Diretoria da Ponte Preta persegue trabalhadores que fizeram paralisação

A precarização do trabalho não atingiu apenas os atletas, mas sim todos os setores de trabalhadores do clube. Funcionários da cozinha, limpeza e lavanderia passam pelos mesmos problemas, e quando se organizam, são punidos por exigir o mínimo do mínimo.

5 de Fevereiro de 2026 às 21h00

Protesto de torcedores pontepretanos. Reprodução/Foto: Diego Alves.

Em 22 de dezembro de 2025, jogadores do Ponte Preta, tradicional time de futebol de Campinas, entraram em uma paralisação de 12 dias por atrasos de pagamentos. Vinte e sete jogadores aderiram à paralisação, reivindicando o pagamento das férias, do décimo-terceiro, do direito de imagem e de salários atrasados há meses, comunicando a ação por meio de uma nota divulgada dois dias antes.

Sem a mesma repercussão e duração, trabalhadores da cozinha do clube fizeram o mesmo. Um dia depois, três deles foram demitidos. A precarização do trabalho não atingiu apenas os atletas, mas sim todos os setores de trabalhadores do clube. Funcionários da cozinha, limpeza e lavanderia passam pelos mesmos problemas, e quando se organizam, são punidos por exigir o mínimo do mínimo.

Com o apoio do Sindicato dos Empregados de Clubes Esportivos de Campinas (Sindesporte - Campinas), sete cozinheiros e cozinheiras do clube realizaram uma paralisação de um dia na quinta-feira, 15/01/2026, devido ao atraso do salário e do décimo-terceiro, da falta de pagamento das férias e vale-refeição, e também por causa das contribuições previdenciárias não realizadas e FGTS não depositado. O salário, que deveria ter sido pago no início do mês, foi pago apenas no dia 16. Trabalhadores dos outros setores não participaram da manifestação e nem receberam seus salários e demais direitos atrasados, mas tiveram que ficar no lugar dos cozinheiros em paralisação.

“O RH mandou uma mensagem para nós, dizendo que queria fazer uma reunião. Nisso, chamamos o sindicato e prontamente foram nos apoiar”, afirma uma trabalhadora que preferiu não se identificar. “Estamos sofrendo represálias, só hoje foram despedidas três pessoas”, completa.

Existe um extenso histórico de problemas do time com seus trabalhadores. Em fevereiro de 2023, o Tribunal Regional do Trabalho da 15° Região (TRT-15) tinha em curso 114 processos trabalhistas nos quais Ponte Preta era parte, sendo 27 processos em fase de execução definitiva, somando R$8,64 milhões a indenizar, e 38 processos em execução provisória, totalizando R$11,1 milhões a indenizar. Os casos são similares: atrasos e falta de pagamento de direitos trabalhistas. Elvis, um dos principais nomes do time, adiciona oito milhões de reais à conta. Após três meses de atraso salarial, dois anos sem receber o FGTS, dentre outros direitos, o jogador entrou na justiça contra a Ponte Preta.

Em revolta contra a direção do clube e seu desdém com os empregados, a torcida pontepretana organizou dois atos na noite desta segunda-feira (19/01/2026), com diversos cartazes e faixas.

Quando os funcionários decidem tomar as rédeas da situação e exigir os seus direitos conquistados ao longo da história, a decisão da administração do clube é a mais simples: expulsá-los; ignorando que os trabalhadores dependem apenas de seu salário para garantir a sua sobrevivência e o quão difícil pode ser conseguir outro emprego.