro, ou em casos de corrupção, um deputado que agrediu um sindicalista em uma comissão, um outro com acusações de violência contra mulher ou que estão sendo condenados na justiça, como Carla Zambelli (PL-SP), que perseguiu armada um eleitor lulista e também conclamou generais a darem o golpe no 8 de janeiro, não tiveram seus mandatos cassados, com processos sendo arquivados no Conselho de Ética. Relembrou também que Chiquinho Brazão (União Brasil-RJ), acusado de ser o mandante do assassinato de Marielle Franco, também não foi cassado pela Câmara e tem seu processo sendo arrastado até o momento.
Glauber desafiou, de forma firme, o relator a negar que a indicação de recursos pelo mesmo, em meio às emendas do orçamento secreto, tenham sido feitas de forma pactuada com Lira enquanto pagamento a sua atuação pela cassação do mandato. O deputado afirmou que a Polícia Federal deverá investigar qual foi, efetivamente, o preço desse relatório.
O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) anunciou, ainda antes que Glauber apresentasse sua fala de defesa, que pediria vista para a leitura do relatório imediatamente após as falas da sessão. Isso deve atrasar o processo de votação do relatório até a próxima reunião do Conselho de Ética, a ser realizada na semana que vem, onde o relatório será votado. Caso seja aprovada a indicação do relator pela cassação, a mesma será avaliada e votada pelo plenário da Câmara dos Deputados.
A sessão do Conselho de Ética foi encerrada ao som das palavras de ordem, entoadas por movimentos populares presentes que apoiam e constroem o mandato de Glauber Braga, como "Glauber, Fica!" e "Capacho do Lira", direcionadas ao relator Paulo Magalhães.