Marcha Trans pelo Bem Viver reúne organizações e apoiadores em Londrina (PR)

Sob o lema de dignidade, visibilidade e inclusão, a Marcha Trans percorreu um trecho do centro até a Concha Acústica, espaço público onde foram realizadas apresentações culturais e falas de lideranças.

5 de Fevereiro de 2026 às 15h00

Reprodução/Foto: Cecília França / Jornalista.

Por João Oliveira

No último dia 25 de janeiro, centenas de pessoas se reuniram no centro de Londrina (PR) para a 2ª edição da Marcha Trans pelo Bem Viver, mobilização que ocupou as ruas da cidade com o objetivo de reivindicar direitos, combater a transfobia e fortalecer a visibilidade da comunidade trans e travesti local.

A concentração começou no início da tarde na área do chafariz, no Calçadão, onde militantes, familiares, amigos e apoiadores se juntaram com faixas e cartazes.

Sob o lema de dignidade, visibilidade e inclusão, a Marcha Trans percorreu um trecho do centro até a Concha Acústica, espaço público onde foram realizadas apresentações culturais e falas de lideranças.

Direitos, políticas públicas e visibilidade

Organizada pela Frente Trans de Londrina, a marcha integrou o calendário do Mês da Visibilidade Transexual, mês dedicado a destacar as lutas, conquistas e desafios da população trans e travesti no Brasil.

Durante o evento, participantes destacaram a necessidade urgente de políticas públicas concretas nas áreas de saúde, educação, trabalho, moradia, cultura e assistência social, além de medidas que enfrentem a violência e a exclusão social sofridas historicamente por pessoas trans e travestis.

A Frente Trans enfatizou a participação de outros coletivos e movimentos sociais, além de projetos universitários e organizações não governamentais, que contribuíram para ampliar o alcance da mobilização.

Cultura e resistência

Ao longo do trajeto e nas atividades finais na Concha Acústica, a Marcha Trans combinou tom de protesto com celebração cultural. Apresentações artísticas de artistas locais reforçaram a ideia de que a luta por direitos também passa pela afirmação de identidades e narrativas positivas sobre a população trans e travesti.

Participantes relataram que o sentimento predominante foi de união e resistência, reforçando que mobilizações como esta são espaços de encontro comunitário e de visibilidade política e social para uma população frequentemente marginalizada.

Ataques à população trans e travesti

Em 2023, ocorreu um aumento de mais de 170% de projetos de lei (PL) anti-trans referente ao período 2019-2022. Esses PLs são aliados a outros acessórios, todos protagonizados pela extrema-direita, buscando criar as bases para um verdadeiro genocídio da população trans e travesti.

Esses projetos buscam a segregação do acesso da população trans e travesti aos espaços públicos e privados, impedem a veiculação pública de sua imagem, restringem e criminalizam seu acesso à saúde especializada e criam todo um arcabouço penal para encarcerar essa população, seja por viver plenamente em sociedade, seja em decorrência do aumento da punitividade às pessoas mais marginalizadas, buscando, inclusive, criar espaços prisionais segregados apenas para essa população.

Ademais, o Governo Lula, ao manter o projeto herdado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de identificação obrigatória de “sexo” via nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), aprova o primeiro passo, pois resulta na identificação de qualquer pessoa que desvie dos padrões de gênero.

A luta continua

É preciso iniciar um duro enfrentamento, por parte de todos os organismos populares e públicos, a todas as formas de opressão e discriminação. Enquanto não haja igualdade absoluta no acesso à educação e no mundo do trabalho, defendemos a aplicação de cotas sociais, étnico-raciais, de gênero, para pessoas trans, travestis e com deficiência.

É preciso coibir toda forma de discriminação racial, de gênero e de sexualidade, por meio de medidas tanto coercitivas quanto pedagógicas. Defendemos uma sociedade em que a diversidade da vida humana seja plena, em sua dimensão afetiva e de identidade pessoal e coletiva.