Passagem de ônibus sobe para R$ 5,80 em Maringá (PR) enquanto Prefeitura amplia subsídios às empresas privadas

Tarifa aumentou 11,5% e município destinará cerca de R$ 60 milhões ao transporte coletivo em 2026, evidenciando os limites da gestão privada e reforçando a necessidade de estatização e Passe Livre.

5 de Agosto de 2026 às 15h00

Desde o último domingo (12), os usuários do transporte coletivo de Maringá (PR) passaram a pagar R$ 5,80 por viagem. O reajuste de R$ 0,60 (11,5%) foi oficializado pela Prefeitura por meio do Decreto nº 1.262/2026, assinado pelo prefeito Silvio Barros (PP) e publicado no Diário Oficial do Município na última sexta-feira (10). 

O aumento ocorre ao mesmo tempo em que o município ampliará significativamente os recursos públicos destinados ao sistema privado. Segundo a própria Prefeitura, os subsídios ao transporte coletivo chegarão a aproximadamente R$ 60 milhões em 2026, um crescimento de cerca de 28% em relação aos R$ 46,8 milhões pagos no ano anterior.

Os recursos municipais são utilizados para custear gratuidades previstas em lei, como o Passe Livre estudantil e os benefícios concedidos a pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), indígenas que comercializam artesanato, pacientes em tratamento contínuo de transtornos mentais, gestantes e crianças e adolescentes com patologias crônicas. Mesmo assim, o povo trabalhador maringaense continuará arcando com uma das tarifas mais elevadas do interior do Paraná. 

Segundo os estudos técnicos utilizados pela administração municipal, a chamada tarifa técnica - custo integral da operação do sistema sem a participação do poder público - passou para R$ 9,35 por passageiro. Desse valor, R$ 3,55 serão pagos diretamente pelo município, enquanto R$ 5,80 sairão do bolso dos usuários. Ou seja, os custos recaem exclusivamente sobre o Estado e a população usuária, ficando as empresas privadas isentas de qualquer ônus.

Os números revelam uma contradição do atual modelo de transporte urbano brasileiro. Embora o serviço seja operado por empresas privadas, uma parcela crescente de seus custos já é financiada com recursos públicos. Na prática, as trabalhadoras e os trabalhadores sustentam o sistema de duas maneiras: primeiro, por meio dos impostos que financiam os subsídios municipais; depois, pagando a tarifa sempre que utilizam o transporte coletivo. 

Enquanto isso, a operação permanece organizada sob a lógica da concessão privada, em que o serviço continua condicionado ao equilíbrio financeiro das empresas, e não às necessidades de mobilidade da população trabalhadora. A consequência é um ciclo conhecido em diversas cidades brasileiras, onde aumentam-se os custos operacionais, cresce o volume de recursos públicos destinados às concessionárias e, ainda assim, as tarifas continuam subindo. 

O transporte coletivo é uma condição fundamental para o acesso ao trabalho, à educação, à saúde, à cultura e ao lazer. Entretanto, quando sua gestão permanece subordinada à obtenção de lucro, a mobilidade deixa de ser um direito universal e passa a depender da capacidade de pagamento da população trabalhadora. 

Em Maringá, um trabalhador que utiliza duas passagens por dia, durante 22 dias úteis no mês, terá que desembolsar R$ 255,20 mensais apenas para se deslocar entre casa e trabalho. Levando em consideração que a grande maioria da classe trabalhadora recebe até um salário mínimo (R$ 1.621), esse valor corresponde a  quase 16% de toda a renda do trabalhador. Para trabalhadores informais, desempregados e estudantes que não se enquadram nas gratuidades existentes, esse custo representa um peso crescente no orçamento familiar. 

O aumento da tarifa demonstra os limites do atual modelo de concessões privadas. Se o Estado já financia uma parcela expressiva da operação por meio de subsídios, torna-se cada vez mais evidente que esses recursos poderiam ser destinados diretamente a um sistema público, sem a intermediação da lógica do lucro privado. 

A defesa da estatização do transporte coletivo, sob gestão pública e controle social dos trabalhadores e usuários, está diretamente ligada à construção do Passe Livre universal. Em vez de transferir milhões de reais às empresas concessionárias enquanto a tarifa continua aumentando, os recursos públicos poderiam financiar um sistema planejado para atender às necessidades da população trabalhadora. 

O transporte coletivo deve ser compreendido como um direito social, e não como uma mercadoria. Garantir a mobilidade da classe trabalhadora exige superar um modelo que privatiza a operação, socializa seus custos e mantém o acesso ao transporte condicionado ao pagamento da passagem. A luta pela estatização do sistema e pelo Passe Livre é, nesse sentido, parte da defesa de uma cidade em que o direito de ir e vir não dependa da renda de cada trabalhador.