EDITORIAL: Pela Reconstrução Revolucionária do Movimento Comunista no Brasil!

A construção de um Partido que esteja à altura das tarefas imediatas e futuras da classe trabalhadora segue sendo nossa tarefa fundamental.

1 de Julho de 2026 às 17h30

No meio do ano traçado pelas disputas das eleições burguesas, os ataques à classe trabalhadora seguem avançando em diversas frentes. Enquanto o empresariado e seus representantes procuram aprofundar a exploração do trabalho, governos mantêm políticas de ajuste fiscal, privatização e retirada de direitos por meio de um processo contínuo de desregulamentação do trabalho. Em resposta, trabalhadores, mulheres, estudantes e servidores públicos seguem construindo importantes mobilizações no Brasil e no mundo. Nesse cenário, a construção de um Partido que esteja à altura das tarefas imediatas e futuras da classe trabalhadora segue sendo nossa tarefa fundamental, reforçando nosso princípio de aprofundamento da Reconstrução Revolucionária do Partido Comunista. 

Desde o final de 2024, o PCBR e a UJC estiveram presentes em todas as etapas da luta pela redução da jornada de trabalho. A aprovação da PEC pelo fim da escala 6x1 representa uma importante vitória da classe trabalhadora, mas sua efetivação permanece em disputa. Ao mesmo tempo, a realidade das trabalhadoras e trabalhadores é outra: milhões de trabalhadores continuam submetidos a jornadas que ultrapassam, na prática, as 44 horas semanais, entre banco de horas, longos deslocamentos e a informalidade. Mais que nunca, na reta final dessa luta, agora é a hora de reforçarmos a bandeira que levanta a necessidade das 30h semanais, numa jornada 4x3. 

Também se intensificam os ataques aos serviços públicos. A retomada da Reforma Administrativa busca desmontar o Estado para ampliar os espaços de lucro do setor privado, enquanto greves, como a dos trabalhadores da educação municipal de São Paulo, demonstram que a resistência às políticas neoliberais de gestão continua sendo uma necessidade imediata. O mesmo se expressa na organização da campanha salarial da categoria dos bancários, diante da crescente exploração promovida pelo sistema financeiro.

Ao lado da retirada de direitos, fortalece-se o avanço da repressão estatal: a retomada da redução da maioridade penal e a expansão das escolas cívico-militares revelam a tentativa de responder às contradições sociais por meio da criminalização da juventude e da militarização da educação, em que ambas servem como forma central de controle da força de trabalho, seja por meio de coerção e violência, seja por meio da vigilância e monitoramento.

Como força auxiliar do proletariado, a organização dos estudantes revolucionários nos locais de estudo demonstram a crescente disposição do movimento estudantil em construir oposição à majoritária da União Nacional dos Estudantes (UNE) e às políticas de conciliação de classes. Os resultados dos processos eleitorais da disputa das entidades estudantis é a expressão da força dos estudantes no auxílio às lutas gerais da classe trabalhadora. 

Importantes datas históricas surgem como um chamado à luta e um reforço à memória. O 2 de Julho, na Bahia, que celebra a verdadeira independência do Brasil, e o 25 de Julho, Dia Internacional das Mulheres Negras Latinoamericanas e Caribenhas, nos lembram que a verdadeira independência só se dará com o socialismo e que a emancipação de um povo será sempre fruto da sua capacidade de organização para as lutas. 

Em diferentes países, assim como no Brasil, essas inúmeras formas de luta e mobilização demonstram que somente a organização independente da classe trabalhadora poderá enfrentar a ofensiva do capital.