EDITORIAL: Não fazer propaganda especial para as mulheres, mas sim fazer agitação socialista entre as trabalhadoras e trabalhadores!
O mês de março, quando organizamos o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, não pode ser reduzido a um ritual anual de reconhecimento abstrato.

Mobilização do 8 de março de 2025 em Santa Catarina. Foto: PCBR.
O mês de março, quando organizamos o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, não pode ser reduzido a um ritual anual de reconhecimento abstrato. Sua força histórica reside no fato de que nasceu da compreensão de que a opressão das mulheres não é um desvio moral do capitalismo, mas um de seus mecanismos estruturais. Quando Clara Zetkin defendeu a criação de um dia internacional de luta das mulheres trabalhadoras, a questão central não era “dar visibilidade” às mulheres, mas organizá-las como sujeito político inserido na luta de classes. Contudo, a luta revolucionária não se restringe ao calendários de lutas anual e, por isso, precisamos encarar o restante do ano com firmeza ideológica e máxima disciplina.
As ofensivas recentes — da manutenção de jornadas extenuantes como a 6x1 às políticas que favorecem o capital financeiro e a indústria armamentista — não são fenômenos isolados. Elas expressam a tendência contemporânea de recompor taxas de lucro às custas do tempo de vida da classe trabalhadora. A recusa de transparência sobre o rastreio de munições, o fechamento de agências bancárias em meio a lucros recordes e a resistência concreta à redução da jornada revelam a mesma lógica: proteger a acumulação, ainda que isso signifique ampliar o adoecimento, a violência e a insegurança social. A vitória contra a desestatização dos rios estratégicos da Amazônia demonstrou que é possível resistir se enfrentarmos o inimigo direto dos trabalhadores: os grandes monopólios capitalistas.
O PCBR tem estabelecido diretrizes para a inserção no proletariado, especialmente nos setores estratégicos, caracterizados pelo nosso programa como aqueles setores dinâmicos ou nevrálgicos da economia capitalista, sendo capazes de afetar com suas mobilizações a produção e reprodução capitalista de maneira mais ou menos profunda. Na disputa das eleições do Sindicato dos Bancários do Distrito Federal, a tarefa de reconstruir pela base a luta bancária, nesse sentido, precisa romper com práticas de conciliação no movimento sindical, fortalecer uma organização classista e combativa da base dos trabalhadores, unificando reivindicações (como isonomia salarial e defesa de direitos) e reconstruindo uma oposição sindical que enfrente diretamente a ofensiva patronal em vez de se apoiar apenas em negociações burocráticas.
No movimento estudantil, um movimento que é fundamental enquanto força auxiliar do proletariado, a União da Juventude Comunista, juventude do PCBR, deve garantir a participação orgânica dos estudantes revolucionários na vida de seus cursos e escolas, participando ativamente das entidades de base e disputando as entidades gerais conforme o grau de inserção acumulado. É nesse esforço que estaremos presentes no 46º Congresso da UBES (CONUBES), organizando e fortalecendo a luta dos estudantes secundaristas nas suas escolas, levando nossas bandeiras estabelecidas nas teses que apresentaremos ao congresso.
O ano de 2026 não deixará espaço para vacilações: empreenderemos ainda maiores esforços para a organização de bases sólidas de formação política, de difusão de iniciativas teóricas que armem ideologicamente a vanguarda – como a Revista Comunista Internacional, publicada pelo PCBR ao final de Janeiro –, e levaremos o programa do proletariado nas eleições burguesas, defendendo a pré-candidatura do camarada Jones Manoel como um tribuno do povo, pela revolução socialista no Brasil.