Escala 12x36 nos Correios precariza condições de trabalho
A adoção da escala 12x36, com a justificativa de flexibilidade e modernização, ignora as demandas de contratação e valorização para que a empresa realmente consiga prestar um melhor serviço.

Registro da assembleia de trabalhadores dos Correios em SP, durante o movimento grevista de 2025. À época, o movimento rechaçou ataques da mudança na escala. Reprodução/Foto: SINTECT-SP
Por Nalbert Pietro
A adoção da escala 12x36 para os trabalhadores dos Correios, anunciada em 2026, é mais uma medida do Plano de Reestruturação da empresa, que enfrenta a resistência dos trabalhadores. Inicialmente apresentada como voluntária, a adoção da escala 12x36 está inserida em um contexto de precarização das condições de trabalho e de sucateamento da empresa com a justificativa de flexibilidade e modernização.
O Plano de Reestruturação dos Correios foi anunciado em novembro do ano passado, na esteira da crise financeira que vive a empresa que, em 2025, teve um queda de 11% no faturamento em relação ao ano anterior. Contudo, o plano não só não é capaz de conter a crise, como coloca o ônus da mesma nas costas dos trabalhadores e abre um flanco para a privatização da empresa.
Entre as medidas desse plano estava um Plano de Demissão Voluntária (PDV), com a estimativa de que atingisse 15 mil trabalhadores até o fim de 2027. O principal incentivo à adesão ao PDV tem sido a precarização das condições de trabalho por parte da gestão da empresa. É crescente a indignação entre os trabalhadores com a falta de uma quantidade de funcionários e de condições adequadas para que os serviços da empresa consigam se manter com qualidade. Outro “incentivo” da empresa para a adesão ao PDV tem sido a elevação da pressão pela retirada dos direitos dos trabalhadores.
Em março deste ano, os Correios anunciaram que vão começar a adotar a escala 12x36 conforme as necessidades do serviço. Essa é uma escala que já havia sido recusada pelos trabalhadores no ano de 2025 e que agora ressurge, sendo reapresentada, ao menos inicialmente, como voluntária.
A empresa alega que essa jornada flexível irá “fortalecer o posicionamento da empresa frente à concorrência no segmento de encomendas”. A justificativa busca alinhar a empresa a cartilha do setor privado, que tem como característica os baixos salários e a desregulamentação do trabalho, além de ignorar as demandas de contratação e valorização para que a empresa realmente consiga prestar um serviço com maior qualidade.
Quando tornadas públicas, as diretrizes de implementação da escala 12x36 causaram rejeição imediata dos trabalhadores dos Correios e seus sindicatos. As representações dos trabalhadores alertam para o risco de utilização dessa escala para corte de vale alimentação/refeição e redução nos salários e compensações por mudança na contabilização do controle de horas, além dos impactos na saúde física e mental que as jornadas longas e desgastantes têm para os trabalhadores.
Por fim, a implementação da jornada 12x36 deixa uma série de pontos abertos, como a pressão para a adesão individual e a tendência futura de imposição generalizada. A greve de 2025 atrasou a implementação das medidas mais vorazes contra os trabalhadores, mostrando que mesmo a mais tímida concessão se dá na luta independente dos trabalhadores contra o projeto governista de precarização. A revolta dos trabalhadores que permitiu a imposição de uma greve no ano passado, mesmo sem apoio de várias direções sindicais, precisa seguir sendo organizada para demonstrar a força dos trabalhadores dos Correios, que vem carregando uma luta que é de toda a classe trabalhadora.