Centro de Convivência Intergeracional de Piracicaba sofre desmonte
A Prefeitura de Piracicaba ameaça o fechamento de unidades do Centro de Convivência Intergeracional (CCINTER), sob o pretexto de necessidade do reordenamento de serviços socioassistenciais

Secretaria Municipal de Assistência, Desenvolvimento Social e Família. Foto: Site da Prefeitura de Piracicaba.
A Prefeitura de Piracicaba ameaça o fechamento de unidades do Centro de Convivência Intergeracional (CCINTER), sob o pretexto de necessidade do reordenamento de serviços socioassistenciais (Portaria 03/2026 do dia 14/04/2026). A ação repercutiu nas redes do Fórum municipal dos trabalhadores do SUAS de Piracicaba, culminando em uma reunião com o secretário Edvaldo Brito (AVANTE-SP), organizações políticas e de Usuários do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) .
Não é a primeira vez que questões relacionadas ao desmonte do SUAS piracicabano ganham destaque na atual gestão. Ainda este ano publicamos a matéria intitulada “Desmonte da assistência social de Piracicaba afeta a população vulnerável” e uma nota, ambos denunciando a precarização da assistência social na cidade. Esse não é, portanto, um caso recente. A ameaça se relaciona ao projeto de desmonte dos direitos sociais conduzidos por uma prefeitura alinhada aos interesses da burguesia e que não considera como importante a manutenção das estruturas de assistência social.
Apesar do secretário de assistência social negar o fechamento de unidades, houve demissões massivas de trabalhadores dos CCINTER, denúncia essa comprovada em diálogo com o sindicato das entidades beneficentes (SIETHOSP), que é o sindicato dos trabalhadores terceirizados do SUAS. Segundo as denúncias, foram 21 desligamentos de trabalhadores dos 8 CCINTER, iniciados com o aviso da Organização da Sociedade Civil (CESAC), que é parceira da prefeitura (PPP), no dia 23/06
. As PPPs já são, em si, parte de um projeto de privatização e precarização dos serviços públicos. O anúncio dos cortes e de formatos de equipes reduzidas apenas confirmam isso.
Os relatos incluem a sobrecarga aos trabalhadores que restaram nas 8 unidades e a dificuldade de atender as demandas dos usuários dos CCINTER, pois os bolsistas da Frente de Trabalho não possuem frequência ativa ao trabalho, fato dado pela precariedade no atendimento à população beneficiada por este Programa. No município faltam 1 CAPS III 24 horas, 1 Centro Pop, 1 CAPS AD 24 horas e servidores públicos da assistência social e da saúde para qualificar o atendimento a esta população vulnerável. Contratados e muitas vezes terceirizados, os funcionários não têm estabilidade, dificultando mesmo as mobilizações pela melhora dos serviços.
Enquanto são aplicados os cortes de gastos, no dia 3 de julho de 2026 o Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) anunciou a resolução, prevendo o envio dos planos de trabalho com emendas parlamentares, para que os conselheiros possam analisar antecipadamente as suas aprovações. Apesar de ser uma medida que, em tese, representa tempo hábil para o CMAS conseguir estudar a destinação das emendas, o controle social não pode decidir a melhor forma de aplicação para a política municipal de Assistência Social. A crítica se fortalece ao se observar que políticas dessa natureza costumam ser lançadas em Organizações da Sociedade Civil (OSC), deixando de lado serviços públicos essenciais como os CRAS. Essas emendas servem, portanto, não apenas como mecanismo de proteção social, mas também como instrumento de ampliação de capital político e filantrópico dos parlamentares.
O desmonte de um serviço social tão importante se alinha, como podemos ver, ao jogo de interesse dos parlamentares, que não tem nenhuma preocupação com as condições dos trabalhadores que atuam nesse setor, nem com a população que precisa ser atendida por esses serviços.