Garis e Coletores terceirizados deflagram greve no Espírito Santo

Segundo a categoria, a decisão de deflagrar a greve foi tomada após sucessivas tentativas frustradas de diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que se recusou a receber os trabalhadores.

30 de Junho de 2026 às 21h00

Reprodução/Foto: Sindilimpe-ES.

Por Victor Sampaio

Trabalhadores terceirizados da limpeza urbana deflagraram, nesta segunda-feira (22), uma greve nacional por melhores condições de trabalho e pela aprovação do Projeto de Lei nº 4.146/2020, que institui um piso salarial nacional de R$ 3.036 para garis, margaridas e coletores, além de prever avanços como aposentadoria especial e redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais.

Segundo a categoria, a decisão de deflagrar a greve foi tomada após sucessivas tentativas frustradas de diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que se recusou a receber os trabalhadores. O PL 4.146/2020 foi aprovado pela Câmara dos Deputados em dezembro de 2025, mas segue sem ser pautado por Alcolumbre, que também tem travado outras matérias de interesse da classe trabalhadora, como a PEC 221/2019, que propõe o fim da escala 6x1.

Mesmo sob efeito de decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (TRT-17), que determinou a manutenção de parte dos serviços essenciais — como 100% da coleta de lixo hospitalar; 50% da coleta de lixo úmido proveniente de residências, restaurantes, hotéis e estabelecimentos comerciais; e 50% dos serviços públicos de limpeza urbana, incluindo varrição e remoção de detritos em vias públicas —, a mobilização já conta com ampla adesão dos trabalhadores no Espírito Santo e atinge municípios como Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Guarapari, Anchieta, Linhares, Colatina, São Mateus e Aracruz.

A categoria já protagonizou importantes mobilizações neste ano. Em maio, trabalhadores realizaram um ato em frente à empresa Localix, em Vila Velha, denunciando perseguição política nas demissões de sindicalizados. Durante a manifestação, a sindicalista Evani dos Santos foi algemada e levada por agentes da Ronda Ostensiva Municipal (Romu), enquanto outros trabalhadores foram atingidos por balas de borracha.

Em abril, trabalhadoras terceirizadas da limpeza da empresa Soluções também foram alvo de repressão durante protesto em frente à Prefeitura de Vila Velha, sob gestão do prefeito Arnaldinho Borgo (PSDB), quando cobravam o pagamento de salários e tíquetes-alimentação atrasados. Na ocasião, a Guarda Municipal utilizou spray de pimenta e agrediu manifestantes.

Os episódios recentes demonstram a força de organização da categoria, que segue mobilizada apesar do descaso de parlamentares e da repressão do aparato estatal, mas também escancaram os impactos profundamente negativos da terceirização do trabalho, ampliada em 2017 pelo governo Michel Temer (MDB) com a Lei da Terceirização e a Contrarreforma Trabalhista, e mantida pelo atual governo Lula-Alckmin, como a precarização das relações de trabalho, a ausência de direitos básicos e o enfraquecimento da capacidade de organização coletiva dos trabalhadores.

Nesse sentido, o programa do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) aponta para a raiz do problema ao defender o fim da terceirização e a incorporação desses trabalhadores em regime equiparado ao dos demais profissionais de cada ramo de atividade-fim.

A luta pela aprovação do piso salarial nacional teve sua primeira grande demonstração de força no Espírito Santo durante a paralisação de 24 horas realizada anteriormente na Grande Vitória e em cidades do interior. Segundo a categoria, cerca de 1,1 milhão de trabalhadores da limpeza urbana participaram do movimento em todo o país.

Agora, os trabalhadores apostam em uma greve por tempo indeterminado, que deve se manter até que o PL 4.146/2020 seja aprovado. Como parte da mobilização, está convocada para esta terça-feira (23) uma passeata com concentração na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio, Conservação, Limpeza Pública e Serviços Similares do Estado do Espírito Santo (Sindilimpe-ES), com destino ao Palácio Anchieta, no Centro de Vitória.