Jones Manoel sofre perseguição da direita por defender a resistência palestina
Após o debate contra Eduardo Moura (Novo), a direita voltou a atacar Jones (PSOL) com uma campanha de difamação, editando uma fala sua em que expressava a defesa do direito à resistência do povo palestino.

Foto:Reprodução/O Povo
Durante a transmissão do podcast Fala Ordinário, que foi ao ar em 22 de julho, com debate entre os pré-candidatos a deputado federal Jones Manoel (PSOL-PE) e Eduardo Moura (NOVO-PE), o tema do direito à resistência do povo palestino foi levantado pelo candidato da direita, em movimento que foi seguido de uma uma tentativa de posterior descaracterização da fala de Jones.
O episódio ocorreu ao fim do debate, durante o bloco de tema livre. Moura, nesse momento, mostra um vídeo de uma sionista que alega ter sido estuprada pelo grupo de resistência palestino Hamas durante a operação militar Tempestade de Al-Aqsa e pergunta a Jones seu posicionamento.
“Eu apoio a emancipação da Palestina do rio ao mar. Eu apoio que se pare a barbárie, o genocídio que Israel está praticando não só contra o povo palestino, mas contra o povo libanês e contra o povo do Irã. Israel é uma besta nazisionista, é um regime de apartheid, um regime racista que é o mais próximo que nós temos do nazismo hoje”, afirmou o militante do PSOL em resposta.
Logo após à finalização do podcast, não demorou para que o militante do Partido Novo – que também é vereador do Recife –, várias outras figuras da direita e apoiadores do regime sionista postassem cortes deturpando a fala de Jones. Os ataques às falas do companheiro visam, principalmente, deslegitimar a luta de todo um povo por libertação nacional e emancipação da barbárie da ocupação sionista. No caso particular, a intenção é também atacar a imagem de Jones, alegando que ele seria “a favor” de estupros, buscando constranger e silenciar cada vez mais vozes que combatem o sionismo.
O que acontece nesse caso não é algo novo. Desde a brava operação da resistência palestina no 7 de outubro de 2023, o Estado de Israel e a propaganda sionista têm se utilizado de denúncias, muitas vezes falsas, de violência sexual contra mulheres e até crianças para descredibilizar todas as organizações da resistência palestina. Buscam, dessa forma, silenciar também qualquer pessoa que se levanta em solidariedade ao povo palestino, alegando que estão defendendo esses supostos “crimes do Hamas”.
É necessário dizer que a defesa da Palestina, de seu povo e de qualquer forma de resistência contra a ocupação colonial e ao imperialismo sionista são tarefas de toda a classe trabalhadora e de todos aqueles que se reivindicam revolucionários. Israel comete diariamente, há mais de 78 anos, um genocídio contra os palestinos e trava guerras e massacres contra os países em volta - como nos casos mais recentes no Líbano, Síria, Irã - com expectativas expansionistas.
Ao longo dos últimos anos temos visto casos de difamação de figuras que se colocam solidárias à luta pela libertação do povo palestino, como o companheiro Zé Maria do PSTU - que teve uma acusação criminal de antissemitismo por defender a Palestina - ou a companheira Rawa Alsagheer - vítima de ataques racistas, arabofóbicos e misóginos a sua pessoa.
O sionismo busca diariamente a criminalização do movimento em solidariedade à Palestina. Recentemente, está acontecendo uma movimentação coordenada em diversas casas legislativas brasileiras para a adoção da definição do IHRA sobre antissemitismo, que busca igualar posições de combate ao sionismo, uma doutrina colonial e racista, como crime de antissemitismo. No Brasil esse movimento vem sendo capitaneado por Tábata Amaral (PSB) e seu projeto de lei, visando legitimar os crimes cometidos pelo Estado de Israel.
Essas tentativas de criminalização do crescente movimento de solidariedade ao povo palestino demonstram o caráter autoritário do sionismo, que se utiliza de todas as táticas possíveis para silenciar os críticos de sua política de extermínio e supremacia étnica.
Em março deste ano, foi aprovada uma lei no parlamento israelense que institui a pena de morte para presos palestinos nas masmorras israelenses. Membros da resistência palestina armada ou não, os palestinos vem sendo expulsos de suas casas e presos aos milhares por decisões arbitrárias nos vários checkpoints instalados pelo regime sionista na Palestina ocupada. É necessário seguir afirmando que todo preso palestino em Israel é um preso político, assim como são imprescindiveis as exigências de libertação de todos eles.
É preciso uma posição firme e contundente, sem vacilações, contra Israel e seu projeto colonial e genocida. Saudamos todos aqueles que se colocam solidários ao povo palestino, como é o caso de Jones, e repudiamos os ataques da direita para silenciar as vozes antissionistas. Seguiremos lutando e apoiando a resistência palestina, principalmente a resistência armada contra a violência do colonialismo sionista, que somente pode ser parado ao encontrar uma força violenta maior que se contraponha a ele.
Enquanto comunistas, assumimos enquanto central a tarefa de solidariedade ao povo e à resistência palestina. Desde 2023, mobilizações históricas se espalham mundo afora sob a forma de atos e greves em apoio ao povo palestino, como a paralização dos portos na Grécia para barrar o envio de petróleo a Israel, cortando parte significativa do combustível da força de ocupação sionista. No Brasil, porém, o movimento tem sido insuficiente. O governo brasileiro segue na posição de se recusar a romper relações com o regime colonial e racista israelense.
É fundamental que sejam amplificados todos os esforços em auxílio à luta de libertação do povo palestino, compreendendo que a libertação de nossos irmãos também é nossa libertação. O petróleo e aço brasileiros estão sendo enviados para alimentar a máquina genocida israelense enquanto nosso próprio povo sofre através das armas exportadas por Israel ao Estado brasileiro e que são utilizadas para assassinar brasileiros nas favelas e periferias.
O Brasil não pode seguir sendo cúmplice do genocídio do povo palestino. A organização da classe trabalhadora brasileira em luta deve assumir para si a tarefa de derrotar o sionismo. Avançar na luta pela derrubada do capitalismo é o caminho para garantirmos também o maior apoio à luta do povo palestino em sua libertação. A Palestina será livre do rio ao mar!