Comunidade do Jardim Tatiana voltam a denunciar cortes de luz em meio a operações policiais

Moradores afirmam que ação desta segunda-feira (14) relembra episódio de 2021, quando dezenas de famílias ficaram semanas sem energia elétrica em meio à crise sanitária da Covid-19.

15 de Julho de 2026 às 12h00

Viatura da Polícia Militar durante operação no jardim tatiana, em Votorantim (SP), em 14 de julho de 2026. Reprodução/Foto: Jornal O Futuro.

Uma operação realizada na manhã desta segunda-feira (14) pela CPFL Piratininga com apoio da Polícia Militar voltou a gerar tensão entre moradores da comunidade do Jardim Tatiana, em Votorantim. Segundo relatos da população, a ação teve como objetivo combater ligações irregulares de energia e água, mas foi marcada por abordagens consideradas abusivas e corte no fornecimento de energia de duas casas.

A operação ocorreu nas proximidades da Rua Adriano Maciel de Queiroz. Moradores afirmam que equipes da concessionária chegaram acompanhadas por policiais militares e iniciaram a retirada de ligações consideradas clandestinas. Durante a ação, uma residência teria sido invadida, e famílias relataram momentos de medo e intimidação.

"Ninguém aqui é contra a regularização. Quando falta água ou energia, somos nós que sofremos. Às vezes passamos dias sem abastecimento. O que queremos é ter acesso regular à água e à luz, como qualquer trabalhador", afirmou um morador que prefere não se identificar.

Os relatos desta segunda-feira reacendem a memória de um episódio semelhante ocorrido em 26 de maio de 2021, durante a fase mais grave da pandemia de covid-19.

Na ocasião, uma operação da CPFL, também acompanhada pela Polícia Militar, retirou ligações elétricas de uma ocupação na região do Jardim Novo Mundo/Jardim Tatiana. Após a ação, moradores organizaram protestos e denunciaram o fato de que dezenas de famílias permaneceram sem energia elétrica por semanas.A Prefeitura de Votorantim informou, naquele momento, que a situação fundiária da área ainda estava em processo de estudo, mas não apresentou uma alternativa para as famílias atingidas.“Agora não tem culpa do quê? O Rogério ‘tá’ acabando com a paz da nossa comunidade, nós já não temos paz pra morar aqui. Eu preciso de ajuda, o que eu faço? Estão oprimindo os moradores também”, denuncia uma das moradoras em áudio que circula os grupos da região.

O Rogério mencionado é o vereador Rogério Lima (Republicanos) que, em diversas ocasiões, publicou em suas redes sociais que “ocupações e barracos prejudicam projetos habitacionais” dele. O vereador nunca apresentou um projeto de habitação aos moradores do Jardim Tatiana — as propostas mencionadas, no caso, são para oferta de imóveis novos com valor de mercado incompatível com a demanda social.

Moradores também relacionam a operação desta segunda-feira (14) a uma ação realizada no dia anterior na região. Segundo relatos da comunidade, o vereador Rogério Lima (PP) acompanhou uma operação policial que contou com a presença de equipes da Polícia Militar, cavalaria e sobrevoo de helicóptero. Durante a atividade, o parlamentar publicou fotografias ao lado das forças de segurança.

Na avaliação de moradores ouvidos pela reportagem, a mobilização teve caráter ostensivo e foi percebida como uma forma de intimidação às famílias da comunidade, ampliando o clima de tensão que antecedeu a operação da CPFL realizada no dia seguinte.

Moradores também relacionam a operação desta segunda-feira (14) a uma ação realizada no dia anterior na região. Segundo relatos da comunidade, o vereador Rogério Lima (PP) acompanhou uma operação policial que contou com a presença de equipes da Polícia Militar, cavalaria e sobrevoo de helicóptero. Durante a atividade, o parlamentar publicou fotografias ao lado das forças de segurança.

Na avaliação de moradores ouvidos pela reportagem, a mobilização teve caráter ostensivo e foi percebida como uma forma de intimidação às famílias da comunidade, ampliando o clima de tensão que antecedeu a operação da CPFL realizada no dia seguinte.