Paralisação da coleta de lixo em Sarandi (PR) aponta falência do modelo neoliberal de gestão municipal
A categoria dos trabalhadores da coleta de lixo em Sarandi deliberou que, devido a empresa continuar a se recusar em apresentar proposta e negociar com a categoria, irão novamente paralisar os serviços na cidade a partir do dia 09/02 (segunda).

Trabalhadores da coleta de lixo paralisam o serviço, em Sarandi. Reprodução/Foto: Siemaco.
Por pão
No último dia 26 de janeiro (segunda), a Prefeitura de Sarandi foi surpreendida por uma paralisação de cerca de 25 funcionários terceirizados responsáveis pela coleta de lixo no município. Os trabalhadores reivindicam melhores condições de trabalho e salário. Os serviços foram retomados na terça-feira (27/01) após acordo com a empresa responsável, Costa Oeste Serviços LTDA, onde definiu-se um prazo de 72h para avanços nas reivindicações. Na sexta-feira (30/01) houve audiência de dissídio coletivo, onde o Sindicato dos Trabalhadores em Veículos Rodoviários de Maringá (Sinttromar) exigiu o início das negociações imediatamente, alertando da retomada da paralisação na próxima semana caso a empresa se recuse a discutir as pautas dos trabalhadores em luta.
Além da pauta salarial, os trabalhadores denunciam a falta de manutenção adequada dos caminhões de coleta, a falta dos equipamentos individuais de segurança (EPI), ausência de uniformes, falta de local para descanso e banheiro, ausência de desjejum, desconto em atestados médicos, falta de funcionários, banco de horas que não são utilizáveis, ausência de pagamento de insalubridade em alguns casos, falta de água potável no ambiente de trabalho, a impossibilidade de conferir os próprios holerites e até mesmo apontam relatos de perseguição praticada por superiores aos funcionários terceirizados. Um plano de saúde e bonificação de R$800,00 são outras das exigências da categoria.
A gestão municipal, liderada pelo prefeito Carlos De Paula (PSB), orgulha-se de “governar para o povo” mas em nota oficial aproveita para redirecionar as cobranças legítimas da população e dos trabalhadores para a empresa responsável e se exime da responsabilidade da adoção do modelo de terceirização de serviços essenciais - que, em todo Brasil, demonstra aprofundar a precarização, piorar qualidade dos serviços e aumentar seus custos.
A nota da prefeitura ressalta que a empresa já havia sido notificada por problemas no ano anterior e que não descarta o rompimento do contrato caso as irregularidades persistam. A empresa terceirizada venceu a licitação para a execução de serviços de coleta e transporte de resíduos sólidos domiciliares e comerciais em dezembro de 2024, no total de R$36.862.020,00 com vigência de cinco anos e possibilidade de prorrogação.

Audiência de dissídio coletivo, com presença do Sinttromar, trabalhadores da coleta de lixo e representantes da empresa. Reprodução/Foto: Sinttromar.
Trabalhadores em luta
O Sinttromar oficializou o prefeito de Sarandi na última terça-feira (03/02), cobrando posicionamento sobre as condições de trabalho da categoria e suas reivindicações justas. Ademais, a direção do sindicato denuncia a ausência do prefeito na última reunião apontando que “demonstra total desinteresse em buscar uma solução para os problemas dos trabalhadores por meio do diálogo e da negociação”.
A categoria dos trabalhadores da coleta de lixo em Sarandi deliberou que, devido a empresa continuar a se recusar em apresentar proposta e negociar com a categoria, irão novamente paralisar os serviços na cidade a partir do dia 09/02 (segunda).
Mais uma vez a materialidade nos mostra que o caminho para garantir um serviço de boa qualidade, tanto para população consumidora quanto para os trabalhadores, não passa pela lógica neoliberal de desestatização, privatização e terceirização, mas sim pela garantia de um serviço público efetivo, com investimento adequado e dignidade no dia a dia de cada trabalhador que opera um serviço essencial à todo sarandiense.