Trabalhadores da rede municipal de Curitiba (PR) aprovam greve a partir de 8 de abril

A decisão expressa o acúmulo de insatisfação com as condições de trabalho, a desvalorização profissional e o descumprimento de reivindicações históricas do magistério.

4 de Abril de 2026 às 21h00

Reprodução/Foto: Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (SISMMAC).

Por João Oliveira

As trabalhadoras e os trabalhadores da rede municipal de ensino de Curitiba (PR) aprovaram, no último dia 19 de março, em assembleia marcada por forte participação da categoria, o início de uma greve a partir do dia 8 de abril. A decisão expressa o acúmulo de insatisfação com as condições de trabalho, a desvalorização profissional e o descumprimento de reivindicações históricas do magistério.

A assembleia, considerada uma das maiores já realizadas pela categoria, reuniu centenas de trabalhadoras e trabalhadores da educação e aprovou, também, a pauta de reivindicações para 2026, que inclui demandas represadas ao longo dos últimos anos e novas urgências que afetam diretamente o cotidiano das escolas públicas.

Entre os principais problemas apontados estão o congelamento da carreira, salários defasados, salas superlotadas, falta de profissionais nas escolas e ausência de estrutura adequada para atender estudantes, especialmente aqueles que necessitam de acompanhamento especializado. A categoria denuncia ainda o não cumprimento de promessas por parte do prefeito Eduardo Pimentel (PSD) e a demora na implementação de medidas já aprovadas.

Outro ponto central da mobilização é a falta de contratação de professoras e professores. De acordo com representantes sindicais, há um déficit significativo de profissionais nas unidades escolares, enquanto concursos públicos realizados não resultaram na convocação necessária de novos docentes.

A decisão pela greve marca o início de um processo mais amplo de mobilização. A categoria já anunciou a criação de comandos locais de greve, organização de atividades nas escolas e ações de diálogo com a comunidade escolar, buscando ampliar o apoio do povo trabalhador curitibano à luta em defesa da educação pública.

Para o magistério, a paralisação não é um fim em si mesmo, mas um instrumento de pressão diante do que consideram um cenário de descaso com a educação. A avaliação predominante entre as trabalhadoras e os trabalhadores é de que, sem mobilização, não haverá avanços concretos nas negociações com a Prefeitura de Curitiba.

A greve, marcada para iniciar no dia 8 de abril, deve impactar o funcionamento das escolas municipais, colocando novamente em evidência o debate sobre investimento público, valorização dos profissionais da educação e as condições reais de ensino nas redes municipais do Paraná e de todo o país.

O movimento em Curitiba se insere em um contexto mais amplo de precarização da educação pública no Brasil. A luta das professoras e dos professores evidencia a contradição entre o discurso oficial de valorização do ensino e a realidade enfrentada diariamente nas escolas. Além disso, o Arcabouço Fiscal (Teto de Gastos) tem impactado diretamente o investimento dos municípios em setores como a educação.

Para as trabalhadoras e os trabalhadores, a greve é um chamado à sociedade: defender os direitos dos educadores é, ao mesmo tempo, defender o direito à educação de qualidade para a classe trabalhadora.