RU Terceirizado da UEM escancara caráter antipopular da Universidade pública no Paraná

A precarização do RU se acentuou depois da terceirização do espaço, o qual deveria funcionar como um dos pilares da permanência estudantil na Universidade.

14 de Julho de 2026 às 18h00

Por Edson Cizeski

Nas últimas semanas os estudantes da Universidade Estadual de Maringá (UEM) passaram a denunciar as condições precárias do Restaurante Universitário (RU) da instituição nas redes sociais através do perfil Spotted UEM. A precarização do RU se acentuou depois da terceirização do espaço, o qual deveria funcionar como um dos pilares da permanência estudantil na Universidade. A realidade no entanto é de que custando R$5,00 os alunos constantemente se deparam com larvas nos legumes, frutas mofadas, sacolas plásticas e luvas dentro da alimentação fornecida. 

Desde o início do ano os estudantes e centros acadêmicos pressionam o reitor Leandro Vanalli para conseguir uma reunião com a reitoria e a direção do restaurante, para apresentar as reivindicações por melhorias e deixar claro os problemas enfrentados por quem de fato utiliza o serviço - sendo sumariamente negados. De lá para cá o cenário apenas se agravou, enquanto o reitor comemora os investimentos na infraestrutura do RU, os trabalhadores terceirizados seguem em uma rotina exaustiva com baixa remuneração e os estudantes constantemente expostos a problemas sérios de higiene e controle de qualidade da alimentação.

Por onde anda a gestão do DCE?

O DCE “Unir e Avançar” é marcado por uma campanha financiada por interesses externos aos dos estudantes, pelas propostas neoliberais que vão de encontro com os ataques à universidade por parte do governador Ratinho Jr, pela aliança com a reitoria e, principalmente, pela ausência da entidade em promover os CEEBs (espaço de discussão, mobilização e encontro das reivindicações estudantis) desde que assumiram a gestão.

Sem qualquer interesse em mobilizar os estudantes para a luta, única forma capaz de reverter a situação calamitosa da permanência estudantil da UEM (problemas do RU, atrasos nas bolsas, falta de moradia estudantil), o DCE optou por primeiro conversar com a diretoria do Restaurante Universitário

O saldo da reunião foi:

  • Os fornecedores de carne serão comunicados dos recentes infortúnios e o RU fará a suspensão provisória da linguiça, até que seja apurado todos os fatos;
  • A Diretoria de Assuntos Comunitários (DCT) garantiu que todos os alimentos são cuidadosamente analisados, especialmente às frutas, mas entende que por vezes algo pode passar despercebido e irá reforçar a atenção;

Como é de se esperar dado o cinismo da “solução” proposta, a suspensão das linguiças não foi o suficiente para segurar a pressão dos estudantes que passaram a exigir uma postura mais firme do DCE. Devido a isso, convocaram o primeiro CEEB após meses de gestão para discutir os problemas do RU na última quarta-feira, 10/06.

As reivindicações dos estudantes

Os centros acadêmicos e movimento TransFormação Radical pressionam e denunciam as incoerências e contradições da gestão atual dos dirigentes do movimento estudantil na UEM desde o início da nova gestão do Diretório Central. Em uma série de vídeos recentes, estudantes do Centro Acadêmico de Filosofia (CAFIL), Centro Acadêmico de Física Isaac Newton (CAFIN), Centro Acadêmico de Psicologia (CAPSI), Centro Acadêmico de Geografia (CAGEO), Centro Acadêmico de Ciências Biológicas (CACIBI), Centro Acadêmico Florestan Fernandes (CAFF), Centro Acadêmico de Enfermagem (CAENF) e Centro Acadêmico de Letras Machado de Assis (CALMA), questionam quais interesses de fato os representantes estudantis atendem, as quebras de Estatuto, a falta de debate para nomear representantes nos conselhos da Universidade e ausência de transparência financeira da entidade.

No CEEB, sobre o futuro do RU, o DCE apenas informou que irá passar um ofício para os CA’s assinarem que então será enviado à Reitoria, solicitando uma nova reunião com as entidades responsáveis pelo restaurante. Nenhuma proposta real de combate à precarização da Universidade ou defesa da permanência estudantil foi defendida pela direção, que segue esvaziada tocando sua própria agenda alinhada a seus patrocinadores.

Não podemos acreditar que a batalha por melhores condições de permanência estudantil na UEM será travada nos conselhos e reuniões palacianas, seja com a reitoria ou a atual gestão vacilante do DCE. Urge a construção de mobilizações populares sob uma linha proletária e independente de reitorias e governos, que defenda as pautas dos estudantes, professores e servidores em prol de uma Universidade Popular e que derrube os articuladores políticos dos interesses da burguesia dentro e fora da universidade.