Mobilização da oposição bancária faz chamado para discussão de estado de greve

A paralisação do dia 20 provou algo elementar: mobilização muda a correlação de forças. Mas uma paralisação de 24h não pode ser tratada como um fim em si. Ela precisa ser o início de um processo crescente de organização

25 de Agosto de 2026 às 21h00

Bancários na Bahia presentes na paralisação nacional de 20 de agosto. Foto: Jornal O Futuro.

Por Maíra Nery e Rhuan Maciel 

A paralisação nacional de 20 de agosto marcou uma mudança importante na Campanha Nacional dos Bancários de 2026. Depois de anos sem uma mobilização nacional dessa dimensão, bancários de bancos públicos e privados cruzaram os braços em diferentes regiões do país, fecharam agências e demonstraram, na prática, que existe disposição para enfrentar a intransigência dos bancos.

E a pressão começou a produzir efeitos antes mesmo do dia 20. Na rodada de negociação de 18 de agosto, a Fenaban tentou condicionar a realização de uma nova negociação à suspensão da paralisação que já havia sido aprovada soberanamente pelas assembleias da categoria. O Comando Nacional recusou a condição e manteve a mobilização.

A resposta das assembleias também obrigou a Fenaban a retirar da mesa propostas que atacavam diretamente a unidade da categoria, como o congelamento do piso de ingresso e a aplicação de reajustes diferenciados por faixas salariais. Nada disso aconteceu por generosidade dos bancos. Aconteceu porque milhares de bancários rejeitaram a proposta, aprovaram a paralisação e demonstraram disposição para parar.

O dia 20 provou uma coisa elementar: mobilização muda a correlação de forças. Mas uma paralisação de 24 horas não pode ser tratada como ponto de chegada. Ela precisa ser o início de um processo crescente de organização.

A Campanha Salarial entra agora em um momento decisivo. A data-base de 1º de setembro se aproxima e não podemos permitir que a força construída nas assembleias e demonstrada nas ruas e nos locais de trabalho seja substituída novamente pela expectativa em sucessivas rodadas de negociação.

Isso não significa abandonar a mesa. Pelo contrário. Entendemos que essa negociação precisa ser sustentada pela força da categoria mobilizada. A mesa não pode funcionar como um espaço no qual os trabalhadores aguardam para descobrir quanto os bancos estão dispostos a conceder. Ela deve servir para transformar em conquistas aquilo que nossa organização for capaz de arrancar.

Os bancos têm condições econômicas para atender às reivindicações dos trabalhadores. Enquanto acumulam lucros bilionários, os bancários convivem diariamente com metas abusivas, adoecimento, fechamento de agências, redução de postos de trabalho, sobrecarga e pressão permanente por resultados.

Portanto, o problema não é falta de recursos. É correlação de forças. E justamente por isso seria um erro permitir que a mobilização do dia 20 se dissipasse. Qualquer proposta apresentada pela Fenaban deve ser submetida à avaliação soberana da categoria, que também precisa decidir os próximos passos da mobilização. Nenhuma negociação substitui a soberania das assembleias.

É hora de convocar novas assembleias, colocar em discussão o estado de greve, ampliar a organização nos locais de trabalho e preparar concretamente a categoria para um novo patamar de enfrentamento.

Se os bancos permanecem intransigentes, precisamos estar preparados para avançar da paralisação de 24 horas para a greve nacional por tempo indeterminado. Não como palavras de ordem vazias. Não como uma greve decretada de cima para baixo. Mas como resultado de um processo consciente de convencimento, organização e mobilização da categoria.

Cada agência fechada no dia 20 mostrou que isso é possível. Cada colega que decidiu parar mostrou que existe disposição. Cada tentativa dos bancos de impedir a mobilização mostrou que eles também compreenderam a força que ela pode alcançar.

Depois de tantos anos sem uma greve nacional unificada, temos diante de nós a oportunidade de reconstruir essa capacidade coletiva. Não podemos transformar o dia 20 apenas em uma demonstração isolada para depois voltarmos à normalidade enquanto aguardamos a próxima proposta.

Em diferentes bases, trabalhadores já estão tomando iniciativas para pressionar as direções sindicais e defender a continuidade da campanha. Na Bahia, no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, em Ribeirão Preto e em São Paulo, manifestos construídos por setores da oposição bancária apontam para a necessidade de convocar novas assembleias, discutir o estado de greve e preparar uma greve nacional, que já contam com centenas de assinaturas e demonstram a disposição da categoria bancária em lutar.

Por isso, em cada agência, departamento, prédio administrativo e local de trabalho, é hora de conversar com os colegas, organizar a base, participar das assembleias e exigir das direções sindicais um calendário concreto de continuidade da mobilização.

Precisamos transformar a paralisação em organização. Transformar organização em pressão. Transformar essa pressão em greve. O dia 20 mostrou a nossa força. Agora é hora de fazê-la avançar.

Se a Fenaban não cede, que a categoria decida: do dia 20 à greve nacional.