Por que educar revolucionariamente?

O PCBR iniciou a implementação de seu Sistema Nacional de Formação Política para a militância. A formação é concebida para nós como parte central da luta teórica pela posição proletária e da construção de quadros de um partido marxista-leninista

15 de Outubro de 2026 às 0h00

4º Seminário de Formação em São Paulo. Foto: Jornal O Futuro.

[...] Será nomeadamente o dever dos dirigentes esclarecer-se cada vez mais sobre todas as questões teóricas, libertar-se cada vez mais da influência de frases tradicionais, pertencentes à velha visão do mundo, e ter sempre presente que o socialismo, desde que se tornou uma ciência, também quer ser exercido como uma ciência, isto é, estudado. A questão há-de ser difundir com zelo crescente entre as massas operárias a inteligência assim ganha, cada vez mais clarificada, tornar cada vez mais firmemente coesa a organização do partido e bem assim das associações sindicais. [...] Friedrich Engels, Nota Prévia a “Guerra dos Camponeses Alemães”

O PCBR iniciou, em setembro deste ano, a implementação de seu Sistema Nacional de Formação Política para todos os militantes. A Formação Política é concebida, para nós, como parte central da luta teórica pela posição proletária e da construção de quadros de um partido marxista-leninista, sendo ainda mais central em períodos de descenso da luta organizada da classe trabalhadora. Quando a mobilização espontânea das massas diminui e as organizações perdem capacidade de "trabalho político", na ausência de consolidação de um Partido revolucionário que realize a luta ideológica dentre as massas trabalhadoras, a formação política e teórica é o que nos garante não ser dirigidos por outra classe. Um Partido que não organiza sistematicamente sua formação compromete sua capacidade de construir hegemonia.

Como Partido nacionalizado, nosso Sistema foi pensado como política nacional e não como soma de iniciativas locais. Para alcançar os nossos objetivos, a educação revolucionária deve atuar com unidade de princípios e conteúdo, superando a iniciativa anterior que elaborou material de propaganda disponibilizado em nosso canal do YouTube. Reconhecemos que essa iniciativa alcançava mais facilmente a divulgação, a veiculação e a circulação da teoria revolucionária — ou seja, cumpria o aspecto da propaganda. Entretanto, entendemos que a formação de um Partido de quadros deve superar essa mecânica de visualizações e estudo individual para alcançar formas mais avançadas de estudo, que sejam progressivas e contínuas.

Pouco adianta termos desenvolvimentos individuais – e desiguais – da capacidade de propagandear se não pensarmos de maneira estratégica por que, como e onde formar os nossos militantes. O trabalho editorial que vem sendo feito pelo nosso Conselho Editorial, por exemplo, integra a estrutura que faz com que a circulação dos conteúdos seja precisamente pensada para a formação dos militantes do Partido. Como resgatamos em Lenin, “a atividade literária deve tornar-se uma parte do trabalho partidário social-democrata organizado, planificado, unificado”. O estudo rigoroso individual de cada militante é, ainda, muito importante; sem o esforço de cada revolucionário para conhecer conceitos e preceitos históricos, a compreensão necessária para produzirmos melhores e mais avançadas análises de conjuntura seria inviável.

O Sistema, como parte do processo de formação de quadros de um partido marxista-leninista, integra a própria construção de Partido, e deve ser capaz de fortalecer nossa unidade ideológica e desenvolver nossas capacidades organizativas. Por isso, é dever de todo organismo partidário participar da sua implementação. Nosso Sistema irá se iniciar com formações voltadas às direções intermediárias, visando qualificar nossa intervenção e desdobrar nossa linha congressual e nossas tarefas políticas, sob responsabilidade do Comitê Central. Essas direções irão, posteriormente, aplicar o módulo básico aos organismos subordinados a elas.

Não há formação revolucionária sem relação viva entre teoria e prática, o que significa dizer que a teoria deve clarificar a intervenção concreta, e a prática deve retornar como objeto de estudo e crítica, permitindo que a compreensão teórica se ele até a capacidade de generalizar as experiências de luta. A formação de quadros deve armar a militância para a sua tarefa de vanguarda, isto é, conectar as experiências reais da militância e as pautas econômicas e imediatas de seus locais de atuação à teoria revolucionária, elevando-se da consciência puramente econômica à consciência revolucionária. Dessa forma, nosso Sistema Nacional de Formação Política responde à necessidade de superar a fragmentação, o espontaneísmo, o pragmatismo e a formação irregular da militância.