FedEX encerra operações de transporte doméstico no Brasil a partir de fevereiro
Com faturamento em US$22,2 bilhões em 2025, e previsão de alta para 2026, FedEx encerra parte das operações no Brasil e coloca em risco 15 mil trabalhadores da categoria logística e postal.

Reprodução/Foto: FedEx.
Por Filgueira
Em nota, a FedEX, gigante no setor de encomendas e logística, anunciou “como resposta às dinâmicas do mercado”, encerrar as operações domésticas no Brasil, concentrando as atividades apenas no transporte internacional e serviços de supply chain (serviço terceirizado que inclui transporte, armazenamento, distribuição, marketing, vendas e o pós-venda de mercadorias).
A empresa manterá os serviços contratados e terá até setembro para desmontar sua estrutura de entregas nacionais, enquanto trabalha na gestão de estoques e operações logísticas mais complexas conectando o Brasil com o exterior. O processo de desmobilização das atividades inclui o fechamento de estruturas e reorganização dos ativos logísticos, bem como pessoal e frota terrestre.
Em matéria de 2019, ao celebrar os 30 anos de operações no Brasil - com um expressivo aumento de alcance no mercado a partir da compra da operadora Rapidão Cometa em 2012 - a FedEx afirmou ter aproximadamente 15 mil funcionários em todo o país. O Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Logística Postal (SINTELPOST), ligado à central UGT (União Geral dos Trabalhadores), até o fechamento desta matéria, não se pronunciou sobre o impacto da decisão e possíveis demissões em massa, tampouco trouxe uma devolutiva à Redação após questionamento via e-mail.
Sem apontar que os Correios oferecem mais de 100 serviços públicos a população - inclusive a respeito da restituição de valores a idosos vítimas do escândalo do INSS -, auxiliando o SUS e conectando os mais de 5 mil municípios brasileiros, a mídia burguesa vem tentando traçar um paralelo entre a situação atual dos Correios com o “fechamento” da FedEx, afirmando que o Brasil se encontra em um cenário em que, para o investidor estrangeiro, há somente “insegurança, infraestrutura ruim e burocracia”, como afirmou reportagem do Jornal Nacional.
Mesmo com a suposta “instabilidade do mercado de logística”, em setembro de 2025, a FedEx apontou alta (3%) nos lucros, com receita (US$22,2 bilhões) acima do que foi antecipado pelos analistas (US$21,6 bilhões). O aumento considerável teria ocorrido devido ao “impulsionamento de envio de mais pacotes” e “redução de custos”. Para o ano fiscal de 2026, a FedEx estaria prevendo um crescimento ainda maior, de 4% a 6%, com desmembramentos e fusão de áreas e encerramento de serviços, mesmo que não gerem prejuízo direto; na prática, para maximizar os lucros, as principais consequências serão as reduções nos gastos com pessoal.