EDITORIAL: Construir o jornal, construir o Partido, construir o futuro!

A condição de vanguarda se conquista na capacidade de compreender o movimento da sociedade, reconhecer suas contradições e organizar a intervenção do proletariado sobre elas.

1 de Setembro de 2026 às 15h00

Foto: Franthesco Fioravanço/Jornal O Futuro.

O Jornal O Futuro completa dois anos com esta edição de setembro, em que reafirmamos a concepção que orientou sua fundação: a imprensa comunista é parte constitutiva da organização revolucionária do proletariado. Sua produção e circulação incidem sobre a formação política da classe e a capacidade de intervenção dos comunistas. O exercício de avaliação do caminho percorrido não é um mero reconhecimento das conquistas partidárias; ao contrário, é rediscutir nossas bases e reavaliar o trabalho que fizemos até aqui.

Erguer e sustentar um jornal impresso, nacional e mensal, foi uma das primeiras grandes tarefas assumidas após o XVII Congresso Extraordinário do Partido Comunista. Sua continuidade materializa o esforço de retomada da reconstrução revolucionária, iniciado com a circulação das tribunas preparatórias ao congresso e hoje conduzido pelo Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) a partir da organização da polêmica pública por meio da imprensa partidária. O trabalho de redação, edição e distribuição mobilizou camaradas pelo país, constituindo vínculos entre a organização e seus leitores. É dessa dedicação coletiva que provém a força material de uma imprensa independente da burguesia.

A necessidade dessa imprensa se impõe pelas próprias condições da luta de classes. O domínio burguês se reproduz também na capacidade de apresentar os interesses dos proprietários como necessidades de toda a sociedade, por meio de uma imprensa que naturaliza a exploração, subordina os conflitos ao calendário institucional e procura circunscrever as aspirações populares aos limites da ordem capitalista. A independência política dos trabalhadores exige meios próprios para interpretar a realidade, confrontar as concepções dominantes e formular seus objetivos. É nesse terreno que O Futuro trava sua luta, e também reconhece seus limites.

Por isso, discutir o jornal é discutir o partido. A condição de vanguarda se conquista na capacidade de compreender o movimento da sociedade, reconhecer suas contradições e organizar a intervenção do proletariado sobre elas. Essa capacidade pressupõe a formação de quadros, a elaboração de uma orientação comum e sua apropriação pelo conjunto da militância. Como Órgão Central, que é parte especializada da direção partidária, o jornal participa dessa construção: reúne experiências, desenvolve análises e contribui para que a organização atue com unidade de concepção e de ação.

Em Uma questão urgente, Lênin afirmava: “Somente a criação de um órgão central do Partido pode dar a cada ‘agente parcial’ da causa revolucionária o sentimento de marchar ‘nas fileiras’”. A formulação exprime uma necessidade que conserva sua atualidade: cada tarefa particular deve encontrar seu sentido no movimento do conjunto. O trabalho de uma organização local, a intervenção numa categoria e a denúncia de uma violência precisam ser relacionados à luta política de toda a classe, nacional e internacionalmente. O jornal constitui um dos meios pelos quais essa relação se torna consciente, regular e organizada.

A centralização da imprensa tem, assim, um conteúdo político: elaborar uma compreensão comum da luta de classes, capaz de orientar a atividade dos comunistas nas condições particulares em que atuam. A passagem da reivindicação imediata à luta pelo poder exige que se revelem as relações entre exploração econômica, dominação política e reprodução da ordem burguesa. A agitação e a propaganda devem contribuir para esse desenvolvimento da consciência, articulando a experiência cotidiana dos trabalhadores ao programa da revolução socialista. É nessa articulação que o jornal cumpre sua função de organizador coletivo.

A luta pela hegemonia proletária atravessa todo esse esforço. Trata-se de desenvolver a capacidade de nossa classe de dirigir politicamente as demais camadas de explorados e oprimidos, afirmando seus interesses próprios e demonstrando seu alcance emancipador. Isso exige combater as influências burguesas no movimento operário, enfrentar a conciliação de classes e disputar os rumos das lutas. A imprensa comunista deve intervir nesse confronto com firmeza teórica, tornando compreensíveis as diferenças entre os projetos políticos e as consequências práticas de cada orientação.

Na Declaração da Redação do Iskra, Lênin advertia: “Antes de podermos nos unir, e para que possamos nos unir, devemos, antes de tudo, traçar linhas de demarcação firmes e precisas. Caso contrário, nossa unidade será puramente fictícia; ela ocultará a confusão existente e impedirá sua eliminação radical”. A unidade revolucionária requer essa disposição para o esclarecimento. Reafirmar o marxismo-leninismo significa submeter os acontecimentos e nossas próprias formulações à investigação rigorosa, desenvolver a polêmica necessária e consolidar convicções capazes de orientar a ação. A coesão ideológica se constrói nesse trabalho permanente.

A experiência desses dois anos impõe desenvolver a capacidade de distinguir o essencial do secundário e formular as tarefas de cada conjuntura. As mudanças que apresentamos aprofundam a elaboração coletiva, fortalecendo o jornal como espaço de síntese e de direção política.

É nesse sentido que se coloca uma necessária reorganização do Jornal O Futuro: superadas as divisões que mais se assemelhavam à distribuição burguesa de recortes temáticos, dividimos agora em Política, Movimento Operário, Internacional, Luta Teórica e Cadernos da Juventude, seções que compõem uma disposição voltada à articulação de nossas prioridades. Cada seção deve ser compreendida como parte de uma elaboração comum, em que os problemas particulares são examinados em sua relação com a totalidade da luta de classes. A política nacional, os conflitos entre capital e trabalho, a ação do imperialismo e a organização da juventude exigem uma perspectiva capaz de reconhecer suas conexões. As mudanças expressam o compromisso com uma direção ideológica coesa e com a responsabilidade coletiva por seu desenvolvimento.

Esse compromisso exige elevar a qualidade de nossa imprensa. A apuração dos fatos, a precisão das informações e o domínio dos recursos de linguagem são condições para uma análise consequente. A crítica marxista se fortalece ao demonstrar, nas relações concretas, aquilo que a aparência dos acontecimentos encobre e pode pôr até os mais ativos militantes a reboque de outras classes sociais. Do vínculo entre uma imprensa leninista com a luta econômica, política e teórica partem nossas denúncias e formulações, submetendo a experiência ao estudo e devolvendo-a à classe como instrumento de compreensão e de organização.

Nos meios digitais e no desenvolvimento de outras linguagens, buscaremos ampliar essa atividade, preservando a unidade de sua orientação. O impresso mantém seu papel no contato direto com os trabalhadores: cada exemplar pode abrir uma discussão, estabelecer um vínculo e incorporar novas forças à organização.

Celebramos estes dois anos conscientes da responsabilidade que assumimos perante nossa classe. A cada camarada, leitor e apoiador que sustenta O Futuro, dirigimos o reconhecimento de uma conquista comum e o chamado a desenvolvê-la. A imprensa de que precisamos deve estar à altura da luta pela independência política do proletariado e de sua preparação para conquistar o poder. Esse é o critério que orienta nossas mudanças e dá sentido à continuidade de nosso trabalho. Construir O Futuro é participar da construção do partido revolucionário e das condições para que a classe trabalhadora tome em suas mãos a direção de seu destino.